
Nasci no dia 09 de Novembro de 1973 em Recife/PE e meu contato com a música começou bem cedo, ainda criança ouvindo através de meus tios, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Bee Gees, etc.
Mais tarde por volta do ano de 1985, já com 11 anos, dessa vez através de amigos comecei a ouvir Judas Priest, AC/DC e Iron Maiden. Naquele Momento meus olhos brilharam, pois era algo que eu nunca havia escutado e imediatamente fiquei fascinado em ouvir algo diferente, moderno, pesado, com guitarras bem distorcidas, pra época é claro, e principalmente com vocais emitindo notas altíssimas.
Em seguida comecei a procurar por outras bandas e aí conheci Twisted Sister, Europe, Whitesnake, Van Halen, Black Sabbath, Winger que tocava bastante nos comerciais de cigarro, além das já citadas anteriormente.
Nesse mesmo ano, aconteceu o Rock In Rio e ali, pude ver através da TV, várias bandas que eu idolatrava e ficar ainda mais maravilhado com aquele som.
Os anos foram passando e fui ficando cada vez mais fanático pelo Heavy Metal de um modo geral. Logo que eu chegava da escola, tomava banho rápido, almoçava e lá vinham os Lp´s na minha vitrolinha, além das fitas cassetes que eram bem comuns naquela época, principalmente porque no Brasil não chegava muita coisa, portanto, era raro alguém ter muito disco de Metal, então fazíamos cópias dos discos para os amigos mais próximos. Ninguém gostava de emprestar os Lp´s, até porque eram caros e sensíveis, fora o ciúme de ter aquela pérola só pra você!
Lembro que eu tinha o Powerslave e não sei como não furou, pois eu o ouvia diariamente todas as tardes e ficava imaginando como se eu fosse o Bruce Dickinson, à frente da minha banda preferida! Eu ficava cantando o tempo todo! Ao final da tarde ainda levava a vitrola pro banheiro e passava um tempão no banho cantando o Live After Death inteiro.
O mercado de Lp´s no Brasil foi melhorando e, com isso, fomos “invadidos” com os tão sonhados Lp´s de Heavy Metal licenciados no Brasil. Todas ou quase todas as grandes bandas lançavam seus discos no Brasil, e isso facilitou a busca por novas bandas e estilos. Comecei a ouvir bastante Death e Thrash metal e aos 19 anos formei a minha primeira banda chamada MALEFIC, onde eu “tocava guitarra” e cantava. Começamos a compor nosso material próprio e ensaiar, mas, não fomos muito longe, aliás, essa era uma das dificuldades da banda, pois morávamos um pouco distante uns dos outros e o estúdio onde ensaiávamos não suportou aquele “barulho ensurdecedor” e não quis mais alugar horários para nós. Por conta dessas e outras dificuldades a banda acabou.
Em 1997 fui ver um ensaio da banda de meus amigos Marcos “Smith” e Sérgio “Maiden”, que na ocasião estavam testando um vocalista. No meio do ensaio pedi pra cantar e fui escolhido pela banda como vocal.
A banda chamava-se The Duellists e fazíamos um estilo bem próximo de Iron Maiden, pois todos na banda eram fãs do bom e velho Iron. Infelizmente não foi possível dar continuidade aos trabalhos da banda porque em 1998 fui morar em Manaus/AM e tive que sair da banda.
Esse período com The Duellists foi um dos mais importantes da minha carreira, porque ali que tudo começou verdadeiramente pra mim, pois descobri que tinha jeito pra cantar coisas mais melódicas, diferente da época em que eu cantava gutural com Malefic.
Chegando a Manaus, a primeira coisa que eu fiz foi ir atrás de alguma banda pra cantar, pois estava obstinado em seguir com a carreira de vocalista. Fui numa loja de cd´s e lá estava um anúncio de banda procurando vocal. Liguei pros caras e marcamos um teste. Chegando lá, já tinha outro vocalista fazendo o teste, mas, tive a sorte também nessa banda de ser o escolhido.
A banda não tinha nome! Na verdade, tínhamos vários nomes provisórios e fora isso, havia divergências musicais a respeito de qual estilo que a banda deveria seguir. Com isso, eu e o guitarrista Fred Magno saímos da banda e entramos na banda Millennium, onde permaneci por um ano e meio mais ou menos. Nesse mesmo período, fui convidado pela banda Glory Opera pra gravar uma demo, pois eles estavam à procura de vocalista já há alguns meses e haviam composto duas musicas. Acabei gravando a demo.
Identifiquei-me melhor com as musicas da Glory Opera e resolvi sair da Millennium, dando inicio aos trabalhos com G.O. ajudando nas composições e tudo o mais.
Isso aconteceu em abril de 2000.
Em meados de Julho desse mesmo ano, foi a minha estréia nos palcos com Glory Opera. Filmamos o show e eu fiz uma copia da fita VHS e enviei pro meu amigo Marcos Smith, que por sua vez editou a fita e entregou nas mãos de Kiko Loureiro, que estava fazendo workshop em Recife e o Angra procurava por um novo vocalista.
Uns dois dias depois o guitarrista Rafael Bittencourt ligou e perguntou se eu gostaria de fazer um teste. Prontamente eu aceitei e fui pra São Paulo.
Naquela época eu nem acreditava que estava fazendo testes pra uma banda já bem conhecida como o Angra, pois eu nem sequer havia gravado o primeiro disco da Glory Opera (Rising Moangá), apenas a demo, portanto, tinha pouquíssima experiência em estúdio ou quase nenhuma, além disso, eu era um cara praticamente anônimo. Talvez por isso, dessa vez não tenha sido o escolhido, mas, não importou em nada pra mim! O que realmente importou naquela época foi ter a certeza de que estava no caminho certo, pois mesmo desconhecido, tive de alguma forma meu talento reconhecido e com isso pude acreditar cada vez mais em mim e, quem acredita sempre alcança!
A partir daí, comecei a estudar canto e teoria musical no Centro Cultural Cláudio Santoro, aprendendo algumas técnicas vocais, além de ler música e cantar no Coral Jovem. Fiquei por pouco tempo, pois sempre faltavam vários alunos e quase nunca ensaiávamos as peças de Mozart, Bach, entre outros. Foi uma época muito importante e marcante pra mim, pois as mesmas técnicas que aprendi, uso hoje em dia pra cantar em todos os estilos.
Continuei com Glory Opera fazendo shows em Manaus e cidades vizinhas e, em seguida gravamos o nosso primeiro disco, e meu também, chamado Rising Moangá.
Na época recebemos alguns prêmios de sites especializados e revistas, dando um grande passo na minha carreira e na carreira da banda por executar um grande trabalho, o que nos rendeu uma pequena tour passando por São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, abrindo pro Nightwish nas duas últimas cidades citadas.
Em 2003 tocamos no BMU e foi um dos melhores shows que fizemos em todos os anos, pois a química entre banda e público estava evidente.
Em 2004, começamos a gravar o aclamado Equilibrium, onde a banda se mostrava mais madura e com um som mais pesado. Devido ao novo rumo que a banda estava tomando, eu tive que mudar um pouco a forma de cantar, deixando de cantar apenas limpo e experimentei um pouco usando alguns drives na voz, inclusive junto com o Vitor Rodrigues do Torture Squad, numa das músicas do Equilibrium.
Pra mim foi uma grande experiência, pois eu estava ao lado de um dos grandes vocalistas de Metal Extremo do País, cantando junto comigo numa música. Isso me levou aos tempos de Malefic!
Os anos foram passando e fui adquirindo mais experiência vocal, alem de usar cada vez mais o drive, tentando acompanhar o mercado do metal, com novos vocalistas usando essa técnica e caindo na graça do público.
Glory Opera devido à desprivilegiada localização geográfica tinha dificuldades em marcar shows por outros Estados, pois pesava muito no orçamento dos produtores. Com isso, alguns membros ficaram desmotivados e foram saindo.
Após a reformulação da banda, continuei com os demais na busca incessante por um reconhecimento maior, pois tínhamos muitos fãs e, esses nos impulsionavam em continuar.
Confesso que quase cheguei a abandonar a banda e a música pelo mesmo motivo dos ex-membros, mas, surgiu uma luz no final do túnel. Chegamos a fazer uma tour pelo Nordeste em Dezembro de 2008 por várias cidades e depois paramos para descanso e programação da continuação da tour.
Em meio a tudo isso, surgiu o convite do Hangar para fazer testes. O Aquiles mandou-me um e-mail falando sobre o assunto e eu obviamente aceitei o desafio de cantar diante dos fãs exigentes do Hangar, na EM&T as músicas da banda, sem jamais ter ensaiado com eles.
Essa apresentação foi uma experiência incrível, pois desde aquele momento me senti como integrante da banda, claro que respeitando os outros candidatos, mas, com a certeza de seria o escolhido. Quem sabe isso tenha acontecido pela vontade enorme de integrar uma banda de grandes profissionais, exigentes e talentosos e principalmente por ter um público tão fiel como o Hangar tem.
No dia seguinte fui a um estúdio encontrar com o Hangar, para continuar a bateria de testes. Gravei quatro músicas do disco The Reason of Your Conviction, sempre com apenas um take, como se estivesse ao vivo. As músicas foram Hastiness, The Reason of Your Conviction, Call me in The Name of Death e Captivity.
Dias depois, Aquiles convidou-me para encontrá-los no Sítio em Tatuí. Chegando lá fui muito bem recebido por todos, que na ocasião estavam trabalhando na pré-produção das músicas do disco novo. Pude ver como o Hangar trabalha intensamente, focado em fazer o melhor e isso me animou bastante, pois se eu fosse o vocal escolhido, teria a certeza de que gravaria um grande disco, infalível.
As músicas mesmo em forma de “esqueleto” me davam a visão de como seriam excelentes, porque elas já soavam perfeitas como um HIT. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a rapidez e o entrosamento de como aqueles caras compunham as músicas. Realmente aquilo era impressionante!
Outra coisa que achei muito importante foi o respeito uns com os outros na hora de compor. Se alguém vinha com uma idéia o outro tentava reproduzir aquilo e, pra variar, dava certo devido o grande entrosamento deles. Ninguém no Hangar tem problemas com ego, ao contrário de muitas bandas por ai, que por isso não dão certo!
No final do dia rolou um churrasco pra lá de divertido e saboroso, é claro ! Conversamos muito a respeito de minha possível entrada na banda, além de minha opinião sobre as músicas novas e, isso me fez acreditar que realmente eles queriam que eu fosse o novo integrasse, me deixando super feliz e mais confiante ainda. Mesmo assim voltei para São Paulo sem nada definido, onde permaneci por mais 30 dias sem resposta alguma.
Após um mês de tensa espera, o Aquiles liga falando que eu tinha sido o escolhido. Naquela hora só tive vontade de gritar e foi o que eu fiz! Fui para a janela do apartamento onde sempre fico em São Paulo e AAAAAAAAAAAAAAhhhhhhhhhh!!!!!!!! Que alívio! Foi uma sensação única, extremamente agradável, acho que Aquiles deve ter ficado meio surdo na hora, hahaha!
Mais outro mês e começamos a gravar o Infallible. Essa foi a minha maior provação, pois havia acabado de integrar a banda. Fui aprendendo as músicas e gravando-as em seguida. Não é nada fácil, porque não tive tempo pra estudá-las e eu tinha de fazer um grande trabalho, que satisfizesse a todos. Tudo isso somado à pressão enorme de prazo de gravadora no Japão, etc. O stress era muito grande, mas, como todos no Hangar, a superação e a vontade de fazer o melhor é o segredo pra se alcançar o infalível. A determinação de todos realmente foi inspiradora pra mim, fora o apoio em tudo que eu estava fazendo, colocando a melhor interpretação possível nas músicas, e é claro o apoio incondicional dos fãs do Hangar e daqueles que já me conheciam.
Claro que não poderia deixar de citar o empenho assustador de Aquiles, que após 18 horas por dia acompanhando e produzindo as gravações, enquanto todos iam dormir ele passava as músicas pro seu Ipod e ficava procurando alguma possível falha ou algo que poderia ficar ainda melhor do que já estava.
Nas “horas vagas”, eu sempre corria pelo sítio com meu novo e grande amigo Martinez, que sempre me aconselhava sobre várias coisas, além de ser um cara bastante divertido. Ele também me ensinou algumas escalas no violão que servirão pro resto da minha vida, e olha que eu não sou muito bom em aprender essas coisas, mas, realmente ele tem o dom de ensinar coisas bem positivas!
Trinta e poucos dias de gravação e consegui bravamente terminar o Infallible. Não sei como a minha voz suportou. Certamente foi a obstinação em fazer o melhor. De uma coisa eu estou certo: coloquei todo o meu conhecimento obtido durante esses anos e essa é sem sombra de dúvidas a minha melhor performance vocal e estou muito orgulhoso disso!
Terminando o Infallible, não houve pausa para descanso, pois tínhamos naquela mesma semana um show em Caraguatatuba/SP. Passamos a semana inteira ensaiando durante quatro ou 5 horas diárias e ininterruptas. Mais uma vez a superação e determinação de todos em alcançar o melhor possível. E haja voz pra suportar tal rotina!
17 de Maio de 2009 chega enfim o dia da minha estréia oficial nos palcos com o Hangar. Mesmo nervoso pela estréia, consegui fazer jus a confiança depositada em mim para integrar essa banda de profissionais extremos, focados, loucos pelo que fazem e acima de tudo apaixonados pelos fãs que nos motivam todos os dias com mensagens positivas e apoio incondicional em todas as fases de nossas carreiras musicais!
Abraços a todos e nos vemos nos shows pra que eu possa dar continuidade a minha história com Hangar e vocês!
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