Nasci no dia do arquiteto, 11 de dezembro de 1967, em Porto Alegre, graças principalmente ao amor de meu pai Eduardo, arquiteto, e minha Mãe Sandra, Bacharel em Língua Portuguesa. Sou, portanto, sagitariano, colorado, cético, anarquista, desleixadamente disciplinado e teimoso. Sou dado a paixões violentas por esportes (BMX, MX), música e mulheres incríveis.

De todas as atividades humanas, fascinava-me na música, mais precisamente no ato de tocar um instrumento em público, a possibilidade de comunicação entre um pequeno (ou gigantesco) grupo de pessoas, transmitindo verdade, paz e amor, pelo menos por alguns instantes. Até o dia em que Diamond Darrel foi morto em um lugar que tinha sido feito pra viver: no palco. Deveríamos agir como seres de som, arte, esporte, superação, pensamento e amor. Mas o mundo é um lugar punk, onde se erra muito mais do que se acerta.

E os Beatles? Esses mudaram o mundo da minha mãe... Já os Motorhead, Venom, Black Sabbath, Dead Kennedys e Slayer, mudaram o meu. Discos, muitos discos em casa, mas eram discos de vinil, é claro! Os Almôndegas (não a comida, mas a banda), Elvis, Pedro e o Lobo, Chico Buarque e Elis.

A primeira questão musical que me lembro de ter formulado foi algo do tipo: “mãe, homem também canta?” Foi em casa, por volta dos sete anos de idade que, ouvindo sei lá quem no rádio, me dei conta pela primeira vez das divisões das coisas no mundo. A atividade de cantar era para todos, não tinha sexo, mas acho que, até então, só tinha me dado conta das vozes femininas, principalmente a da minha mãe, que gosta de cantar e alfabetizou-me em casa. O pai me deu papel e canetas e foi tudo o que fiz até descobrir um mundo exterior, não muito atraente às vezes, mas que sempre se tornava ótimo na companhia deles. Quando precisava “fugir”, desenhava... Isso ocorria principalmente na sala de aula, onde fingia anotar tudo que o professor dizia. Tenho toneladas de desenhos e H.Q.s toscas que serviam de “viagem” para mim e meus amigos. Sempre achei que passaria fome como desenhista de alguma coisa, mas percebi que arquitetura não era pra quem odeia réguas...

Das muitas coisas que marcaram meu início na música, primeiro foram as sensações: meu pai me carregando tarde da noite, de um lado para o outro em nosso apartamento, na Rua Liberdade, em Porto Alegre, murmurando alguma cantiga misteriosa de alguma tribo lá da terra dele, Jaguarão (brincadeira aí, pai! Nós dois cantamos muito mal!). Acho que a letra era mais ou menos “dorme pequenino, fica quieto desgraçado...” e eu lá testando o controle remoto; era só resmungar que vinha mais som, balanço, passeio e sacudidas pelo corredor até o quarto... O brilho da TV...

As imagens seguintes são um capítulo à parte: Vila Sésamo e suas músicas malucas; um cara chegando à lua! E daí? A Família Robinson estava num planeta diferente a cada semana em Perdidos no Espaço! Havia aqueles desenhos bizarros onde todo mundo tinha uma banda: Os Impossíveis, Super Boing voando numa Flying V, The Monquees, Banana Split com toda aquela psicodelia freak. Os sons já me perturbavam muito: o tema original do Globo Repórter com banda, guitarra fuzz e bateria me fazia cagar na calças de medo! A música incidental de Lost In Space era Stravinsky sideral puro, do tal Johnny Willians (seria o jovem compositor John Willians?). Os temas de abertura do programa Jornal do Almoço: Rush, Villa-Lobos ou Patrick Hernandez. Born to be Alive tinha aquela alavancada de strato (acho eu que era uma strato) no meio: toda a banda pára de tocar e WÔÔÔNNnnn... Achava aquilo muito animal, era esse o instrumento que eu queria! Mas em casa tinha o violão da minha mãe. Coloquei cordas de aço e só não rachou o tampo como o violão do seu Laguna (pai do Fábio) porque ele estava com nylon só por acaso! Era um violão folk. Minha mãe estudou violão na época da bossa, então só usava nylon. Mas o que eu queria era WÔÔÔNNnnn!! Metal no pinho! Fiz umas aulas depois de encher o saco dos meus pais um pouco (não mais do que para poder andar de moto!).

Aprendi muitos acordes nas cifras carimbadas no caderno e cantava mal várias músicas do Roberto, Lupicínio e sucessos do MPB Shell 80... E solos tipo aquelas coisas WÔÔÔNNnnn? Só mais tarde... Até realmente saber o que a gente vai ser na vida tem que levar muita paulada, cair e levantar... Acho que foi por isso que o primeiro esporte que me lembro de ter praticado foi o judô. Meus pais sabiam das coisas. Depois natação, tênis, caratê e ginástica olímpica.

Quando a nossa casa ficou pronta e nos mudamos para a Chácara das Pedras, em torno de 1977, tive dois vizinhos que trouxeram novos sons pra mim. Eles tinham irmãos mais velhos! O Régis mexia escondido nos discos e a trilha das nossas guerras era Supertramp, Stephen Wolf (Born to Be Wiiild!). Com o Wilson arrisquei colocar som em festinhas, encaixando aquele berro do Lemmy, do Motorhead, ao vivo (do Live Hammersmith Odeon), depois de uma música lenta.

No meu Colégio porto alegrense, o Anchieta, surgiu um festival da canção e fui ver um colega, o Queen (adivinha qual é a banda preferida dele?!), que aprendera a tocar naquela semana. Nós tínhamos uma banda “virtual”, pois parecia mais uma reunião de violão e batucada, chamada Os Filhos da Pauta, que chegou a gravar ao vivo uma versão de Coração Alado na sala de estar do Fernando Araújo. Notável. Éramos felizes e sabíamos! Foi ali naquele palco do primeiro Festival Interno da Canção Anchietana, sem iluminação nem PA, que vi pela primeira vez, ao vivo, ela: a guitarra elétrica. Na verdade eram baixo e guitarra plugados num amplificador Giannini Bag 01. Tocaram um bluesinho e foi o máximo. O festival foi evoluindo e os irmãos Richard e Philip Powell proporcionavam um verdadeiro desfile anual de guitarras incríveis trazidas da Inglaterra, pois são filhos de Mr. Powell. O Silvinho, o Frank e o Roger Solari fizeram o primeiro show com a banda Shivas (a letra da música tinha muito palavrão! Foi metal! Os padres adoraram!). O TNT também começou por ali. Em 1983 liguei a TV e ouvi: “Van Halen em Porto Alegre!” Muita sorte, pois foi o primeiro show GRANDE da minha vida.

Foi no laboratório de eletrônica do Colégio Anchieta, já no segundo ano do segundo grau, que consegui chegar perto dela: o Alberto Siedler estava mexendo numa guitarra Sank. Meu amigo Zé Campos, parceiro de equipe no bicicross (conquistamos muitas escoriações pelo estado correndo pelo Unificado BMX Racing Team), comprou a coisa e começamos a estudar juntos, em 1984, com um uruguaio que sabia tudo, meu primeiro professor, Enrique Azambuja. O Zé era um pioneiro: mexia com eletrônica, teve um TK 82 C(microcomputador de fita K7), um caiaque, uma Mobyllete 79, uma bike Extra Light... Estávamos sempre aprontando, tipo gangue de ciclo motores, pois quando vi que meu pai tinha corrido de lambreta no Gauchão, não sosseguei até montar no meu próprio par de rodas de 49 cilindradas. Ficávamos rodando pelo bairro, e onde tinha garagem, tinha banda. Nessa época o programa de metal na rádio era o do Ricardo Barão, e uma noite rolou Venom, The 7th Date of Hell! Aquilo fodeu com a cabeça dos loucos! Encontramos um baterista e começamos umas jams. O cara era muito bom, gostava de tocar e nos aturava. O baixista era o Ricardo Olsen que tocaria comigo na Panic. O Olsen era o cara que, junto com o irmão, o Arroz, tinha TODOS os sons, coisas importadas pirateadas em fita: Metallica, Venom, Mercyfull Fate, Jag Panzer, Malmsteen, Alcatrazz, Hellhammer, Celtic Frost, Satan, Trouble, Onslaught, Dark Angel, Slayer; e nós ficávamos na casa deles a tarde toda ouvindo.

Na mesma época, incentivado pelo meu grande mentor espiritual na música, o pianista e compositor Conrado “Tonda” Pecoits (graças ao seu exemplo decidi pelo curso superior de música) e seu irmão João, que me mostrava coisas como Hermeto Pascoal e Weather Report, comecei a fazer aulas de violão dito “clássico”, no conservatório Palestrina, em Porto Alegre. Meu primeiro mestre na grande música foi o violonista e amigo Eládio José de Souza. No início do ano de 1985 eu já tinha acabado o segundo grau e comprado a minha primeira guitarra: uma Flying V Finch preta. Comprei do guitarrista Dante, da banda Nascente, e pedi pro Enrique pintar como a guitarra do Michael Schenker. Com essa Flying V, um Captador Gibson PAF e mais um pedal Heavy Metal, começou uma junção de caras toscos que não sabiam tocar, mas que tinham muita energia. Começamos a tocar juntos em 1985. A banda chamou-se Tormentor, depois Massacre e, enfim, foi batizada Panic pelo Walcir, da Woodstock Discos, que lançou o primeiro trabalho no qual participei: Rotten Church, em 1987. O baixista era o Rodrigo K. Baço, que saiu da banda por diferenças com sua família. Fomos os três (eu, KBaço e Russowsky) para a praia nas férias de julho e ficamos lá por duas semanas, naquele frio absurdo, tocando o dia todo a mesma música na garagem da casa de praia do pai do Marcelo Russowsky, o batera. O “paitrocínio” incluía assar uma carne pra gente... Nós não comíamos, realizávamos holocaustos... No fim das férias tínhamos uma música e meia, Killing Enjoy Us e o início de Satan Shall Return. A primeira era muito ruim, até para nós que gostávamos de Hellhammer, mas Satan Shall Return entrou no disco. Era hora de encontrar um vocalista, e após muitos testes escolhemos o único cuja voz encobriu todo o instrumental e conseguia botar medo na galera. Tinha que ser algo completamente anti-musical e o Regener era perfeito. Era o Mestre. Ele conseguia representar sonoramente o ódio a tudo. O cara vagava pelo bairro e ouvia som conosco, mas o que chamava a atenção era sua cara de nerd, com óculos de lentes muito grossas, sempre com uma pulseira de tachas e mal humorado pra caralho! E é claro, com uma camiseta do Venom. Basicamente o Regener era como nós, só que trabalhava, e quando ele entrou na banda, tudo ficou assim mesmo: uma coisa sem sentido e violenta; a negação dos valores podres de uma sociedade podre, de um mundo hipócrita e podre, de um capitalismo egoísta e podre com sua guerras obviamente podres. Tudo podre! E o nosso vocalista encarnou mesmo o som da Panic: Speed Death Power Splatter Black Metal de coisas pútridas. Assim, focalizamos todo nosso ódio na maior representante da hipocrisia podre do mundo ocidental, na nossa humilde opinião de alunos de colégio de padres: a igreja. Podre, claro. Inquisição, queima de bruxas, guerras santas, um prato cheio para satã, nosso mestre, hehe... Então, com a ajuda do Ademir da loja Megaforce, o nosso padrinho e o sexto Panic, produzimos uma demo com quatro músicas que chegaram às mãos do Walcir. Fomos batizados Panic e tínhamos que compor mais daquilo que ele ouviu; íamos gravar um álbum inteiro, os dois lados!

Era mágico, muito louco, mas era verdade. A capa do disco, uma gravura medieval da inquisição, foi colorida pelo Torquato, que tinha feito a capa para o Viper, entre outros. Nossa mensagem seria propagada! Rotten Church foi gravado em uma semana no estúdio da ISAEC, uma rádio católica... Que delícia! Uma sessão para cada instrumento, mais o dia da mix. Não precisava mais do que isso. Uma das músicas, a instrumental Megaforce, (homenagem ao Féfi, ao Ademir e à Kátia, nossos apoiadores da loja homônima) tem 10 minutos e levou 10 minutos pra cada um gravar sua parte. A gente não sabia que podia editar... hehehe... Praticamente uns bugres tocando ao vivo no estúdio. Pior foi pro Regener. Foi só quando ele acabou com a goela, na última música, que ficou sabendo que não precisava cantar várias vezes desde o início. Na verdade ninguém errava, éramos praticamente uns robôs de tanto que ensaiávamos aquelas oito músicas. Era tudo um erro só... hehehe.

O técnico do Master Estudio, Eduardo Doria, o Leco, veio do Rio de Janeiro por conta da Woodstock e produziu tudo conosco. Infelizmente a mixagem lançada não foi a que nós fizemos juntos, mas agora, no relançamento em CD, a mix da banda poderá ser ouvida 20 anos depois; CD remixado e remasterizado: Marquee Records 1987-2007, Rotten Church re-loaded.

Confiante no trabalho que estava desenvolvendo com a Panic, comecei a dar aulas na galeria Malcon, no centro de Porto Alegre. Conheci uma galera que tinha a sala e precisavam de um professor de guitarra. Foi com eles que toquei pela primeira vez ao vivo. Eram covers de rock nacional, um repertório que nunca tinha tocado e, lógico, sem nenhum ensaio. Fiquei ali, improvisando... era só não tocar quando o cara cantava! O nome do bar era “Todo Sujo de Batom”. Contaminei-me com o lance do palco ali, pois o tesão e a adrenalina superaram a minha timidez e insegurança. Houve também, em 1987, antes do show de lançamento do disco da Panic, um concurso de guitarristas da rádio Atlântida, a “Festa da Guitarra”. Para concorrer, tinha que mandar um solo de 30 segundos. Escolheram 10. Eu nem queria participar, mas aconteceu o seguinte: a Panic ensaiava no subsolo do Centro comercial Independência, onde ficava a Megaforce. Queria lembrar o nome do molequinho que ia lá curtir de vez em quando. Acho que era Marquinho. Um dia ele foi e disse: “sola aí que eu vou gravar e mandar pra você participar”, e ligou o gravadorzinho que era quase do tamanho dele. Liguei um monte de delay e improvisei umas coisas. Na verdade, eu ficava lá a tarde inteira praticando, antes e depois do ensaio, com o volume alto, porque era uma garagem e ninguém reclamava. E continuei improvisando, um monte de harmônicos, umas alavancadas, umas frases dramáticas, ligados; ficou uma coisa meio Eruption com Akira Takasaki e Kerry King. Não botei muita fé, mas para minha surpresa, classifiquei-me no concurso. Achei que nunca ia rolar, até que vi o meu nome na lista. Foi minha amiga e genial guitarrista Adry Simionni que me avisou, pois ela tinha participado e estava acompanhando para ver se também se classificaria. Achei absurdo ela não entrar, pois foi a primeira pessoa que vi tocando Far Beyond the Sun, do Malmsteen, ao vivo, com a banda Aldebaran, e usando uma Supersonic! Ela toca tudo, de Allan Holdsworth a Cacophony, uma verdadeira virtuosa. Enfim, com o resultado do concurso, aprendi que alguma coisa de bom eu devia ter, alguma originalidade estranha, pois alguém me escolhera para concorrer, e o prêmio era uma Fender Strato. Na noite do festival, senti a pressão de ficar sozinho num palco, sem banda. O que achava que devia fazer era reproduzir aquele improviso espontâneo que eu havia gravado tranqüilo e aquecido no estúdio. Afinal, se tinha sido aquele o grande momento musical da minha vida que me colocou ali, era melhor saber bem aquilo. Fiquei dias estudando aquele improviso para fazer igual na hora, mas não rolou, o que foi uma grande lição. Percebi que para ter controle das coisas ao vivo, seria preciso algo mais que eu ainda não tinha, e não era só experiência de palco. Mas isso, definitivamente, eu não tinha...

O primeiro show da Panic seria a abertura para o Venom e Exciter, no ginásio do gigantinho, onde todos os shows grandes rolavam. Mas a tour acabou mais cedo para Cronos, Beehler e companhia... O show de Porto Alegre foi cancelado. O primeiro show da Panic foi no Madame Satã de Porto Alegre, no dia 11 de outubro de 1987. A casa estava cheia e, quando acabamos o último bis (um cover do Celtic Frost), não nos deixaram sair do palco. A única saída era pelo público, o qual não ia embora, por isso tivemos que tocar tudo que sabíamos: pedaços de músicas novas sem letra, uma instrumental incompleta, temas de programas de TV, Batman, Homem Aranha, Bonanza, Tema do Inspetor, 007 e uns punk rocks em português que eram só um riff e refrão. Os caras piraram, e nunca mais pudemos deixar de fazer esse tipo de “show depois do show”. O próximo show foi em seguida, no famoso espaço Mambembe, em São Paulo, com Necromancia e Disaster. O Sepultura tinha colocado 900 pessoas lá na semana anterior. Foi muito louco! o João Gordo e o Regener queimaram uma tora no backstage e o Mestre cantou God´s Death enquanto tocávamos Satan Shall Return. Perfeito! Foi um puta show, mas os Necromancia eram, sem dúvida, muito mais banda.

Ao ouvirmos o Schizophrenia do Sepultura, em 1987, ficou claro para nós quem dava as cartas no metal nacional naquele momento. Aquilo, para mim, serviu de incentivo, mas pro resto da banda foi um choque. A Panic que existia até então acabou. Houve uma formação muito bizarra que até teve que mudar de nome, pois viramos prog. O projeto começou como uma reformulação da Panic, mas não aconteceu. A banda mudou seu nome para Laurifer, com Júlio Falavigna na bateria, Paulo Cassio na guitarra (Rosa Tattooada), Marcos Machado no baixo e Renato Jardim nos vocais (Grand Bell). Compusemos dois temas de seis minutos e gravamos uma demo para a Woodstock. Mas o timing estava perdido, pois segundo o Walcir, se o som tivesse se mantido como era no Rotten Church, ele poderia ter nos arranjado um contrato com a gravadora Eldorado.

Não era uma boa hora para um som fusion, apesar da excelente voz do Renato, um timbre ótimo para Yes ou Rush. Mas cabeças muito diferentes acabam fazendo coisas interessantes, por pouco tempo. E tempo é um ingrediente fundamental para uma banda acontecer. E o tempo sempre passa... Nesse meio tempo o Metallica, a banda que eu mais ouvi depois de Sabbath e Slayer, veio ao Brasil para a tour do And Justice For All. Aquilo não podia estar acontecendo! A primeira camiseta de banda que usei foi do Metallica, pintada por mim, pois ainda não existia! O primeiro patch fotográfico importado que comprei foi do Metallica, na loja Disco Voador, e o tenho até hoje. O primeiro riff “complicado” que consegui tocar: Jump in The Fire. O Kill’ em All era o meu café da manhã. Como era possível? Saí de casa, pegamos um ônibus para São Paulo (eu e o André Barcellos, um dos membros da Total Descordenation). Descemos no Tietê dezoito horas depois e começamos a nossa jornada até o estádio de metrô. Era minha segunda vez em São Paulo, mas a primeira sem alguém que conhecesse a cidade. No entanto foi fácil, pois havia uma horda de cabeludos de preto indo na mesma direção, e logo nos agregamos. Era uma migração religiosa (ou seria anti-religiosa?) Era a sensação mais forte de direção, de ter que estar em um lugar, que eu havia tido até então. Eu precisava olhar na cara deles e entender como era possível uma banda que eu e meia dúzia de loucos curtíamos (no tempo do Kill’ em All) ali, tocando de verdade. Eu precisava ouvir o som da dupla de guitarras mais fudida que já apareceu na minha frente... Olhar na cara do Jason com o sorriso de um fã que teve a maior sorte do mundo, e ao mesmo tempo chorar a falta do Cliff... Sentir o terremoto Lars e fazer parte daquilo tudo. E encontrei muita gente de Porto Alegre por lá antes do show; o Flávio do Leviaethan, lógico, e você que estava lá ouvindo Satriani antes do show e tomando um trago para agüentar a espera, o suspense, a antecipação de fazer parte do show do METALLICA!!!! A luz foi apagada, eu comecei a formigar, o ar explodiu, os ouvidos arrebentaram e eu, como milhares de fãs ali, fiquei em outra freqüência, não raciocinava mais... Não consigo lembrar o que foi tocado no início do show, pois naquela hora a razão tinha deixado de funcionar, eu não era mais um músico, nem uma pessoa, nem nada. Era alguém que tinha se transformado em energia e vagava em uma dimensão extrema. Talvez fosse apenas um tipo de estado de choque, mas era real. Os caras que serviam de instrumento para aquele som existiam, seus movimentos correspondiam ao som, e vice-versa, e o som era uma mistura de berros, de risadas e gritaria, de gente ao meu lado que parecia acreditar menos ainda do que eu que era uma experiência real. Outros nem conseguiam ficar conscientes o bastante, e alguns agitavam tanto que nem viam o palco. Eu era um daqueles que não piscava, estava congelado e berrava as letras. Aos poucos aquilo foi se tornando algo normal e os sentidos começaram a me informar melhor sobre o que acontecia. Pude ver como uma grande banda se faz sozinha, e se refaz a cada dia só para que, em algum lugar remoto, alguém possa continuar acreditando em si mesmo. Depois do show, dormimos nos sofás do saguão da Tudor House e voltamos para Porto Alegre de ônibus. Na rodoviária, na volta, pisando na dura realidade da província de Porto Alegre, eu senti que faltava algo na minha vida, que eu já tinha visto a cara das pessoas de cima do palco e precisava voltar lá. Headbanger é Músico, Músico é Headbanger! A vida não faz sentido sem isso pra mim, tenho que ter pelo menos UMA coisa da qual NUNCA abrirei mão nessa vida pra ser um HUMANO que valha a pena pisar nessa merda e respirar esse ar poluído. A Panic voltaria...

A minha primeira gig remunerada foi em 1989/1990, substituindo meu primeiro aluno, o Lincoln, na banda Razão Social. Fiz o show de lançamento da demo e, nesse show, perdi minha pedaleira... Foi aí que comecei a fazer shows direto com eles pelo interior para recuperar o prejuízo. Sempre tinha uma galera que parava na minha frente e ficava pedindo Sepultura, Slayer... os de preto me marcavam... A Razão Social pertencia ao baixista e vocalista Deley e ao seu irmão Wagner (que “fabricava” o nosso PA), e contava com Paulo Mallet na batera e o Dudi na outra guitarra e vocais. Era divertido, mas começou a não compensar com o tempo. Chegávamos a uma cidade de tarde, depois de uma viagem de caminhão (de mudança mesmo, cortesia de uma loja de eletrodomésticos e móveis; viajávamos que nem o equipamento, no “baú”!) e montávamos o PA todo. E isso ocorria geralmente no terceiro andar do clube Caixeiros Viajantes da cidade, para ficar sem sentir os dedos na hora de tocar de tanto carregar caixa pelas escadas. As caixas de super graves e a potência eram sempre a parte mais gostosa, mas o bom mesmo era carregar o equipo depois do show e descarregar em Porto Alegre de manhã, na volta, pra liberar o caminhão... Os bailes da vida... Até hoje nós mesmos “paleteamos” o equipo do Hangar e do Freakeys antes e depois do show, algo em torno de duas toneladas de cases. E o mais legal é empilhar isso tudo no storageroom, numa salinha milimetricamente aproveitada. Nós realmente aproveitamos cada momento de músico e roadie que passamos! Mas enfim... Vamos esquecer essa parte “boa” e voltar à história!

Com o fim da primeira formação da Panic, antes dos shows com a Razão Social, pude estudar mais e conquistei minha vaga no curso de composição da UFRGS, no final de 1988. Neste mesmo ano ocorreu um seminário internacional de violão, que foi fundamental para mim. Ouvi o Decameron Negro, pela primeira vez na vida, interpretado por nada mais nada menos que o violonista argentino Eduardo Isaac. Também ouvi os irmãos Assad, Pablo Marquez, Angela Müner e Roberto Alcel, além de ter oficinas com Martinez Zarate, Hector Farias e Henrique Pinto. Foi incrível! O seminário aconteceu durante o período do meu vestibular para música e os recitais de violão eram à noite. Eu já tinha passado na prova específica de música (ditado, solfejo, instrumento e prova escrita) e estava fazendo redação e o resto. Terminava os testes e seguia para o seminário, como um monge. Percebi que queria lidar com aquela música também pela vida toda. Era a maneira que havia para se obter um curso de música de nível superior reconhecido, e muito importante, numa instituição federal paga pelos nossos malditos impostos. Além de me formar teria direito, caso fosse preso, a uma cela individual até o julgamento, além de outros privilégios que músicos com diploma e outros bacharéis têm neste país! A possibilidade de posterior mestrado e doutorado também abre portas e são metas de vida. Uma grande figura na minha formação musical, no Instituto de Artes, foi o já falecido violonista Pedro Duval. Com ele, descobri o prazer da leitura e tocamos muitos duos juntos nas muitas tardes daquele oitavo andar do prédio da música na Rua Senhor dos Passos. Dentro do Instituto de Artes, na cadeira de música de câmara, desenvolvi um trabalho instrumental que começou como um duo de guitarras com a Adry e virou uma orquestra, a Orquestra Profana de Porto Alegre, a OPPA!. Passaram pela OPPA! os músicos Paulo Gillo e Ayrton Amaral (guitarristas), Adriana Scherer (tecladista), Cláudio Calcanhotto (guitarrista e baterista), Cristine Freitas (ex-musicista), Zózimo Rech (guitarrista e compositor) e Marcos Machado (contrabaixista de renome internacional, que reside nos EUA atualmente). Tocamos em todo o estado e ficamos bem conhecidos, principalmente na primavera, quando tocamos Vivaldi na TV local. A tour da OPPA! era mais leve em equipo e mais bem remunerada, mas o clima interno, apesar do elevado nível musical, era complexo e meio “familiar” às vezes, estilo família italiana, se é que me entendem! E dava muito trabalho, pois eram muitos ensaios domingo de manhã... Mas tiramos “A” na prova de música de câmara!

Enquanto tocava na Razão, a loucura continuava chamando. Comecei a tocar músicas da Panic com um amigo, o batera David. Tínhamos um projeto de amigos da “Golden Age” da debilidade mental da vida, chamado Total Descordenation. Fazíamos shows sem músicas, sem letras, mas com muita cerveja e performances incríveis. A Total Descordenation é a pioneira, verdadeira e única banda falsa, e um dia vamos voltar para provar isso, desmascarando o Massacration. Esses caras são os verdadeiros traidores do falso metal verdadeiro. Só a Total Descordenation não se vendeu ainda. Também porque ninguém compraria. Será verdade? Com o David na batera, o Olsen no baixo e o Regener, fizemos alguns shows da Panic em festivais de colégio e botecos. Mas percebi que a banda precisava de um super batera e que o David não estava disposto a pagar o preço para se tornar um, então comecei a procurar e contatei todos os bateras da cidade. Menos um, adivinhe quem era? O Aquiles ficou sabendo que havia uma vaga numa banda que já tinha um álbum lançado e entrou em contato por iniciativa própria, como é típico dele. Não chegamos a nos falar na época, pois o recado não chegou em tempo. Dez anos depois, quando nos encontramos no Hangar, ele me lembrou dessa história. Realmente um batera de nome histórico havia ligado para falar comigo sobre a vaga na Panic, segundo conta minha mãe. Eu já tinha assistido o Aquiles tocando com a Ecos do Silêncio, no festival do meu colégio, mas nem sabia... Não era para ser daquela vez.

Voltando às baquetas da Panic... Eu já tinha ido ver o batera Cláudio Calcanhotto (atualmente Comunidade Nin-Jitsu) tocar com os Colarinhos Caóticos no Porto de Elis (bar em que todas as bandas de Porto Alegre tocavam), ocasião em que conversamos. Estava meio vazio, mas pude conferir o som, e a batera tinha dois bumbos. Bom sinal. O cara estava muito empolgado e disse que era exatamente o que queria para a vida dele, que já tinha trabalhado como roadie do Igor Cavalera e tocado hardcore (o punk rock mais agressivo, não o emo de hoje) com a banda Atraque. Enfim, era um Músico, e louco o bastante par encarar a Panic. Foi uma parceria de seis anos muito criativa, que produziu material do qual me sirvo até hoje. Começamos a ensaiar e surgiu um tema que se chama Time To Die, com letra do então novo baixista, Rexx. Resolvemos, então, improvisar um estúdio no porão da casa de meus pais e trabalhar sério. Éramos nós marretando e meu pai desenhando na sala do lado. O chamado calabouço funciona até hoje para tormento dos vizinhos, e abriga as bandas Lápide e Riffmaker. Preparamos o terceiro show da Panic, o retorno. Foi no teatro Porto de Elis. Arrebentamos a casa! Quando o pano se abriu, não acreditei! Era um mar de cabeças que há muito tempo não via ou não acreditava ver de novo, sem imaginar que veria muitas vezes mais. Uma dessas cabeças era a do batera do futuro Hangar: um sonhador que estava sempre com o pé no chão antenado nos caras que estavam fazendo coisas. Só faltava botar os dois pés no pedal duplo e relhar, e foi o que ele fez.

Nesse primeiro show de volta da Panic, tocamos basicamente músicas do Rotten Church, com a formação nova, com uma guitarra só e o Mestre ainda nos vocais. Gravamos, em 1991, uma demo produzida pelo Gordo Miranda (que na época era produtor do Sepultura), com cinco músicas que fariam parte do álbum Best Before End, de 1992. Abrimos, em seguida, o show do Sepultura, na tour do álbum Arise, em Porto Alegre; e na do Mass Illusion, do Korzus.

No dia 4 de agosto de 1992, lá estávamos nós dois, Aquiles e eu, mas não juntos, no show do Iron Maiden, pensando no futuro, em como seria se tivéssemos uma banda com músicas com aquele poder de comunicação, e lutando pela sobrevivência no meio da galera enlouquecida com a primeira música do show: The Number... Parecia que os caras de um lado queriam trocar pro outro e fazer um redemoinho, mas isso era impossível, pois não tinha espaço. Meus pés não tocavam o chão, a pressão tinha me levantado! E eu com minha guria na minha frente, com os braços em volta dela tentando fazer uma “gaiola de sobrevivência” pra baixinha não ser esmagada. Foi foda! Meu boné caiu, olhei pro chão e só vi pés sapateando. Mergulhei e o peguei um décimo de segundo antes de um coturno ocupar o lugar onde estava minha mão. Pior aconteceu com o Jonca Machado, esse show machucou o ouvido dele. O cara é grandão e super na paz, guitarrista que curte Allan Holdsworth, um cara evoluído, sabe? Um punk muito louco discutiu com ele e aplicou um Mike Tyson no Jonca, só que com muita fome. Resultado: quando o Jonca chegou em casa muito depois do show ter acabado, usando um “protetor auricular” de concha feito de gaze e esparadrapo de um lado, só rolou aquela pergunta: “o volume no show do Iron é tão alto assim?” Por sorte a orelha não foi arrancada totalmente!

Na mesma época pude assistir ao Black Sabbath com o Dio. Foi um momento muito especial na minha vida. Ali, diante de Tony Iommi, percebi como o trabalho de uma vida inteira conecta as pessoas de uma forma única. Foi mais especial ainda para mim, pois é a banda que mais me emocionou e emociona até hoje, todos os sons, de todos os álbuns com Ozzy, Dio e Gillan.

Best Before End foi todo gravado com recursos próprios no estúdio Eger, com o técnico Bruno Klein e um apoio fundamental do Caco Bolsoni, da Vento Norte. Fizemos um vídeo clip para a música Shoobydahbydoobah Porto Alegre é meu Lar, com o diretor Alex Sernambi. O clip rolou na MTV por algum tempo, e parece que volta e meia, ainda rola... Conseguimos lançar o LP (algumas gravadoras ainda duvidavam do CD em 92, eita...) pela Cogumelo Records, o mesmo selo que lançara nomes com Sepultura, Overdose, The Mist, Sarcófago. Era uma conquista. Fizemos contato com a banda P.U.S., da guitarrista Simone Death, atual Syang, e fizemos uma mini tour juntos, tocando em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A partir daí não saímos mais de São Paulo, pois tínhamos shows todos os finais de semana. Das muitas amizades que fizemos nessa época, uma grande e inesquecível parceria é minha madrinha eterna Mara Marli Guimarães Martins, a Marinha, mãe da Julia e do Pedro, que nos aturou por um ano em seu apartamento... Espero um dia poder retribuir, de alguma forma, todo carinho e amizade, e me desculpar por todas as merdas... Tocamos nesse período com Korzus, Necromancia, Siegrid Ingrid, Krisiun, RDP, DeFalla, e não vou conseguir lembrar de todo mundo, pois muitas bandas já não existem mais. Também pude realizar um grande sonho que foi conhecer o Scott Ian e companhia e assistir ao show do Anthrax. Falei pro Scott sobre o que o S.O.D. tinha feito com minha cabeça, mas acho que ele não entendeu nada...

A volta pra Porto Alegre aconteceu por falta de grana. Muito show só no amor. Era hora de reformular a banda e preparar mais um trabalho. Muitas mudanças ocorreram enquanto o Calcanhotto e eu estávamos preparando material para o terceiro trabalho. Nesse ínterim fizemos dois shows memoráveis: Metallica for All e Peões From Hell, só com Pantera. Nesse último show de covers do Pantera, o Aquiles esteve na passagem de som, mas ainda não tínhamos sido apresentados. Segundo ele, faltou grana para assistir ao show. Cantaram o Alex “thrash atack” Vorhees da banda Imago Mortis, Tonho Croco, da Ultramen (que cantou Cemetery Gates, na íntegra!), Toscani e Fábio Seelig, da Elektra, que acabou ficando na Panic. Nessa fase da banda, em 1994, as coisas ficaram mais difíceis. Mas depois de assistir ao show do Pantera, no Olympia, minhas forças estavam renovadas. Minha matrícula na faculdade estava trancada devido às viagens, e a Panic não ajudava no orçamento, mas eu tinha muitos alunos, o que compensava muito. O terceiro trabalho, o primeiro em CD, começou então a ser produzido no estúdio Eger em 1995. Custou caro e levou tempo. O momento musical era outro no metal. A ingenuidade dos anos 80 não ia garantir nenhuma banda nos anos 2000... Mas tentamos de novo com a raça e a coragem de sempre. No entanto, os caminhos musicais de Boiling Point não me convenciam. Para manter o espírito de banda, deixei desviar do que eu realmente acreditava: ir em direção ao Extremo. Essa tinha sido sempre a marca da banda... Entretanto, o lado mais experimental prevaleceu. Retornamos à São Paulo em 1996, esperando que Boiling Point fosse lançado em seguida, mas não aconteceu. Tocamos na semana santa com o Korzus, no Aeroanta e foi muito bom dividir o palco de novo.

Nessa nova temporada em São Paulo as coisas ficaram muito, mas muito mais difíceis. Pagávamos aluguel, não tinha alunos, carro batido, sem geladeira... A crise afetou os ânimos de todos. De repente a salvação: Fabinho, o vocalista, estava trabalhando em uma casa de eventos muito burguesa e ganhando bem! Claro que durou pouco e levou junto à esperança de todos. O sonho acabou naquele ano, devagar e dolorosamente para mim...

Comecei a me preparar para o vestibular de música novamente, pois não havia como fazer meu reingresso de outra forma. Decidi também mudar de curso e ingressar no bacharelado em cordas ou sopros. Esse era o nome do curso. Entenda-se violão. Então comecei uma rotina diária de estudos para a prova de instrumento e do conteúdo referente ao segundo grau. Pude fazer uma master class com o genial maestro e compositor Abel Carlevaro, que me ajudou na preparação do meu teste. Nesta master class, Carlevaro executou, a primeira vista, uma pequena peça instrumental minha, que gravei como lembrança do meu encontro com o grande mestre e organizador do estudo do violão, o pai de toda uma geração de violonistas modernos e parceiro do gigante Heitor Villa-Lobos. E como disse meu mentor no curso de composição, Celso Loureiro Chaves: “vais ter que fazer a prova de novo... e vais passar”, e passei. Lá estava eu, careca feito um monge depois de quinze anos peludo. Não foi trote, eu mesmo cortei! Foi bom pra arejar a cabeça... Esperavam-me oito semestres de cadeira com ênfase em cordas com direito a dois recitais, um no meio e outro no final do curso, além de oito provas semestrais e uma banca de concerto a ser convocada quando fosse a hora certa, ou seja, quando conseguisse ensaiar e tocar razoavelmente um concerto para violão e orquestra, ou um duo de violão e piano, no caso. Também tive que pagar os ensaios e o cachê do pianista. Executamos as Tres Danzas Concertantes, de Leo Brouwer, e parece que funcionou. Na faculdade, tive mestres como Márcio de Souza, Rogério Constante, Daniel Wolff, Flávia Domingues Alves, Paulo Inda, Marcos Bonilla e Thiago Colombo. E era música pra todo lado.

A Panic ainda teve uma formação tardia com Sandro Schneider no baixo (banda Trator) e o grande Zé Madeira nos vocais. Esta formação também encarnava as bandas Patrão (composições próprias em português com sax e violino) e Tranco (metal em português). Com o Tranco, participamos do festival Skol Rock 98, em Curitiba, com a música Tem Que Ter Culhão. Com o Patrão, nos classificamos em segundo lugar no Festival de Música de Porto Alegre, com a música Nego Bala. A formação do Patrão funcionava também como banda de bar. Era a luta pela sobrevivência musical. Mas quem realmente lutou e ainda luta é o Zé e sua família, após um sério traumatismo craniano que infelizmente afastou do palco esse grande cantor, baixista, amigo e companheiro de estrada e de sonhos. A vida é injusta, temos que nos agarrar a cada momento... O próximo, aonde nos levará?

Esse duro golpe e uma grande decepção com o último batera, um garoto talentoso, porém desonesto, serviram de sinal para mim. Era hora de investir em projetos individuais. É importante terminar as coisas que começamos na vida pra poder seguir adiante, e o curso de violão na UFRGS tornou-se minha prioridade. Vendi o carro (um Monza 85) no quarto semestre para poder adquirir um BOM violão, um Roberto Gomes 1999, o violão número 149 feito por esse grande luthier e amigo.

Logo após meu recital de meio de curso, recebo um telefonema do veterano baixista Nando Mello me sondando a respeito de uma indicação: um aluno meu que pudesse ocupar a vaga de guitarrista numa banda nova chamada Hangar. Como já tinha ouvido algumas músicas na rádio, respondi na hora que nenhum aluno meu, naquele momento, teria aquela técnica, e não sabia nem se eu conseguiria... Mas queria tentar! Metal again! E numa banda com um tipo de vocal que eu ainda não tinha trabalhado. Conversamos os quatro na casa do então executivo Aquiles Priester. Naquele primeiro papo, lembro ter me comprometido já de cara em trabalhar muito, mas não tinha como investir mais do que a passagem de ônibus pro Parque dos Maias para poder ensaiar. Marcamos o primeiro ensaio, no qual me propus a trazer três músicas do repertório prontas para tocar procurando ser bem realista e não me meter a besta. Parece que enganei os caras o suficiente, pois deixei as músicas mais difíceis para depois e ganhei tempo para prepará-las melhor. Fui convencendo os “Hangarianos” que eu era o cara certo: tinha composições para colaborar, vontade de trabalhar muito e nenhum dinheiro... E o mais importante, era louco como eles e achava normal ficar o fim de semana inteiro num “quarto/estúdio” ensaiando. A minha entrada na banda foi então definida e, e a partir daquele momento, eu ajudaria a selecionar um provável segundo guitarrista entre os outros caras. Beleza. Mas no fundo achava pouco provável que o raio caísse duas vezes no mesmo lugar. Botar mais uma guitarra numa banda com esse nível de comprometimento não é fácil. Tem que ser um músico com muita vontade de acrescentar, colaborar e ceder, e essas qualidades pareciam andar na direção oposta da atitude dos virtuoses de então. Possa falar minha opinião de músico, não? E não deu outra. Nenhum outro tinha o perfil do Hangar, ou seja, nenhum era estranho.

A banda já tinha comprometimento total com a performance da sua música, os arranjos eram muito bem definidos e a seriedade com que tudo era feito forçava-me a acreditar cada vez mais que no Hangar, pelo menos uma coisa era certa: o profissionalismo estava acima de quase tudo e havia amizade. Mas se eu não tivesse passado no teste teria que me contentar só com amizade dos caras. No fundo eu sabia que eles tinham muito a oferecer, e que a banda teria o tempo necessário (dez anos é o número mágico) para realizar um trabalho do nível do The Reason of Your Conviction.

Foi em novembro de 1999 que me tornei, de fato, um membro da banda Hangar. Era a hora e a vez do cabelo crescer, de novo... E aquilo era apenas o começo. Começamos então a preparar o material para o segundo CD, Inside Your Soul. Eu tinha bastante material pronto para um quarto trabalho da Panic que não aconteceu. Esse material foi aproveitado totalmente e rearranjado por nós todos. Esse espírito de trabalhar a composição sem regras, mas com uma direção musical clara (peso!) me fazia muito bem. Pude sentir orgulho de estar ali, pois já tinha estrada suficiente para reconhecer o talento daqueles músicos. E também percebi que minha formação acadêmica, principalmente na composição, podia ser útil, pois o vocal era melódico e precisávamos trabalhar soluções harmônicas, contrapontísticas e de forma. Perfeito! Estava realizando um grande o sonho, o de seguir o exemplo do mestre Randy Rhoads: ser guitarrista e violonista.

A volta aos palcos do Hangar comigo na guitarra foi no dia 18 de maio de 2000, abrindo o show do Paul Di’Anno em Porto Alegre, no bar Opinião. Foi um grande show, me senti muito a vontade ao vivo com os caras. Era incrível! Uns dois anos atrás tinha assistido ao show do Paul numa casa bem menor e conversara bastante com o então baterista, um cara que parecia muito o Romário. Agora o batera da minha banda estava tocando Remember Tomorrow com o cara que gravou a música. Era aniversário do Paul (e de minha mãe, que estava lá) e após o show ali estava a lenda, o Ironman que começou tudo, me pedindo fogo pra acender um “after show cigarrette”.

No final de 2000, já estávamos gravando Inside Your Soul no Creative Sound Studio, em São Paulo. Eis um resumo da minha insana rotina de gravação: ao meio-dia saia da casa do Aquiles, pegava um ônibus e encarava umas duas horas de trânsito. Quatro da tarde já estava gravando e ia até as três da manhã. Quando não havia carona esperava até ter ônibus e chegava ao apartamento umas seis, tomava café e estudava para a prova de violão com um pedaço de pano nas cordas para não acordar ninguém. Dormia às oito, e onze horas já estava dormindo em pé no chuveiro para começar tudo de novo... Era muito intenso, a criatividade e técnica estavam me empurrando, o resultado era incrível, e o cansaço sumia quando ligava a guitarra e começava a botar o que eu queria na fita.

Claro que rodei nesse semestre. Não ia nem fazer a prova, mas como tinham reunido uma banca especial para mim fora de época, eu fui... Pra rodar mesmo. Assim que tudo terminou aconteceu uma coisa muito estranha e horrível, que demorei um pouco para entender: um dia, no centro da cidade, pouco depois do teste, eu simplesmente travei e não consegui dar mais nenhum passo. Exatamente assim, sem dor, sem explicação. Só parecia que tinha uma âncora em cada perna. Minhas forças físicas e mentais tinham se esgotado. Fiz dezenas de exames: Hepatite, AIDS, Toxoplasmose, pois os sintomas eram sérios. Cabe acrescentar que estava me divorciando e, ao mesmo tempo, noivo e morando junto (que coisa mais babaca não? Noivo... Coisa de gente indecisa, hehe) com uma psicóloga (é uma loucura! Cuidado!!!). Para completar, a minha receita mensal vinha de um aluno e meio, hehe. A doença que tive chama-se Stress. Do mais alto grau. O organismo desligou o sistema para eu não me matar. Salvei-me de mim mesmo, de trabalhar e me cobrar até a morte.

Mas o Inside Your Soul e a participação no projeto Hamlet estavam gravados. Fiz todas as guitarras, bases e solos, direto na fita analógica, aquela grossa de vinte e quatro canais, se não me engano. Eu tinha um certo “medo” do Pro Tools, hehe. E também queria apostar na old school, saturação da fita, aquela coisa verdadeira. Até hoje gosto muito do som de guitarra no IYS, e um fator muito importante foi o equipamento do Chico Dehira, grande músico e amigo que produziu a guitarra para nós. Fizemos um show no Black Jack durante a gravação do Inside Your Soul. O Black fez parte da minha história com a Panic. Naquela noite, tivemos a ilustre presença do Stone, do Monster, e do Kiko e Rafael, que estavam bem interessados em bumbos rápidos, pois o Angra estava se reformulando naquele exato momento. Recebi a notícia junto com o Mello e o Mike. Lembro de ter dito algo do tipo para o Aquiles, que isso só confirmava o que eu pensava a respeito dele como instrumentista, que isso seria muito positivo para nós, pois traria curiosidade pelo nosso som. E já que fazíamos um ou dois shows por ano, talvez pudéssemos dobrar nossa agenda nas férias do Angra! Hehe. A posição do Aquiles foi bem clara: se quiséssemos continuar o Hangar com outro batera tudo bem, mas ele podia e queria tocar sempre nas duas bandas. Já que uma cruza de Mike Portnoy com Dave Lombardo não estava disponível no momento, minha posição foi (e será) essa: se um não pode, ninguém toca. Dedo quebrado, voz fudida, show cancelado. Uma banda não é time de futebol, não tem reservas no banco. Quem sai dificilmente volta, e no palco todos são iguais e insubstituíveis, até o momento que, por vontade própria, desistam. Não era o caso, e durante todo o tempo que tocou no Angra, a dedicação do Aquiles no Hangar só aumentou, e o número de pessoas que ouviu nosso som também.

Com o Inside Your Soul lançado, pude ser incluído na votação dos melhores do ano da Revista Roadie Crew (em nona posição) e fiz minha primeira entrevista na Guitar Player em 2002. Fizemos muitos shows e uma tour inesquecível pelo nordeste em 2003.

Em 2004 toquei meu recital de graduação, no auditório do Instituto de Artes da UFRGS, três dias após voltar dos ensaios e de um show em Caruaru. A pressão não podia faltar. Com o diploma na mão, comecei a lecionar guitarra e violão na melhor escola de música de Porto Alegre, a Estação Musical.

Uma oportunidade que criei na minha vida musical foi “me convidar” para tocar e fazer muitos shows como integrante da lendária banda Leviaethan, do colega dinossauro Flávio Soares, ao lado dos grandes músicos e amigos Denis Black Stone e Ratão, que me receberam muito bem. Gravamos juntos, para um tributo ao Anthrax (que não foi lançado), a música One World. Um show do Leviaethan que precisa ser lembrado foi o do dia internacional do rock, no parque Farroupilha (com Os Replicantes), tipo momento woodstock.

Em 2005 o Hangar teve uma grande aventura: gravar a demo do futuro The Reason of Your Conviction antes do Angra sair em tour. E gravar em sistema analógico, sem Pro Tools, quero dizer. Normal para mim, ainda não sabia o que era isso... Foram muitos ensaios de doze horas e muita pressão, pois as músicas não “existiam”! Tínhamos que fazer uma demo que parecesse um álbum pra convencer no exterior. E um prazo apertado como o orçamento. Grande Fábio Veroneze e VR estúdio! Ficamos gravando guitarra sem parar por dez horas ininterruptas! A gente tomava Coca e comia Negresco na sala da técnica, e não levantamos o rabo até terminar as cinco músicas, duas horas em cada uma, só as bases. Veja no DVD Last Time o processo de enlouquecimento gradual da bugrada. Mas a demo não convenceu e o Mike achou por bem não participar mais da banda.

O Hangar possibilitou-me uma série de endorses que divulgo através de workshops por todo o país. Em 2006, o lançamento do álbum Freakeys me trouxe outra grande alegria, a de fazer muitos shows com esse repertório intrincado ao lado de meus comparsas de Hangar, e ao lado do gênio virtuoso do contra baixo, Felipe Andreoli. Minha participação no projeto aconteceu da seguinte forma: Fábio Laguna me convidou para gravar as guitarras nas suas composições e aceitei na hora. Aí ouvi o som e disse: “mas o que é guitarra aqui no meio disso tudo tchê?!” Preparei-me por dois anos tirando tudo de ouvido e procurando soluções técnicas e musicais para aquelas “guitarras de compositor”. As guitarras soam perfeitas na música seqüenciada pelo autor, mas muitas vezes são impossíveis de tocar numa guitarra de verdade! Foi preciso muita pesquisa; o Freakeys foi meu mestrado em música. Gravamos em Mococa, SP, no estúdio/casa do Joca Street, durante o natal de 2005. Músico não tem feriado...

A propósito da busca do novo Hangar frontman... Maio de 2006. Mais de um ano sem vocal nem shows, apenas fazendo testes. Muitos caras excelentes foram ouvidos, muitos caras convincentes e com qualidades... Mas mais uma vez... Nenhum era estranho. Estávamos reunidos novamente para entrar em estúdio, ensaiando e compondo as 3 músicas que faltavam. Eu, Fábio, Aquiles e Mello, pela primeira vez sem o Mike. Isso ERA estranho. Mas as músicas foram acontecendo. A AMI, por meio do Aquiles, me forneceu três Guitarras Dean incríveis, e quando pego nelas para tocar é como se baixasse o demo do riff. Afinei a V preta meio tom abaixo, a Z um tom e meio, e a ML-X (Diamond Darrel!) ficou de curinga, usei nos primeiros shows do Freakeys afinada um tom abaixo. Olhava, tocava e mexia nelas o tempo todo, pois tinha que me acostumar e regular as máquinas. Além das músicas do The Reason of Your Conviction, todas bastante difíceis, tínhamos a estréia do Freakeys ao vivo em breve. Esse espírito de ir para frente me fazia acreditar que o novo vocalista teria que ser alguém muito especial, alguém que, acima de tudo, quisesse muito fazer parte dessa história. Era o momento de decidir por alguém entre todas as audições feitas até o momento. A gravação começaria em um mês e não tínhamos cantor. De onde viria alguém tão especial que pudesse recriar ao vivo tudo que já fora feito e dar vida a um repertório completamente novo, com músicas muito diferentes entre si e de tudo que já tínhamos feito? E foi aí que perguntei se faltava testar alguém... Alguém que fosse tecnicamente perfeito e criado no estilo heavy, só pra começar. Faltava alguém? Só para ter certeza de ter ouvido todas as grandes vozes heavy que estavam disponíveis, antes de decidir... Não precisava nem ser um cara legal, festeiro e dedicado ao extremo. Mas, meus amigos, a realidade é essa. Só alguém assim poderia estar no meio dessa loucura e fazê-la ter sentido. O cara que não havia sido testado no Brasil inteiro era alguém assim, e nós na verdade não achávamos que a Lenda Nando Fernandes fosse querer se meter no Hangar. Mas foi esse o cara que disse mais forte, mais afinado e mais agressivamente que ia fazer essa banda decolar junto com a gente. E fez. A lenda foi comprovada e The Reason of Your Conviction teve, então, sua chance de entrar para a história do Heavy Metal mundial. Acompanhei boa parte da gravação dos vocais e senti uma identificação muito grande com o jeito de o Nando lidar com a música. Não é fácil pegar melodias que chegam prontas e dar uma interpretação convincente, autêntica, natural. Nada do que seria gravado podia ser do tipo apenas “cantar as notas certo” com a letra embaixo, precisava ter o algo mais... E o cara buscava sempre, em cada frase, a melhor interpretação. Ele e o Aquiles o tempo todo gravando juntos e decidindo, testando, arriscando, fazendo tudo de novo... E é claro, fazendo muita festa. O Nando imita grandes vocalistas de uma forma tão característica que você não sabe se ri ou chora. Na verdade depende dele, hehe. E foi assim uma música por noite, o Nando terminava e ia para casa estudar a próxima música, na maior pressão. O prazo era de uma sessão diária pra cada música e dois para mixar (o Lápide gravava de dia e o Angra ensaiava de tarde no mesmo Mr. Som mega estúdio!!): tour do Angra pela frente. A demo tinha que ficar pronta antes para ser ouvida por nossos amigos de muito além do mar. E ficou.

Mas antes do Nando entrar no estúdio, nós gravamos nossas partes, é claro. Quando fiz as minhas guitarras, deixei toda a produção por conta do Heros Trench. Foi ele que “definiu” o timbre. Toquei mais ou menos por quatro horas a mesma base em cima da batera até ele ficar satisfeito. Começamos a gravar e matamos uma base da música título. No dia seguinte o preset do pré amplificador sumiu, pois não tinha sido salvo! Fizemos tudo de novo usando a guitarra anterior como referência e ficou melhor! As dobras são um trabalho muito minucioso, e é aí que a música ganha a sua cara. Tudo tem que ser muito preciso. Tive uma ajuda enorme com a produção mais do que artística do Pompeu, do Alemão Schneider (grande swing!), do Grande Cello, que é tão fuck’n old school que me fez gravar a The Reason... no Pro Tools SEM edição!! Vá toma... Obrigado a todos!

Nos solos, eu e o Heros fizemos a festa. Cheguei com todos definidos. Alguns improvisados por anos e tirados de ouvido das minhas pré-produções em quatro canais, outros recém elaborados. O pequeno solo da The Reason... foi composto enquanto corria o tempo da música, tentando encaixar algo thrash e ao mesmo tempo prog naquele riff. Às vezes penso mais no que o solo deve fazer pela música do que apenas numa guitarra tocando notas. Não estava previsto um solo naquela parte da música, mas ela estava pedindo aquele tipo de frase que só uma guitarra pode fazer. Como temos apenas uma guitarra na banda, sempre tenho muito cuidado para que o solo não faça a música perder peso ou textura; o solo só vale a pena se for parte da música, algo totalmente indispensável. Mas é muito divertido e emocionante, é como a gravação do “vocal” do guitarrista. E nesse disco fiz, sem a menor dúvida, o meu “tratado” de guitarra solo, pois todos foram criados para funcionar no contexto exato de cada música, embora sejam claramente solos do mesmo guitarrista. Se consegui, eu não sei. Mas esse é o trabalho em que fui mais criterioso e, ao mesmo tempo, mais livre. Só posso dizer que fiquei, pela primeira vez, totalmente satisfeito com todas as guitarras.

A agenda do Hangar me permitiu desenvolver várias atividades. Fui baixista da Lápide até a saída do guitarrista Iagus, meu ex-aluno. Então tornei-me guitarrista “solo” da Lápide. A energia é muito semelhante à da Panic, mas com uma interação com o público ainda maior. Em janeiro de 2007, enquanto os vocais do Hangar estavam sendo finalizados à noite no estúdio Mr. Som, eu registrava de dia as guitarras e baixos do CD Over The Grave. A família tambor Priester está presente em minha vida em todos os momentos, pois na Lápide as baquetas estão a cargo de Hércules Priester. Os meus solos, no Over The Grave, estão entre os mais originais que já fiz. Busquei algo que fundisse o experimentalismo dos solos do Iagus com Kerry King e Dimebag. É algo que está presente também no Hangar, mas fui mais radical no thrash puro da Lápide.

Na Expomusic de 2006, ocorreu mais uma primeira vez para mim: após anos apenas visitando a feira, havia chegado a hora de trabalhar nela; foram cinco shows em três dias nos stands lotados da Dean, Ciclotron e no Music Hall. Os pocket shows foram divididos entre Freakeys, Hangar e uma apresentação individual, com playback, para a Wavebox efeitos.

Agora começa um novo capítulo dessa biografia, e você já faz parte dela. De alguma forma a sua presença diante destas palavras neste mundo virtual é um sinal de que algo real está acontecendo lá fora. Espero poder encontrar de novo cada um de vocês que fazem parte dessa história; na platéia, nos palcos ou na estrada. Eu pago uma cerva e daremos boas risadas... Pois nossas vidas nunca mais serão as mesmas.

E isso é apenas o começo...


Acesse também o myspace oficial do Eduardo Martinez: