Release HANGAR - INFALLIBLE
"Infallible" quer dizer "infalível". Esse é o nome do novo disco da banda Hangar. E a despeito de seu significado no contexto do álbum, poucas expressões poderiam se aplicar tão bem ao grupo como essa. Afinal, o perfeccionismo e o empenho que os músicos vêm mostrando ao longo desses doze anos de trajetória é notável a cada disco, e sempre tendo à frente o renomado baterista Aquiles Priester.
Para produzir este seu quarto disco de inéditas, a banda se recolheu em um sítio no município paulista de Tatuí (onde está instalada uma das principais escolas de música do país e por isso mesmo é considerada a capital da música do Brasil) onde inicialmente Aquiles, Eduardo, Fábio, Mello e o novo vocalista, Humberto Sobrinho, se dedicaram à composição das dez músicas que compõem o disco. Em seguida, lá mesmo foram feitas a pré-produção e a gravação de guitarras, baixos, teclados e vocais através da unidade móvel do estúdio Daufembach, comandada pelo engenheiro de som Adair Daufembach. Já as baterias foram registradas no The Magic Place, em Florianópolis, estúdio que conta com sala projetada especialmente para proporcionar uma ambiência perfeita para o instrumento. Na sequência, Aquiles, que assina a produção, viajou junto com Adair para Celle, na Alemanha para mixar e masterizar com o produtor Tommy Newton o disco no estúdio Area 51, finalizando, assim, um trabalho de excepcional qualidade sonora, claro e límpido quando necessário, mas sem perder a "sujeira" característica dos bons discos de heavy metal.
Infallible, segundo a própria banda, representa o sentimento que eles querem passar para o seu público com o novo disco. "É o nosso trabalho mais extremo, tanto no aspecto técnico, virtuoso e rápido, como também no lado mais melódico e acessível", diz Aquiles. Já as letras, apesar de não se tratar de um trabalho conceitual, têm um tema em comum: "Elas falam sobre a força que move o ser humano, que acredita que deve buscar e fazer tudo honestamente pelos seus objetivos. É um disco otimista do ponto de vista de lutar e buscar resultados", garante o baterista.
"The Infallible Emperor - (1956)" abre o disco mostrando uma bela melodia vocal interpretada em alta velocidade e comandada pelos dois bumbos de Aquiles e pelos riffs de Martinez. "Colorblind" é um tema mais elaborado, com várias mudanças de andamento e belos backing vocals. Humberto tem oportunidade de confirmar toda sua competência em "Solitary Mind", que é uma composição mid tempo inspirada. A dramaticidade dá o tom de "Time to Forget", uma balada que tem a participação de Theo Vieira, e que abre caminho para o power thrash metal "A Miracle In My Life", na qual Humberto coloca alguns drives com precisão e a banda apresenta a composição mais veloz e brutal de toda sua carreira. Mais direta em sua linha harmônica, "The Garden" mostra um arranjo bastante elaborado e traz ainda um breve mas inspirado solo de Fábio Laguna, além de uma estrutura bem diferente das demais músicas.
Não por acaso, a faixa seguinte, "Dreaming Of Black Waves", foi escolhida para primeiro videoclipe do disco. Sua melodia acessível contrasta com o belíssimo arranjo, especialmente nos vocais e backing vocals, que contam com a participação de Stefanie Schirmbeck, da banda Holiness. Outra balada com roupagem moderna é "Based on a True Story", que mostra uma banda atualizadísima, enquanto "Handwritten" é um power metal cadenciado bastante competente e traz novamente um Humberto diferente do restante do álbum. "Some Light to Find My Way", por sua vez, mostra uma forte influência de hard rock nos primeiros acordes, transformando-se, como num passe de mágica, num power metal eficiente com refrãos que grudam na memória do ouvinte.
Fechando o disco, o Hangar registrou dois covers. O primeiro é "39’", clássico do Queen que a banda conseguiu recriar com raríssima competência – especialmente Humberto, que é aprovado com louvor na tortuosa missão de reproduzir um tema da banda. A escolha da banda por esse tema, segundo Aquiles, se deu por alguns motivos: "Primeiro, queríamos uma música que não fosse um hit absoluto. Além disso, nossa intenção também era agregar um pouco da nossa pegada acústica e mostrar que também sabemos ser simples quando é necessário."
A seguinte talvez seja a que mais estranhamento cause nos fãs do Hangar. "Mais uma Vez", que sai apenas no Brasil, é um tema de 1987, escrito por Flávio Venturini e Renato Russo, e que faz parte do disco Sete, do grupo 14 Bis. Além disso, a música conta com a participação especial do grupo Roupa Nova nos vocais. De acordo com Aquiles, "desde a primeira vez que ouvi essa música, ainda na década de 80, me senti inspirado pela letra. Durante todos esses anos, essa música teve um significado muito forte dentro do nosso trabalho e já a tínhamos tocado quando nos apresentávamos em formato acústico, na turnê do último disco". Segundo a banda, o Roupa Nova tem uma tradição no que se refere a participações em discos de outros artistas: a banda só aceita um convite desse tipo se todos seus seis integrantes forem a favor, já que eles não fazem participações individuais. No fim, os músicos do Roupa Nova não apenas aprovaram a versão de "Mais uma Vez" como até criaram uma interpretação bem própria para a música – naturalmente sem fugir das características do sexteto. No fim das contas, o contraste entre uma música insinuante, o instrumental pesado do Hangar e as vozes suaves do Roupa Nova criaram algo totalmente inovador e cativante. Para completar, Aquiles afirma que essa versão de "Mais uma Vez" é um divisor de águas para a banda: "Sempre fomos grandes admiradores do trabalho do Roupa Nova e ter esses caras no nosso disco é um dos momentos mais importantes da nossa história. Além disso, podemos mostrar aos nossos fãs e apreciadores da música em geral que somos exatamente como todo mundo e que também precisamos de uma carga extra de motivação diariamente..."
Fecha o disco a regravação de "Like a Wind in the Sky", que está no disco "Last Time" (de 1999) e vai exclusivamente para o mercado japonês. A música tem ótima melodia, backings certeiros e uma bela performance instrumental.
Tudo isso vem embalado numa capa, no mínimo, inovadora. A criação dos designers Vanessa Döi e Luciano Sorrentino traz uma imagem que não consegue transmitir apenas movimento, mas toda a força, o peso e a velocidade encontradas em Infallible.
Certeiro, direto, variado, competente... Certamente as resenhas que virão em breve sobre este novo disco do Hangar vão trazer esses e vários outros adjetivos. Se alguém preferir usar "infalível" vai acertar, também.
Antonio Carlos Monteiro
Jornalista e crítico musical
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Letras em breve...
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