Infallible Tour 2010/2011 I 06.07.2010
postado por Fabio Laguna

Saudações Nação Hangariana!

Sejam bem-vindos a mais um capítulo da nossa Infallible Tour 2010/2011. Dessa vez, dividirei com vocês o que rolou com o Hangar no mês de maio.

As atividades em grupo começaram no dia 19 de maio. Nosso primeiro show dessa etapa seria em Mococa, cidade em que resido. Então fui de carro para o nosso QG em Tatuí já que, após os dois dias de ensaio, iríamos direto para Mococa, no dia 20 à noite. A gente até que tinha levado “pouca” coisa para o ensaio, mas as previsões foram corretas: seria impossível colocar cinco pessoas no meu carro, mais as malas pessoais de uma turnê de 10 dias e ainda os equipamentos que usamos no ensaio e teríamos que colocar de volta no ônibus...

Ou seja, no dia 20, à noite, despachei o Martinez e mais sete volumes na rodoviária de Tatuí, e voltei para o sítio para carregar o carro e encaixar os passageiros. Isso mesmo: foi tudo muito bem encaixado em todos os possíveis espaços vazios do carro. No retrovisor eu só conseguia ver algumas malas, pois as cabeças do Mello e do Humberto estavam completamente alocadas entre a carga, rsrs...

E nem eu, o motorista, que geralmente tem certo privilégio de espaço numa situação como essa, tive tal sorte... Cheguei todo o banco pra frente, havia bagagem até no meu pé, entre os pedais, e a troca de marcha era só no pulso, pois era impossível utilizar o braço pra essa função... Se fôssemos parados pela polícia rodoviária nessa noite, certamente o susto do oficial e a multa seriam grandes... Por outro lado, a segurança era total, pois em caso de acidente, os air-bag(agens) já estavam acionados... Ahhh, e com todo excesso de peso, o carro quase ferveu, mas não foi nada demais. Conseguimos chegar a Mococa por volta da meia noite. Deixei o Mello, o Aquiles e o Humberto na casa dos meus pais, para tomarem um banho e se instalarem e voltei para a beira da rodovia, pois o Martinez havia perdido a conexão em Campinas e conseguiu pegar um ônibus que passava somente no trevo de entrada da cidade. Voltei pra casa dos meus pais pra deixar o Martinez e seus sete volumes de bagagem. A equipe já havia chegado algumas horas antes e estavam nos esperando para um jantar na chácara do Chimba, um grande amigo e cozinheiro de primeira! Ele é pai da Vanessa, e sogro do Beto, donos da Cachaçaria, casa onde tocaríamos no dia seguinte. Depois da bela macarronada e umas cervejas, todo mundo foi dormir.

O dia 21 seria de muito trabalho para mim. Acordei às 6 da manhã pra fazer as funções rotineiras de pai e dono-de-casa e às 9 da manhã assumi o papel de produtor do show. Tudo correu bem. Foi muito bom tocar na minha terra, pois seria a melhor forma de mostrar aos meus conterrâneos o que eu ando fazendo por aí, já que sempre perguntam... Por isso, o público conterrâneo era composto basicamente de amigos, os habitues da casa de show e alguns curiosos. Pelo menos metade da platéia era das redondezas da cidade. Não adianta, é aquela estória: “santo de casa não faz milagre”. E por outro lado, como o Rush sentenciou tempos atrás, “o mundo todo é um palco”, e é isso o que importa para mim.

Fica aqui os nossos agradecimentos a todo staff da Cachaçaria. Na madrugada do dia 22, logo após o ônibus estar carregado, partimos em direção a Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, onde tocaríamos na Virada Cultural Paulista, ao lado do Plebe Rude e do Sepultura. Nessa viagem tivemos a companhia do ganhador da promoção “Dê um nome para o ônibus do Hangar”. Como ele, nós também tivemos sorte na escolha do felizardo. O Paulo também é músico, um grande admirador do heavy metal, uma pessoa muito tranqüila, e entendeu bem o espírito do Hangar.

Tanto que até ajudou o Lucas a desmontar o kit de bateria depois do nosso show. Além disso, ele é policial civil, ou seja, estávamos protegidos durante toda a viagem. Em um determinado momento, dentro o Infallibus, eu notei o volume na barra da calça dele e perguntei: “me deixa ver?”; rapidamente, como quem entende do assunto, ele já sacou a arma, tirou o pente das balas e me passou o revolver... Nessa hora teve gente dentro do ônibus que pulou da cadeira... “guarda essa merda!” kkkkkk...

Voltando ao trabalho, o show em Caraguá foi fantástico! Nós havíamos tocado no mesmo evento no ano passado numa situação completamente diferente: era o primeiro show do Humberto com o Hangar, então havia certa tensão no ar e, além disso, o cronograma atrasou muito e nós acabamos tocando depois das 3 da manhã, já muito cansados. Em 2010 a estória foi outra... O Humberto já está mais do que dentro do Hangar e tocamos em um “horário nobre”, às 22hs30. Como qualquer festival, o set list foi mais curto, mas muito intenso. Havia umas 5000 pessoas agitando muito com a banda, e bem do lado do palco, o mar e as luzes de Ilha Bela do outro lado do canal. Só quem é músico sabe como esses “detalhes” são inspiradores. Outra coisa muito bacana é notar que o respeito entre as “tribos” é muito grande hoje em dia. Hangar, Plebe Rude e Sepultura tocando juntos no mesmo palco sem nenhuma confusão na platéia. Depois do nosso show, o Phillip Seabra, vocalista do Plebe Rude, passou pelo nosso camarim onde demos boas risadas e dividimos nossas admirações mútuas e causos de estrada.

Fim do trabalho. Lanchinho no trailer. Todo mundo dispensado. O Martinez, o Bruno (técnico de guitarra) e eu aproveitamos o clima praiano pra caminhar até o hotel e se divertir um pouco com os headbangers que estavam perdidos pela orla de Caraguá. Afinal, nossa próxima atividade seria depois de cinco dias, e tínhamos o direito de relaxar um pouco.

No dia 23, ao meio-dia, saímos de Caraguá, em direção a São Paulo. Como teríamos uma longa viagem até Urussanga, em Santa Catarina, decidimos pernoitar na cidade de pedra mesmo. No dia 24, as 7 da matina, partimos para o sul. Decidimos passar por São Bento Baixo, distrito de Criciúma, onde ficaríamos novamente no sítio do nosso grande amigo Thiago “Hommer” Daminelli. À propósito, deixo aqui novamente em nome de todo Hangar, nossos eternos agradecimentos por conhecermos e termos o apoio de uma pessoa tão querida como o Thiago. Dessa vez a estada foi mais curta, então o pessoal ficou “descansando” mesmo. A galera só trabalhou na manutenção rotineira de alguns equipamentos, do busão, etc... Eu armei meu “estúdio portátil” em um canto da casa pra estudar um pouco e terminar uns trabalhos que estavam atrasados. Em uma das minhas idas até a pequena São Bento Baixo pra fazer compras para o sítio, combinei uma partida de futebol com o Hermes, que também se tornou nosso amigo e o Infallibus fica estacionado na frente da sua casa quando estamos por lá. A pelada foi na noite do dia 26, quarta-feira, e foi regada a muita gritaria e palavrões. Teve um pobre cidadão de São Bento Baixo que não agüentou a pressão e abandonou o jogo dizendo algo como: “não tem condições”, rsrsrs...

Na quinta-feira, depois do almoço fomos para Criciúma, onde rolaria uma sessão de autógrafos e depois disso partimos para o Ventuno Pub, em Urussanga, onde faríamos o show no dia seguinte. Chegando lá, fomos recepcionados com um delicioso churrasco, mas o grande acontecimento do dia foi outro... Para entrar no pub há uma subida muito íngreme e estávamos muito preocupados se o ônibus iria subir ou não.

Foi tenso, até porque já sabíamos que havia algo de errado com o motor e não queríamos forçar demais o Infallibus e prejudicar o resto da turnê. Enfim, depois de muita gritaria e confusão embaixo de chuva, conseguimos subir o ônibus até o local onde os equipamentos seriam descarregados no dia seguinte. Um detalhe mórbido: fazia três semanas que chovia sem parar na região serrana de Urussanga. Ou seja, o ambiente era úmido e mofado e a presença do público no show era incerta, já que, além disso tudo, o Ventuno Pub fica na área rural... Massss, dessa vez Murphy se deu muito mal: no dia seguinte, mesmo com pancadas de chuva durante dia e noite, a casa estava cheia e o show foi muito energético. Eu particularmente prefiro tocar em locais menores, porque a interação público-banda é muito mais intensa: não tem como fingir, ficamos cara a cara com o ouvinte. Gostaríamos de agradecer a toda família Ventuno, especialmente ao Everaldo e à Elisangela que tornaram nossa passagem em Urussanga a mais prazerosa possível.

No dia seguinte, em nossa última etapa dessa nova passagem pelo sul do Brasil, seguimos para Tubarão às 9hs30 da manhã. Chegando lá, fomos direto para uma loja de instrumentos, onde teríamos uma sessão de autógrafos. Depois do almoço, seguimos para a casa de shows, também chamada Hangar. A sala era maravilhosa e teríamos condições de montar todo o nosso equipamento. Tudo transcorreu muito bem nesse dia até na hora do show... Havia uma banda cover local que iria fazer a abertura. Como se tratavam de pessoas que nós já conhecíamos e respeitávamos, achamos que estava tudo bem em deixarmos que eles fizessem o trabalho deles e pensamos que respeitariam o nosso... Daí o nosso amigo Murphy compareceu para fechar essa turnê com chave de ouro. Resumindo: a banda de abertura teve das 21hs até as 00hs para passar som, tomar
banho, namorar, passar maquiagem e o que mais julgassem necessário...

Como se já não fosse muito tempo (na estrada, 3 horas é uma eternidade, é quase o triplo do tempo que levei pra escrever esse diário, aqui, direto do Infallibus, em Florianópolis), resolveram chegar atrasados e não cortarem nada do set list! Olha só, não tenho nada contra bandas cover, até porque também trabalho com algumas, mas querer prejudicar o Hangar, uma banda que viajou quase 800 quilômetros para estar ali, que disponibilizou grande parte do seu sistema de som e em momento algum atrasou ou atrapalhou outra banda é o fim da picada! Se fosse em outra cidade, onde os caras precisassem vender o seu peixe a qualquer custo, eu até entenderia. Mas essa banda cover estava tocando “em casa”, para os amigos, pra levar tapinhas nas costas e escutarem: “nossa, você copiou aquela música direitinho”. É aquele velho ditado: é a estrada que separa os homens dos meninos.

Enfim, o show de Tubarão foi “morno” porque começamos a tocar era quase 2 e meia da matina; não há público ou banda que agüente tal maratona sem perder o tesão. De qualquer forma deixo aqui nosso agradecimento pela boa vontade do Marcão Wonka e o Eder, responsáveis pela produção local. E também por ajudarem na carga, já que acharam que os carregadores eram dispensáveis e também foram abandonados pelos seus amigos da banda de abertura.

Logo após o show, o Mello, o Martinez e o Bruno seguiram para Porto Alegre e o resto da trupe foi para o hotel para cochilar um pouco. Partimos às 9hs30 para São Paulo onde ficaram o Aquiles, o Humberto, o Pepe e o Lucas. O Fábio “Didi”, motorista do Infallibus, achou que dava pra seguir até Mococa no mesmo dia, então seguimos viagem e às 2 horas da matina, depois de 16 horas de viagem, a turnê pelo sul estava encerrada.

Até o próximo capítulo!!!


Tudo de novo, mas tudo NOVO!!! I 25.05.2010
postado por Hangar

Tudo começa em... Hummm... Mas, de novo esse papo?! É só o começo? Sssssim! Desde a última aparição do Hangar, em dezembro do ano passado, estivemos concentrados na pré-produção da turnê de divulgação do nosso último disco, o Infallible. Resumindo a longa jornada que será relatada abaixo, contaremos tudo o que antecede uma turnê com uma estrutura relativamente monstruosa de 16.200 quilos e tudo o que está diretamente ligado a isso... coisas como burocracias em geral, logística, teste do equipamento, treinamento de equipe, manutenção, limpeza.... E, claro, no final, temos que ser músicos também, estudar, ensaiar por horas para estarmos prontos física e psicologicamente para o nosso momento mais esperado: o show.

Fábio

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Enquanto isso em Gravataí...100 dias de correria....

Bom galera, depois do nosso último show em 2009, no SESC Pompéia, viajamos todos para Gravataí. Nossa tarefa seria ir até a cidade de Estrela, onde estava o ônibus do Hangar, e levá-lo até Porto Alegre para uma sessão de fotos, uma entrevista para o jornal Zero Hora, na RBS, e por fim uma passada na empresa Selenium, onde apresentaríamos a reforma do busão aos executivos da empresa. Consegui um motora vizinho (Carlos) que poderia fazer este trajeto conosco. Como era um dia especial, nos vestimos a caráter em um dia de calor infernal. Na saída, já o primeiro problema: o ar condicionado funcionou somente nos primeiros 30 kms. Os outros 100 foram feitos tipo “saúna”. Lá estava o “Contrário” novamente atacando. Achamos um defeito no sistema de ar chamado “Rodo ar”, que alimenta os pneus, os freios, a suspensão, etc. Tivemos que parar e por pouco não perdemos a passagem para a sessão de fotos na Selenium. Conseguimos chegar exatamente no horário e fomos bem recebidos pelo Fábio Floriani, o Richard Powell, o Rodrigo Kniest e todo o staff da empresa. Todos contentes com o resultado da “transformação” do ônibus, que agora estampa os logos da Maverick, marca de amplificadores do grupo Selenium. Após estes compromissos os colegas de banda foram embora e eu e o meu vizinho motorista fomos até Estrela, entregar novamente o ônibus para os reparos faltantes. Descobrimos que o adesivo da traseira havia sido colado errado, com os logos tortos. Faltava o H na parte superior do “bus”, o ar estava capenga e ainda estávamos com a documentação incompleta.

Chegamos ao Natal e o Aquiles e família foram para Porto Alegre e tivemos como nos reunir em um grande churrasco na minha casa, acompanhados por amigos como o Rafa Dias, do Batera Store. Passado o final de ano, a empresa que estava reformando no ônibus entrou em recesso ate o dia 05, data em que colocamos a noticia e as fotos no nosso site. Na nossa cabeça o ônibus deveria estar pronto até o inicio de fevereiro, já que iriamos fazer um “test drive” do nosso equipamento durante o carnaval na cidade de São José do Rio Pardo, perto de Mococa, em São Paulo. Comecei a correr atrás do que faltava. Novas impressões das artes que estavam erradas, ar condicionado e a documentação, além dos equipamentos que a Selenium iria nos fornecer e que não estavam prontos. No dia 08 de janeiro mais uma vez fui à cidade de Estrela. O pessoal tinha feito uma nova entrada de ar para o exaustor do ar condicionado, o que supostamente iria fazê-lo resfriar mais ainda e manter a temperatura baixa na parte de cima do ônibus. Parecia que iria dar certo (mais tarde viria saber que não daria certo, mas isso vem depois...). Levei o ônibus até outra empresa em Estrela para cuidar das partes de freios, direção, rodo ar e lâmpadas que não estavam funcionando. Enquanto faziam a manutenção que duraria uma semana, marquei a primeira vistoria no DETRAN e no Inmetro, para fazer a transferência da papelada normalmente. Na outra semana, dia 15, fui novamente a Estrela e trouxe o ônibus até Porto Alegre para a vistoria no DETRAN. O Martinez acompanhou a mesma e para nossa surpresa descobrimos que o ônibus estava com dois lugares a menos do que o permitido, o motor estava irregular pela falta de uma placa de identificação e por fim uma das portas do maleiro caiu devido ao desgaste da borracha que a prendia. Lá fui eu novamente para Estrela levar o “bus”. Meu prazo já estava esgotando e ainda faltavam muitas tarefas. Percorri quatro cidades e empresas atrás de mais duas poltronas, porém não havia disponíveis.

O pessoal de Estrela cuidou de colocar a porta do maleiro no lugar e finalmente conseguiu duas poltronas simples e velhas para completar o número que precisávamos para que o DETRAN e o Inmetro aprovassem. Estávamos na ultima semana de janeiro e a substituição do adesivo da traseira ainda não havia sido feita. Finalmente localizei o funcionário da empresa e no último dia foi feita a alteração. Enquanto isso o Fábio em Mococa conseguiu um motorista para conduzir o ônibus de Estrela no Rio Grande do Sul até Mococa, em São Paulo. Chegou a primeira semana de fevereiro e finalmente achei que estava tudo ok. Liguei para o despachante. Compramos a passagem para o motorista vir de Mococa e, quando ele chegou, fomos até Estrela e paramos na Selenium para colocar os equipamentos pendentes no ônibus e seguir viagem. Chegando lá a grande surpresa, não poderíamos viajar, pois o ônibus teria que passar por mais uma vistoria no DETRAN e Inmetro e também porque o motor do mesmo pertencia a outro ônibus! Havia sido trocado! Precisávamos de um documento comprobatório desta troca emitido pelo fabricante. Meu Deus, o Contrário já estava lá, agora o Murphy... quem mais iria aparecer? Perdemos o investimento no motorista e o mandamos embora. Tivemos que fazer o test drive do equipamento usando um caminhão alugado para o transporte. Além de pagar as passagens pro motora não levar o ônibus até Mococa, tivemos que pagar o frete para transportar tudo. Prejuízo de, no mínimo, 2 mil reais... Deixei o ônibus estacionado no pátio da Selenium e entrei em contato com a Viação Cometa (proprietária original do ônibus). Expliquei a situação e eles prontamente entenderam e falaram que em DUAS semanas estaria tudo resolvido. Vinte dias depois recebi em casa a correspondência assinada pela Viação Cometa, se responsabilizando pela troca dos motores do ônibus. Finalmente consegui marcar a vistoria final. Deu tudo certo e agora só faltava a emissão do documento com a transferência completa.

O tempo passou e o pessoal da Selenium precisou usar o espaço na empresa e tive que tirar o ônibus de lá. Novamente meu vizinho e motorista, Carlos, ajudou e conseguiu uma garagem perto de casa onde deixamos o ônibus em segurança. É uma empresa de viagens que por coincidência tem um ônibus igual ao nosso, assim pude ter várias dicas de funcionamento do mesmo. Aproveitei para colocar as fechaduras nos maleiros e adivinhem... mais uma porta caiu. Tive que descobrir onde vendiam a borracha para colocar a porta no lugar e passamos dois dias tentando sem sucesso arrumá-la. Finalmente consegui uma empresa especializada que cuidou do assunto... Mais dez dias se passaram e finalmente o documento chegou. Nosso primeiro show estava marcado para o dia 01 de abril, sim o dia da mentira... então marcamos a nossa primeira viagem de Gravataí até Mococa, onde estava nosso equipamento, para o dia 23 de março. Mais uma vez o Fábio conseguiu um “brother” chamado “Lenoir” para dirigir. O Aquiles e o Lenoir chegaram em Porto Alegre no dia 22 de março e no dia 23 pela manhã zarpamos de Gravataí, às sete da manhã. Começava uma nova etapa para a banda. Pela primeira vez o ônibus do Hangar estava em uma missão. Eu realmente estava muito ansioso, tentando controlar tudo, já que não sabia o que esperar. Quantos quilômetros seriam por dia? Qual seria o consumo? Etc, etc... Fizemos a viagem em duas etapas, no primeiro dia foram 770 kms até Curitiba, onde dormimos e no segundo dia mais 580 kms até Mococa.

Durante a viagem tivemos mais uma vez a baixa do ar condicionado, que parou novamente de funcionar, agora acompanhado pelo gerador. Nada mais normal... Chegamos a Mococa no dia 25 onde começamos a pré-produção da turnê... Bom, a partir daí aconteceu de tudo, explanações, desistências, gritarias, mais Murphy, mais Contrário... Mas quem pode contar mais um pouco sobre esta parte é o Aquiles.

Mello

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Enquanto isso, em Mococa...

Em janeiro programamos um teste de campo para o nosso novo equipamento. Durante o feriado do Carnaval, disponibilizaríamos nosso sistema de sonorização para a realização de 7 apresentações ao ar-livre, para aproximadamente 2000 pessoas. Ou seja, nossos queridos equipamentos passariam pela maior prova de resistência que poderiam suportar. Assim, no final de janeiro, os últimos itens que faltavam em nosso sistema chegaram à casa dos meus pais, onde havia um espaço maior para armazenamento.

Como eu iria trabalhar durante o Carnaval, o Martinez e o PP foram para São José do Rio Pardo, a cidade onde foi realizado o teste do equipo.

Fábio

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Enquanto isso em São José do Rio Pardo...

Depois que tudo foi transferido de Mococa para São José do Rio Pardo, iniciamos a montagem do sistema na quinta-feira que antecedeu o feriado do Carnaval. Dessa forma tivemos tempo suficiente para cuidar dos últimos detalhes. Por exemplo, não havia extensões para ligar as 8 colunas do PA Ciclotron e todos os monitores

Selenium no palco. Ou seja, passamos algumas horas cortando cabos e parafusando as extensões que levariam energia a todo equipamento. Também havíamos deixado pra última hora (como todo bom brasileiro que se preze) um detalhe muito importante: a compra de lonas para cobrir os equipamentos em caso de chuva... Dessa vez conseguimos ser mais rápidos do que nosso velho amigo Murphy... Assim que as lonas chegaram ao local das apresentações e foram estrategicamente espalhadas sobre os equipamentos, a primeira tempestade chegou com força! E passou sem deixar estragos...

Fábio

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A operação carnaval foi uma carga e tanto. Estivemos todos os dias do reinado de momo eu e Daniel PP das 11 da manhã até 5 da manhã em função da passagem de som e monitoração dos equipamentos. Nada como ser dono da própria vida nessas horas era o que eu pensava enquanto dobrava uma das 5 lonas de 6x5 metros no sol do meio dia a beira da piscina e em frente ao palco. As pessoas que realmente vivem o metal 24 horas 365 dias por ano podem conviver e entender a gente. Feriado, festinha, matal, aniversário... Músico de verdade não tem esses luxos. Mais do que músico, somos donos do nosso próprio negócio, da própria vida. Isso compensa tudo. A operação toda acabou com poucas baixas e pudemos constatar o poder da nossa estrutura. Agora só restava fazer caber tudo no ônibus. E a filosofia para tanto seria: “se cabe, leva!”. Foi assim que chegamos as 4 toneladas e uma advertência na balança da rodovia...
Martinez

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Enquanto isso, na Selva Amazônica...

Após o show de Dezembro no SESC Pompéia, voltei para casa, para rever a família e comemorar as festas de final de ano. Enfim, que venha 2010! Pensei... Ufa que alegria de comemorar a chegada do ano em que farei a minha primeira tour com o HANGAR! Estava tudo bem, até que no dia 2 de Janeiro, enquanto jogava futebol na quadra com meus filhos, pisei em falso torcendo o joelho e... Isso mesmo, fudi o joelho! Dor *@**&¨%!!! Fui ao hospital e o médico falou pra mim: “você machucou o menisco e só o tempo dirá se você precisa ou não fazer uma cirurgia”. O FDP ainda manda me aplicar uma injeção de voltaren e outra de dipirona, mesmo eu tendo falado que era alérgico ao AAS (ácido acetil salicílico), presente em 90% dos analgésicos. Voltei pra casa sem andar, sem mexer a perna, com o joelho travado MESMO e, logo em seguida com os olhos muito inchados por causa da reação alérgica aos medicamentos que tomei no hospital. PARABÉNS!!!

Passei 3 dias com os olhos inchados, mas, isso é o de menos, pois o joelho continuava muito ruim, muito inchado e travado pelos próximos 25 dias. Isso mesmo, eu não conseguia sequer mexer a perna, mesmo passando o dia inteiro com bolsa de gelo, usando pomadas, sprays diversos, tomando os mais variados chás caseiros pra ajudar na desinflamação do menisco, pois não posso tomar nenhum anti-inflamatório devido a maldita alergia aos compostos químicos presentes na formula de todos eles.

Era terrível pra tomar banho, dormir e tudo o mais que vocês possam imaginar! Passados mais ou menos 27 dias o joelho começou a desinchar e eu me aventurei a mover a perna, onde dia após dia com a ajuda da minha amiga muleta, consegui dar os primeiros passos, agarrando nas coisas como uma criança aprendendo a andar, porém com uma diferença... Eu morria de medo da dor na perna, que ao menor esforço era insuportável ainda. Eu estava entrando em parafuso, pois achava que talvez não andasse mais e ao mesmo tempo a data de viajar para a tour estava próxima. Estava muito tenso com isso, porque não queria de maneira alguma ter que adiar os compromissos com a banda.

Com a melhora repentina do meu joelho, comecei a literalmente dar alguns passos, porém bem curtos, pois não tinha mais firmeza alguma na perna devido a lesão e pelo tempo sem movimentá-la. Com isso, só conseguia ficar de pé com a ajuda da muleta ou simplesmente numa perna só, como um “saci”, rsrsrsr!

Mais alguns dias de angústia e dor, comecei a caminhar sem a companheira e iniciei uma nova amizade com aquela que não falava nada, mas, que corria junto comigo... A esteira!!! Sempre à minha disposição em qualquer horário que eu precisasse dela, sem cobrar nada, aguentando pisadas cada vez mais fortes, sem nunca ter reclamado disso. Mais algumas semanas e aqueles quilinhos que havia ganho devido ao meu forçado “descanso”, sumiram graças a minha grande e agora inseparável amiga esteira.

Logo em seguida, enquanto meus companheiros de banda resolviam uma infinidade de problemas com o nosso ônibus, equipamento e tudo o mais, eu me preparava psicológica e fisicamente para nossa tour, sendo a minha primeira com o HANGAR. A ansiedade tomava conta de mim a cada dia que passava, pois eu tinha a certeza que iria ter de encarar um repertório insano, repleto de músicas cheias de drives, notas altas, etc.

Os vizinhos devem ter ficado loucos de ouvirem tantos gritos ecoando em suas casas, hahahaha....Sim, isso é verdade! Eu passava algumas horas por dia “gritando” (cantando) as músicas que provavelmente fariam parte do set list.

Humberto

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Enquanto isso na Europa...

Bom, como todos sabem, fui convidado a tocar numa tour européia com o guitarrista Vinnie Moore e para minha felicidade, tudo aconteceu em boa hora, quando o Hangar não estaria em atividades... Tocar com o Vinnie foi um aprendizado e tanto, depois de tanto tempo, tive a chance te experimentar a sensação de ser side man outra vez. Na verdade foi bem diferente do que eu imaginava, pois ele sempre deixava sua banda decidir junto como faríamos com relação à agenda e tudo mais...

No entanto, minha cabeça também estava no Hangar, pois toda a parte burocrática do ônibus ficou com o Mello e enquanto estava em SP eu acompanhava à distância.... O Mello sofreu bastante, pois cada semana aparecia algo novo que precisava ser feito para que a documentação estivesse ok.

Estávamos em contato o tempo todo e muitas vezes enquanto eu ainda estava na Europa, marcávamos encontros pelo MSN para tomar decisões sobre essas coisas...

Muitos assuntos foram resolvidos dessa forma, pois eram coisas que não poderiam esperar... Inclusive, muita coisa da reforma do ônibus teve que ser refeita e isso gerou muito estresse para a banda... Nas primeiras viagens, tivemos problemas acentuados com o ar condicionado e tivemos que viajar sem ar por alguns trechos... A vazão de ar refrigerado no compartimento onde fica o compressor do ar era insuficiente... Levamos em várias pessoas até que a própria banda conversou e chegou numa conclusão depois de viajar 1400 km para voltar de Mococa/SP para Porto Alegre/RS... Foi uma estréia muito dura...

Aquiles

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23 de Março de 2010...

Dia em que voei para terra da garoa, onde iria encontrar-me com meus irmãos de banda. Chegando lá, fui direto ao apartamento do meu amigo Milton Córdova, onde sempre fico hospedado (coitado dele). Cuidei de “arrumar” a mala da tour, pois no dia seguinte estava marcado o grande encontro com o nosso Scania CMA de 6 cilindros turbinado, vindo de Porto Alegre já com Mello, Aquiles e Martinez.

Já no local combinado, conheci o Menegatto, que iria trabalhar de roadie conosco e, que também estava esperando a nossa locomotiva passar para embarcarmos em direção a Mococa, onde iríamos pegar o restante do Equipamento, além de Fábio Laguna.

Com um certo atraso devido o trânsito louco de São Paulo, eis que aparece imponente, brilhando em plena Marginal Tietê, a nossa máquina infalível. Foi uma grande sensação adentrar na locomotiva da banda, sabendo que ela nos levaria não apenas para qualquer lugar, mas, para a tão esperada Infallible Tour.

Muito bem.... Cintos atados, Mococa nos aguarda!

Chegando lá, já estava à nossa espera o Sr. Fábio Laguna, que imediatamente nos levou à casa de seus pais, aliás, muito simpáticos e prestativos, nos acolhendo em sua casa com muito carinho e atenção.

No dia seguinte, ainda em Mococa, fomos arrumar o ar condicionado que havia parado. Conseguimos, porém no outro dia, o contrário reaparece ferrando dessa vez o gerador que superaqueceu quase derretendo os fios e provavelmente iria explodir tudo. Ufa! Ainda bem que isso não aconteceu!

Humberto


Mixagem e Masterização finalizada!!! A master está na mão… I 18.06.2009
postado por Aquiles Priester

Daqui a algumas horas embarco de volta para o Brasil, depois de uma jornada de quase 25 dias pela Europa... Mas
prefiro pensar de outra forma... Agora começa tudo de novo na hora de pensar que temos que promover o disco...
Mas melhor não pensar nisso agora...
Desde fevereiro estamos trabalhando nesse disco e não dá para acreditar que ele já está pronto... Me lembro de
como cada nota desse disco apareceu para a gente no pacato sítio da cidade de Tatuí e poder ver aquelas idéias
agora mixadas pelo Tommy Newton, realmente dá uma grande emoção...
Mas agora, estou realmente muito cansado e mal vejo a hora de entrar o avião e ouvir pela primeira vez o novo
disco do Hangar pronto, do início ao fim.

Volto a escrever em breve e prometo postar um vídeo inédito com trechos da mixagem.

Até mais,

Aquiles


Diário de Mixagem Hangar: Pitcho Canário Rules I 07.06.2009
postado por Aquiles Priester

Já faz quase uma semana que estou em Celle, na Alemanha mixando o disco do Hangar.
Nem parece, mas já faz dois anos e dois meses exatamente que eu e o Fábio estivemos aqui para mixar o The Reason of your Conviction... O tempo passa depressa... Para ser bem sincero, eu bem que gostaria, mas não achava possível a gente estar aqui de novo em 2009 mixando outro disco.

Tem muita coisa diferente dessa vez... Agora somos mais próximos do Tommy e já deu para perceber que ele está gostando muito do resultado das músicas, mas como ele mesmo disse, dessa vez as músicas estão mais maduras e estamos levando mais tempo para fazer tudo soar como deve. A primeira música que mixamos, foi a S.M. e levamos somente três dias para finalizá-la... “Três dias sim senhor, por quê? Algum problema?”
Esse é o novo jargão da banda... Essa frase foi extraída do filme “Tropa de Elite”, quando o capitão Fábio vai apresentar a oficina dos carros para um dos “aspiras”... O cara pergunta: Isso aqui é a oficina? E o capitão responde: - É sim, por quê? Algum problema?
Repassamos isso para o Tommy, quando discordamos de alguma coisa... Why? Some problem? No começo ele achou meio estranho, mas agora ele tem nos falado isso quando está fazendo alguma coisa e perguntamos o que ele está fazendo... Ahahahahaha!

A segunda música, B.O.A.T.S. levou dois dias... Estamos na terceira hoje, T.T.F. e devemos finalizá-la nas próximas horas e iniciar outra... Até segunda, devemos ter umas 5 músicas prontas...
Não vou falar sobre o resultado da mix, pois sou suspeito... MAS ESTÁ MUITO ACIMA DO IMAGINÁVEL... SENDO BEM SINCERO... AHAHAHAHAHAHA

Fora a parte da mix que é muito legal, pois vemos a música começando do zero e tomando forma, a rotina é algo que me mata... Todos os dias começamos o trabalho pelas 10h00 da manhã e voltamos ao hotel por volta das 21h00 e ainda é dia... Eu e o Adair saímos para caminhar por duas horas e quando chegamos ao hotel por volta das 23h00 está começando escurecer... Ninguém nas ruas... Nunca... Amanhece às quatro da manhã... Num desses passeios, entramos num restaurante Tailandês por volta das 23h00, quando ele estava quase fechado e pedi – May I have a coke? A mulher começou a ir para trás assustada e chamou o marido... Ela achou que estávamos procurando drogas... Caramba, que mal entendido...

Estamos finalizando um vídeo com minha passagem pela Itália fazendo workshops e devo disponibilizar isso nos próximos dias... Será um vídeo-diário, pois eu quero que vocês tenham a sensação exata de como foram aqueles dias...

Volto a escrever em breve e vamos postar alguns vídeos com pequenas amostras das músicas sendo mixadas...

Um grande abraço,

Aquiles


Hangar: Diário especial de gravação - Baseado numa história real I 21.05.2009
postado por Fábio Laguna

Há muito tempo atrás, durante uma sessão de gravação que eu estava participando, em Valinhos, interior de São Paulo, comecei a reclamar da vida profissional, dizendo que esperava mais, e mais, que a situação era frustrante, etc... Então o técnico virou-se na cadeira e fitou-me seriamente, dizendo algo como: “Hey! Será que você não consegue perceber que o seu melhor momento é agora? Você vai entender o que estou te dizendo daqui a algum tempo”... Mesmo eu tendo guardado as palavras deles até hoje, elas soaram como aqueles manjados “ditados de auto-ajuda”, do tipo “viva um dia de cada vez”, “quem vive de passado é museu”, etc, etc, etc? Mas diante de todo o meu ceticismo, começo a dar o braço a torcer e simplesmente acreditar que toda essa baboseira aí em cima, fruto de décadas de sabedoria popular, é a mais pura verdade: somos a única espécie que acha que precisa de mais do que o necessário pra viver, que pensa no futuro, quando na verdade somos como qualquer outra, que só precisa comer e dormir, pois o resto é “lucro”.

Pois bem, a idéia e a curiosidade de se fazer uma produção em um local “completamente isolado” ou inusitado é algo que guardo comigo há muito tempo, inspirado em outras produções que foram muito felizes com essa escolha, como o Machine Head (Deep Purple) e o Blood Sugar Sex Magic (Red Hot Chili Peppers), entre outros. De um modo geral, sempre achei essa coisa de gravação em estúdios algo um pouco prejudicial ao processo criativo, pois nos tornamos reféns de seus “taxímetros”, da disponibilidade de horários e da falta de privacidade causada pelo entra e sai de outras bandas e pessoas. Daí, quando saímos de um estúdio, depois de horas de metrônomo e pressão na cabeça, damos de cara com o caos da cidade grande... É por isso que ultimamente tenho preferido gravar as minhas participações em outras gravações no aconchego do meu bunker (apelido que dei ao meu mini-home-estúdio-dispensa, em minha casa), onde fiz parte dos arranjos desse novo disco do Hangar. Masssss, como convencer os “urbanóides” da minha banda de que o isolamento seria algo muito benéfico? Bem, não sou um cara muito persuasivo, mas o fato é que não só consegui trazê-los ao ambiente rural para uma pré-produção, como acabamos gravando na “roça” um disco de heavy metal extremamente inspirado, que vai marcar uma nova fase na carreira do Hangar. Para a nossa felicidade, o sítio onde 80% do disco novo foi gravado ofereceu não só a privacidade extrema, como também as mesmas condições de qualquer outro estúdio, com a qualidade que a gente buscava para esse trabalho. Além disso, esse nosso semi-isolamento serviu para estreitar ainda mais o bom relacionamento entre os integrantes da banda porque, literalmente moramos juntos, algo que nunca havia acontecido no Hangar. E já que é costume comparar uma banda a um casamento, então digo que certamente o Hangar acabou de se casar. O mais importante dessa estada aqui em Tatuí foi que, como não tínhamos pra onde correr, tivemos que resolver nossas últimas pendências bobas, e isso refletiu muito nas composições do novo álbum: o amadurecimento foi natural e inevitável.

Por essas e outras razões, gostaria muito de reservar as minhas palavras nesses últimos momentos dessa produção aqui no sítio para agradecer a pessoa que foi responsável pela concretização desse sonho: Nino, nossa gratidão será eterna e esperamos um dia poder recompensá-lo à altura. Muito obrigado a você, a Neiva e toda sua família por ter nos acolhido durante esses três últimos meses. Em breve o novo álbum do Hangar será lançado mundialmente e temos a plena ciência de que boa parte do reconhecimento de nossos fãs, amigos e famílias estará intimamente ligado a esse apoio incomensurável de vocês.

Um grande abraço a todos!!!


Hangar: Diário especial de gravação - Baseado numa história real I 21.05.2009
postado por Nando Mello

Quando surgiu a ideia de irmos para um sítio no interior de São Paulo, mais precisamente em Tatuí, não imaginei que depois de quase 100 dias teríamos tanta história e estórias para contar. Iniciar um projeto do zero e terminá-lo no prazo com a qualidade necessária é um desafio que somente pessoas com muita fibra conseguem. Quando voltei para o sítio após 20 dias de ausência, foi exatamente isto que encontrei: garra, fibra e determinação. Estive aqui por três vezes anteriormente, em fevereiro e março para compor as músicas e em abril para as sessões de gravação. Durante este tempo, nas minhas caminhadas pelo pátio da casa onde estávamos (sim, eu caminho para pensar sobre tudo), eu sempre observava o que todos estavam fazendo e apelidei este momento coletivo de “surto criativo”. Momentos de superação em busca de algo maior, a satisfação através de nossa música e como elas poderiam tocar o sentimento das pessoas. Quando entrei na banda em 1999 imaginava que um dia poderíamos chegar até aqui e esperei longos 10 anos. Embora o TROYC tenha sido um disco maravilhoso e que irá ficar para sempre nas nossas memórias, como valeu a pena esperar pelo próximo. Independentemente do cansaço, dos momentos de espanação que poderiam ser júnior, master ou sênior (a pior de todas) o que eu sentia era a vibração das pessoas em busca deste ideal. Aprendi muito com o Sr. Adair “De novo” Daufembach, excelente profissional sempre focado em conseguir o melhor som de baixo que um disco do Hangar já teve e realmente conseguimos. O Humberto, nosso novo vocalista, profissional ao extremo e uma surpresa agradabilíssima como pessoa. Como sempre digo “as coisas não acontecem por acaso”: bem-vindo à família Hangar. A garra do Martinez, a ponderação do Fábio e com certeza a determinação do Aquiles em conseguir tirar o máximo de todos, fizeram com que estes últimos três meses fossem inesquecíveis para mim. A estes três loucos um agradecimento especial por dez anos de Hangar e obrigado por ainda estar “participando desta loucura”, o incrível sonho de “tocar em uma banda rock”. Quanto às músicas... bom isso já é um outro capítulo que em breve será escrito, pelo Hangar e por todos vocês que estão lendo este diário. Abraaaaçoo...


Hangar: Diário especial de gravação - Baseado numa história real I 21.05.2009
postado por Humberto Sobrinho

Olá Família do Hangar, primeiramente, gostaria de dizer pra vocês que é uma enorme satisfação estar escrevendo o meu primeiro diário como vocalista dessa banda que vocês amam e que ama a vocês!!! Realmente esses caras têm paixão pelo que fazem e, acima de tudo, RESPEITO PELOS FÃS como poucas bandas.

Confesso que no início, pensei que dificilmente a banda pudesse compor um disco tão bom como TROYC, que é um disco excelente, num espaço curtíssimo de tempo e com gravadora estipulando prazo. Isso me deixava um pouco receoso, pois o momento era bastante delicado também pelo fato de eu estar entrando numa banda do nível do Hangar, substituindo outro vocalista, gravando um disco antes mesmo de, sequer, fazer o primeiro show com a banda, etc.

No entanto, quando vim ao sítio pela primeira vez e vi aqueles “loucos” compondo e arranjando as músicas, comecei a imaginar como elas soariam finalizadas. Naquele momento percebi que realmente a coisa estava fluindo da melhor forma possível. Isso me deu a confiança necessária para entrar de cabeça na loucura deles. Foi uma grande surpresa, pois além de ver pessoas determinadas em fazer mais um grande trabalho, pude ouvir a quantidade de músicas maravilhosas que eles estavam compondo. Difícil falar a que mais gosto, pois todas são excelentes. O que mais me chamou a atenção foi a variedade de andamentos, riffs, harmonizações e PRINCIPALMENTE, melodias instigantes. Como a banda amadureceu!

A partir daí comecei a pensar na melhor maneira de encaixar a minha voz nas músicas, se cantava limpo ou rasgado, claro que a minha maior preocupação era com a interpretação de cada palavra, cada frase, cada momento, contexto da letra, melodias, tudo deveria estar em sintonia com a música. Tive muuuuuito trabalho com tudo isso e numa pressão fora do comum, devido ao prazo curto, mas, aprendi bastante com tudo isso e com cada integrante da banda.

Fora isso, eu tinha outras atividades, como correr ao redor do Sítio e geralmente o Buzz corria junto, além do Martinez, que me aconselhava sobre dietas e muito blá, blá, blá, hahahahaha!!!

O Mello, sempre tranquilão, nos intervalos correndo pra TV à procura de notícias sobre futebol ou simplesmente andando de um lado para o outro da casa, sem chegar a lugar algum, hahaha!

Comecei a gravar no dia 15 de Abril. Gravava durante muitas horas sem parar até todos ficarem satisfeitos, inclusive eu. Em média fazia 250 takes por música!!! Pensam que é fácil gravar um disco como esse? Não sei como agüentava tantas horas cantando todos os dias. Acredito que a determinação da banda toda tenha me inspirado a superar meus limites, além de minha vontade de querer fazer parte de um disco singular como esse que, em minha opinião, é uma excelente continuação do TROYC. Em seguida já gravava todos os backings pra ver como soariam na música, mesmo sem os arranjos de teclado. E o resultado sempre me surpreendia.

Embora o Laguna já tivesse algumas ideias em mente para os arranjos de teclado, ele sempre os colocava após a voz gravada para valorizar a música como um todo. Aliás, ele deixa o que já está soando muito bom, soando muuuuito melhor. O cara é um gênio!!! A cada novo arranjo eu me assustava mais, tamanho o bom gosto dele.

O Adair “Carneiro Maldito” Daufembach, estava sempre atento e não deixava passar nada, registrando (gravando) todos os momentos, pois saibam que tem bastante coisa que improvisei na interpretação final. São momentos únicos e mesmo que eu tentasse reproduzi-los em seguida, não soariam iguais... mas agora vou ter que fazer tudo novamente ao vivo, hahaha!

O Aquiles, sempre dando ideias muito boas aqui e ali, atuando como produtor do disco, além de observações fundamentais para o bom andamento dos trabalhos. Às vezes, inicialmente eu não entendia muito bem as suas idéias, mesmo assim as executava, confiando na experiência dele. Quando eu ia ouvir o resultado era outra surpresa, boa é claro! “Ao término dos dias”, lá pelas 4 da manhã, o Aquiles pegava seu Ipod e ainda ficava ouvindo no quarto o que tínhamos gravado, conferindo várias vezes e anotando tudo.

Hoje, dia 11 de Maio, terminei a minha parte, ufa! Um fato curioso... a última palavra que gravei nesse disco foi Life... Não vejo a hora de cantar a primeira palavra do próximo!!! Agora vamos nos concentrar nos ensaios para o meu primeiro show com a banda na virada Paulista, na cidade de Caraguatatuba às 2 da manhã do dia 17.
Pra finalizar, gostaria de agradecer de coração à todas as pessoas que de alguma forma me apoiaram para que eu estivesse aqui nessa nova jornada com o Hangar, e dizer que estou muito feliz por fazer parte deste grande time de loucos. Aguardo vocês nos shows. Abração!


Hangar: Diário especial de gravação - Baseado numa história real I 21.05.2009
postado por Eduardo Martinez

Se eu morrer amanhã tenho certeza de apenas uma coisa: valeu a pena ter dedicado uma vida inteira à música. A razão é esse trabalho, meu terceiro no Hangar, o quarto da banda e oitavo da minha carreira como guitarrista e co-autor. Entre muitas extravagâncias sonoras que vão surpreender e enlouquecer vocês, pude também reinterpretar mais um clássico do Last Time, disco que foi o meu teste de entrada no Hangar em 1999... E em fevereiro 2009 quando nos encaramos novamente após a incrivelmente bem sucedida tour do TROYC, cada um com seus instrumentos, sem uma música nova sequer, não podíamos imaginar que agora enquanto escrevo estas linhas (apenas 3 meses depois) estaríamos com tudo gravado! A química e a criatividade desta banda me surpreendem agora com a música mais pesada e extrema, mais complexa e bem produzida que já tocamos. Somos uma banda mais do que nunca agora; nas letras, na expressividade e na interpretação de cada idéia. A audição integral desse CD será uma experiência em tempo real de nossa vivência musical até hoje.

Após o excelente The Reason Of Your Conviction conseguimos compor completamente livres de qualquer fórmula e não nos repetir. Ouça a dor, o sangue, a luta de cada um de nós para fazer o impossível sem falhar nunca, buscando o resultado musical ideal custe o que custar. Destaque para as novas interpretações do Hangariano Honorário Humberto, para a produção obsessiva do Aquiles e a captação perfeita de Adair “guitar hero” Daufembach.

...Dando sequência a minha parte no diário de bordo no dia de hoje, 11 de maio, em meio à pré-mixagens, visitas surpresas de fans que nos encontram sabem-se lá como aqui em nosso esconderijo, revisões, back-ups, músicas compostas na última hora e espanações-master de último dia (último dia mesmo!) fiz a minha gravação acústica final do CD. O melhor de tudo é que amanhã mesmo começaremos os ensaios para o primeiro show da nova formação com Humberto nos vocais, sendo que em seguida, o Aquiles e Adair partem para Alemanha a fim de acompanhar a mixagem. E tem sido assim desde o início, quando entrei naquela “garagem” em Porto Alegre, para ensaiar exaustivamente todas as músicas do Last Time, muitos covers e algumas músicas novas que vocês já conhecem bem. Isso mostra que essa banda veio pra ficar, que ninguém e insubstituível e todos os integrantes e equipe se entregam 200% ao trabalho, que é intenso e incessante. Tudo isso para que você tenha orgulho de fazer parte dessa loucura, nos shows e eventos da banda, ensaiando e estudando para que isso também aconteça com sua banda (e espero que até melhor) um dia.

Os meus primeiros dez anos de Hangar se completam nesse trabalho que será certamente brilhantemente finalizado por Tommy Newton. Mas tudo isso só fará sentido quando você chegar ate nós depois dos shows da nova tour e nos dizer que valeu a pena deixar tudo pra trás e seguir em frente. Dedico cada nota de guitarra neste álbum a todos os verdadeiros amigos que sempre me apoiaram em todos os momentos, sem nunca virar as costas: minha família, minha banda e os fans do Hangar: minha razão de viver e tocar são vocês.


Hangar: Diário especial de gravação - Baseado numa história real I 21.05.2009
postado por Aquiles Priester

Resolvi começar esse texto dessa forma, pois é exatamente isso que está acontecendo aqui no estúdio/sítio onde estamos gravando o novo disco do Hangar.

Esses dias, eu estava relembrando do nosso primeiro dia aqui no sítio, aquele que atolamos pra valer antes de sequer conhecer onde tentaríamos compor as novas músicas. Se não tivéssemos certeza do que estávamos fazendo, provavelmente não teríamos como seguir em frente.

Quando falo tentar, é porque ninguém tinha a menor ideia de para onde iríamos musicalmente e agora todas as músicas estão gravadas, arranjadas, com letras e definitivamente finalizadas. Preciso dizer que realmente acho esse novo disco muito mais maduro e as composições estão muito superiores a tudo que já fizemos. Se no TROYC nós conseguimos escrever uma música como a Call me in the Name of Death, dessa vez fomos mais longe e compusemos músicas muito mais dramáticas e extremamente musicais. As melodias e as letras também ficaram muito superiores ao TROYC e dessa vez não existe nenhuma parte que não foi demasiadamente testada e aprovada pelo teste da memória, que consiste em criar alguma melodia, não gravar e tentar lembrar no dia seguinte, se eu não lembrasse, era por que não boa o suficiente. Ah, uma coisa muito boa, dessa vez o Fábio e o Martinez também ajudaram nas letras... E isso foi um grande alívio, pois escrever letras sem pressão é uma coisa, agora ter que terminar uma letra porque não tem mais o que o vocalista gravar é outra... Tinha dias que eu fica por cinco horas escrevendo e depois jogava tudo fora...

Não tivemos tempo livre, pois trabalhávamos no mínimo 14 horas por dia, e todo mundo sempre buscando o melhor, independente do preço que isso custasse... E olha que às vezes custava caro, pois estávamos no nosso limite da sanidade, mas nós sempre colocávamos a música acima tudo e de todos. O resultado tinha que ser no mínimo o melhor para todos...

Aqui virou a casa dos “autistas” e tivemos que nos virar com todas as manias individuais de cada um... Superamos tudo! Ou quase tudo... Meu amuleto esteve sempre comigo, um quadro do Deen Castronovo (que tenho desde 1995) e um bonequinho que a Juliana (minha filha), me deu para me dar sorte nas minhas apresentações, pois ela disse que o boneco tinha a mão grande como a minha... Sempre estou com esse bonequinho em todos os lugares onde preciso que as coisas dêem certo...

Começamos o processo de composição no início de fevereiro e só não estive envolvido com esse disco durante as duas semanas que fiquei em Erechim gravando a banda Holiness... Por falar nisso, a Stephanie vocalista da banda, esteve em São Paulo para gravar a sua participação no nosso disco. Além da Stephanie, temos a participação de mais dois artistas, mas vou deixar vocês com um pouco de curiosidade...

Agora vamos para a próxima etapa, que é mixagem e não vejo a hora de ver isso na mão do Tommy Newton... Ele vai fazer essas músicas ficarem do jeito que elas merecem...

Antes da mixagem em Celle, na Alemanha, vou fazer uns workshops na Itália, e estou bastante ansioso para isso acontecer...

Para encerrar minha parte, vou dizer que vi a superação que cada um dos meus amigos antigos (Mello, Fábio e Martinez) e que estou muito, mas muito surpreso com nosso novo companheiro, o Humberto. Tenho certeza que vocês vão ter a mesma impressão que eu ao ouvir essas músicas... A pergunta será a seguinte: Quantos vocalistas têm nessa banda?

Outra peça fundamental foi o Sr. Adair Daufembach (Carneirinho, carneirãoneirãoneirão) e tenho certeza que ele nunca mais será o mesmo... Ahahahahahahahahahaha


Diário de gravação Hangar: Lágrimas de metaleiro não são lágrimas de crocodilo... I 24.04.2009
postado por Aquiles Priester

Nos primeiros dias é sempre mais demorado para pegar o ritmo, mas essa parte já passou... Agora estamos com muitas músicas finalizadas e as músicas criaram vida própria e estão indo além do que podíamos imaginar...

Nessa etapa, estamos gravando baixo, guitarra, violões, vocais e os backings. Depois, para finalizar, temos que fazer os solos de guitarra e encaixar os teclados que o Fábio está fazendo na sua casa, em cima dos arquivos que estamos mandando quase que diariamente para ele pela net. Só temos internet quando vamos para Tatuí, pois o sítio Recanto das Águas fica há uns 12 km da cidade e a estrada é de chão batido... Dia de chuva vira rally, ou seja, uma grande FESTA!!!

O Mello já finalizou sua parte e voltou para o conforto do seu lar longe dos perigos da selva... Para isso, no último domingo viramos a noite até segunda-feira às sete da manhã e o Adair (também conhecido como Carneiro), teve sua primeira “espanação” MASTER... Dizendo aos berros: - Eu nunca virei uma noite em toda minha vida, muito menos gravando... E um dos Hangares falou: - Bem-vindo ao nosso estranho e adorado mundo louco e cruel... Para facilitar nossa vida, criamos diferentes níveis de pontuação para alguém que espana... Criamos os seguintes níveis: júnior, sênior e master. O campeão até agora é o Sr. Martinez que tem diferentes níveis de “espanação” todos os dias, mas ninguém ganhou da “espanação” Master que o Mello teve durante a madrugada de gravação do seu baixo... Também, depois de quase dezoito horas, não é mole não...

Gravação sempre tem momentos inesquecíveis para a gente lembrar depois... Ahahaha Dormimos até as onze e meia e depois fomos levar o Mello até a rodoviária da cidade.

O Buzz já está conosco e tem se divertido pra valer na terra da bugrada... Hoje ele atravessou de lado a lado o açude pela primeira vez... Ele tem se exercitado bastante, pois todo mundo com exceção do Adair (vulgo Carneiro), sai para correr pelo sítio e ele vai atrás... Às vezes o Buzz me olha e parece estar dizendo: - A vida no campo é realmente uma maravilha, é FESTA todo o dia... Quem sabe não ficamos por aqui...

Hoje eu achei uns carrapatos nele e comecei a tirar um por um... Ele achou que fosse um cafuné e deitou de lado... De repente eu estava tentando tirar as tetinhas que ele tinha e ele chorava baixinho até eu ver que aquilo não eram carrapatos... Na próxima vez vou colocar os óculos para fazer isso! Que FESTA!!! Ahahahaha

Semana passada fizemos a primeira sessão de fotos oficias com o Humberto e a fotógrafa Natalia Lett, de São Paulo, veio até o sítio/estúdio em Tatuí para registrar esse momento para a banda. Tudo foi muito rápido, pois queríamos seguir gravando noite adentro e as fotos que ilustram esse diário são dessa sessão.

No dia seguinte tive uma grande surpresa... Um metaleiro chorou de verdade na minha frente... Enquanto estávamos gravando uma das músicas mais cadenciadas do disco com guitarras limpas e violão, mas tinha guitarra distorcida também (isso mesmo, guitarras limpas e violão), o Sr. Eduardo Martinez entrou na sala para ouvir o resultado da música T*** ** ***** e simplesmente foi aos prantos...

O Humberto interpretou essa música de forma única, num estilo bem diferente que ele costuma cantar. Logo após todo mundo ver um verdadeiro metaleiro chorando, ele complementou: - Fiquei imaginando tudo que a letra queria dizer e todas as possibilidades que essa música pode nos dar... E finalizou dizendo que não via a hora de ver essa música mixada e masterizada pelo Tommy e eu complementei: - Não veja a hora dos nossos FÃS ouvirem essa música...

Em breve voltaremos com um vídeo inédito com a sequência das gravações.

Um grande abraço e divirtam-se sempre!!!

Aquiles


Diário: Sequência nas Gravações. I 09.04.2009
postado por Aquiles Priester

Enquanto eu estava gravando as baterias em Florianópolis, recebi uma ligação do Serginho Herval, baterista do Roupa Nova, me convidando para ir ao coquetel de lançamento do novo DVD deles, intitulado Roupa Nova em Londres, uma viagem inesquecível. Ele me contou histórias maravilhosas sobre a gravação no estúdio que ficou conhecido mundialmente por ter gravado muitos discos dos The Beatles, o Abbey Road. Sempre que encontro o Serginho, fico espantado com as histórias de vida desse cara. São 29 anos com o Roupa Nova e procuro quase nem abrir a boca, para aprender mais com as suas experiências.

Vários artistas estavam lá e eu estava representando a classe operária do Heavy Metal... Ahahahahahahaahahahaha Me diverti muito e posso dizer que o DVD ficou sensacional em todos os sentidos, especialmente a mixagem.


Aqui abro um parênteses para um enigma... É hora de pensar...

No dia seguinte, era hora de retomarmos as gravações do Hangar e resolvemos criar uma unidade móvel do estúdio Dauffembach e finalizar todas as gravações no estúdio do sítio em Tatuí...
Aqui estamos isolados do mundo e podemos trabalhar em qualquer horário do dia ou da noite.
Já estamos gravando guitarras e baixos. O som da guitarra está um absurdo de tão pesado!!! Dessa vez, parece que tudo conspirou... O guitarrista, a guitarra, o técnico, o amplificador, o ambiente, as músicas e principalmente a vontade de superação coletiva. Estou bem surpreso com a qualidade das músicas, eu temia compor um novo disco depois do Troyc mas o I********* (esse poderá ser o nome do disco), venceu todas as nossas expectativas.
Na segunda-feira o Humberto já começa a gravar algumas músicas e estamos ansiosos para mostrar para vcs pequenos "teasers" das novas músicas com ele cantando.

Em breve voltaremos com mais vídeos.

Abraços do Hangar!
Aquiles e Hangar

Obs.: I********* (Enigma II)


Diário de Gravação do Hangar: Próxima Etapa!!! I 01.04.2009
postado por Aquiles Priester

Terminei! Terminei! Terminei!

Ao todo foram cinco dias de trabalho, um inteiro para a montagem e passagem de som e mais quatro para gravar as 12 músicas. No primeiro dia foram quatro músicas, no segundo duas, no terceiro duas e no quarto, quatro músicas. No segundo e no terceiro dia, deixei para gravar as piores músicas, pois já tinha passado a tensão do primeiro dia e eu já estava acostumado com o som da sala e do meu fone.

Gravação é assim mesmo, cada um tem um jeito que gosta de gravar e nem sempre é muito aconselhável mudar essas coisas...

No segundo dia, comecei pela música de sete minutos e meio, que nomeamos como Death Thrash Metal... Jesus, como essa deu trabalho... No dia seguinte, quando fui escutar o que tinha gravado, resolvi refazer toda a parte instrumental e isso fez minhas pernas amolecerem como no dia anterior ao final da gravação dela... No terceiro dia, seu eu pudesse comprar um par de pernas novas, eu teria comprado...

No último dia, enquanto eu passava o som e me aquecia, o Malisca (que logo apelidamos de Marisco ou Marica), entrou na sala para filmar uns takes e pisou no cabo de um dos meus “over heads” e desplugou o cabo do microfone... Infelizmente o Adair só percebeu isso quando eu já estava no meio da música e aí ele me disse a seguinte frase: - O caminhãozinho de merda estacionou, furou o pneu e a merda caiu por tudo!

LEGENDA: “CAMINHÃOZINHO DE MERDA PASSANDO”, SIGNIFICA QUE ESTAMOS VENDO QUE ALGO VAI DAR ERRADO E NÃO FAZEMOS NADA, OU SEJA, O CAMINHÃO ESTÁ CHEIO DE MERDA E DE REPENTE O PNEU FURA E AÍ JÁ NÃO TEM MAIS JEITO... TUDO SE ESPALHA...

No caso da gravação dessa música, que também era bem encardida, o caminhão tombou e advinha quem era o motorista? Sim, o Murphy e o navegador o Contrário...

Comecei tudo de novo e foi uma sensação horrível, pois todo esforço e concentração precisavam ser exercidos novamente, mas não teve jeito e foi isso que fiz. Duas horas e meia depois, a música estava pronta.

Nessa gravação eu utilizei caixas e pratos diferentes dependendo da velocidade das músicas e o resultado foi muito bacana.

Para matar um pouco a curiosidade de vocês, resolvemos fazer um vídeo com alguns trechos de músicas e com um pouco do que aconteceu no estúdio enquanto eu gravava...

O Marisca foi o responsável pela captação das imagens e também pela edição do vídeo.

Quero aproveitar e agradecer ao Renato Pimentel do estúdio The Magic Place, ao Adair Daufembach e ao Marisca pelo maravilhoso clima de trabalho que tivemos nesses cinco dias que estivemos juntos. O fotógrafo Antonio Rossa de Florianópolis, foi outra pessoa maravilhosa que conheci e ele fez uma excelente sessão de fotos que vocês podem conferir no site oficial http://www.hangar.mus.br/port/index.php

Toda gravação é diferente e excitante por que quando se está fazendo um disco novo, você nunca sabe o que vai acontecer, se as pessoas vão aceitar ou se vão entender o novo trabalho. Foi muito legal poder dividir todas essas coisas com esses caras, pois todos eles são músicos e me passavam confiança e vibravam com as boas idéias que surgiam na hora que eu estava gravando. Esse tipo de atitude constrói e o melhor de tudo isso, é que eu percebi que a vibração era verdadeira...

Agora vamos começar a gravar os outros instrumentos e vamos seguir com os diários e manteremos vocês informados. Por enquanto, dêem uma olhada nesse vídeo e espero que vocês gostem...


Link: http://www.youtube.com/watch?v=eqGhZ_5vfLo


Primeiro dia de estúdio... I 27.03.2009
postado por Aquiles Priester

Depois de quase nove horas de viagem, cheguei à Florianópolis e encontrei o Adair.

Fomos direto ao estúdio The Magic Place e o Renato Pimentel, que é o dono, já nos aguardava para iniciarmos a montagem e microfonação da bateria.

Ficamos das 22h00 até às 3h00 da manhã montando a bateria e posicionando os microfones.

No dia seguinte, às 11h00 da manhã já estávamos no estúdio passando o som e escolhendo e testando todas as formas de deixar o som o maior possível.

Na quarta-feira o dia todo foi só isso que fizemos... Ficamos quase 14 horas para tirar um grande som de bateria para o novo disco do Hangar.

Hoje, quinta-feira, gravei quatro músicas, sendo duas bem encardidas (difíceis) e duas mais ou menos. Fiquei das 14h00 às 22h00 me ferrando pra valer... Ah, uma coisa importante, sem sair da sala para não perder o clima... Mas valeu a pena, o resultado dos arranjos me surpreendeu... Eu nunca sei se os arranjos realmente vão funcionar antes de gravar, mas eles soaram muito bem dentro das músicas que gravei. Têm coisas bem difícies e muita gente vai dizer que foi overdub, até aparecer algum vídeo meu executando a parte para mostrar que é possível tocar tudo de uma só vez... ahahahahahahahahah

Amanhã vou fazer fotos oficiais e vou postar nos próximos diários... Por isso agora vou postar poucas fotos para postar as melhores depois.

Estou feliz com as novas idéias que estou tendo para essa gravação e com o som que temos para esse novo disco. Só posso dizer que vocês vão ter um grande disco com músicas bem variadas e muitas supresas...

Nos falamos em breve...

Aquiles


Nosso futuro sendo reescrito I 25.02.2009
postado por Aquiles Priester

Olá Pessoal, tudo bem?

Já estou em Erechim finalizando as gravações da banda e me preparando para voltar para o sítio em Tatuí onde finalizaremos as músicas do Hangar. O Sr. Adair Daufembach irá com a gente para já fazermos uma boa gravação de pré-produção.

Aqui em Erechim está tudo indo muito bem e as músicas estão tomando forma e agora já tenho mais claro tudo que imaginei sobre o resultado final. O teclados serão gravados pelo Fábio Laguna e tenho certeza que ele colocará a cereja final nesse grande bolo que chamará muita atenção quando for lançado. As mixagens serão feitas na Alemanha pelo Tommy Newton na mesma época que estaremos mixando o novo disco do Hangar. Isso deve acontecer no início de maio.

Por falar nisso, temos muitas novidades e não vemos a hora de mostrar para vocês alguns trechos da gravação do Hangar que começaremos em março. Se vc estiver curioso, leia o jornal de Criciúma (que está anexo), e que tem uma matéria muito legal sobre tudo isso que está acontecendo.

Grande abraço,

Aquiles


Diário de composição do novo disco I 17.02.2009
postado por Aquiles Priester

Olá amigos de toda rede net. Aqui estou mais uma vez para sintetizar para vocês tudo que aconteceu desde que deixamos São Paulo no dia 2 de fevereiro, rumo a Tatuí, interior de São Paulo, para reunir nossas idéias e compor nosso novo álbum, o sucessor do TROYC.

A aventura recomeça com o encontro de toda a banda no galpão onde deixamos nosso equipamento e para prepararmos a primeira carga do ano. Desta vez foi bem leve, já que estávamos levando somente um equipamento básico para ensaio. As expectativas das novas composições estavam presentes nas nossas conversas desde que definimos a data desses ensaios no final do ano passado.

Chegamos a Tatuí e em seguida fomos a um supermercado fazer compras, pois a parada final seria num sítio a cerca de 10km do centro da cidade. Logo após enlouquecer as pessoas no supermercado, ficamos cerca de uma hora parados devido uma chuva rápida e forte que pegou todo mundo de surpresa. Ficamos num posto abandonado.

Já era entardecer quando tentamos chegar por uma estrada de chão batido ao estúdio no sítio de um amigo do Fábio. De repente ele aparece do nada, o famoso “Contrário”. Tentamos subir uma lomba com barro e não conseguimos, ficamos atolados... Isso mesmo ATOLADOS. O Fábio foi o primeiro a ir atrás de socorro e a moça que estava nos guiando foi até o sítio buscar um trator para nos desatolar... “Às vezes me pergunto por que as coisas não são mais fáceis...” O próximo a deixar o carro foi o Martinez, que voltou com lama até o joelho e disse que queria entrar no carro, pois estava com frio e a chuva tinha recomeçado... Entrou... O Mello ficou com medo do carro não aguentar o peso do trailer e descer se esborrachando num rio, que ficava numa das margens da estrada e resolveu sair só de meia para não sujar seu único tênis...

Os dois ajudaram os nativos locais a encontrar um bom local embaixo do carro para colocar a corrente para nos rebocar... Tiveram sucesso! Após uma hora, chegamos ao sítio e não acreditamos no que vimos... O estúdio era um espaço maravilhoso e logo descarregamos tudo e começamos a montar todo o equipamento. Para comemorar fizemos nosso primeiro churrasco... A chuleta estava suculenta e gostosa...

Todos os dias nossa única rotina era compor, tocar, arranjar e ouvir o que tínhamos feito. Logo as músicas começaram a tomar forma e a média era uma música composta por dia. Num dos dias, tivemos sorte e terminamos duas músicas. Iniciávamos geralmente ao meio dia, almoçávamos às cinco da tarde e jantávamos quando terminávamos o trabalho do dia, que poderia ser meia noite ou três da manhã. Terminamos essa primeira fase da “Casa dos Autistas” com 10 músicas prontas. Durante um dos dias que estivemos por lá, um mini bugre local apareceu para assistir o ensaio. Primeiro ele ficou por perto da janela e depois o convidamos para entrar... Logo ele começou a conversar e durante nossa pausa para o café começamos tentar tirar as impressões que ele tinha gente... Perguntamos se os assustávamos e se ele achava estranho alguma coisa que estava acontecendo por ali... Demorou um pouco, mas ele disse que tinha achado estranho uma coisa que tinha visto um dia antes... Falou que viu um de nós andando pela varanda indo e voltando várias vezes, mas o que achou mais estranho era que essa pessoa não fazia nada, apenas caminhava de um lado para o outro sem esboçar nenhuma reação... Depois de o pressionarmos muito, ele apontou para o Mello... Ahahahahahahahahaahah!!!!!!!!!!!!!!!!

O Mello faz isso mesmo! Com certeza ele deve andar uns 5 km por dia até dentro de uma salinha de ensaios... Todos os dias ele fica andando de um lado para o outro cantarolando algumas melodias...

Vamos nos reunir novamente no dia 5 de março para finalizar as composições e os arranjos finais. Começo a gravar as baterias lá pelo dia 20 de março. Na segunda vez que nos encontrarmos, nosso novo vocalista já estará conosco para trabalhar junto com a banda nas melodias vocais. Sim, já testamos vários cantores e estamos na fase final da seleção.

Ah, por falar em música, posso garantir que pelo esboço dessas composições, vamos ter um grande disco com tudo que as pessoas esperam de um disco do Hangar. Peso, melodia, bom gosto e muita velocidade. Temos uma nova música, que com certeza será nossa mais brutal composição com o andamento em 215 bpms. Também temos músicas mais cadencias e também algumas composições bem mais lentas que a Call Me in The Name of Death, que mostra nosso outro lado, mais melódico e mais maduro.

Estamos bem felizes com a nova forma do nosso novo disco e mal podemos esperar para dar mais notícias para vocês.

Desde o dia 15 de fevereiro, estou em Criciúma acompanhando a gravação das baterias da banda de Erechim. Vamos terminar a produção da banda na cidade deles em duas semanas. O Sr. Adair Daufembach está comigo. No dia 5 de março voltamos para São Paulo direto para o sítio, para finalizar as músicas e então me preparo para o estúdio novamente. Vou manter vocês informados sobre tudo que vai rolar durante o processo de produção desses discos...

Espero que vocês estejam todos bem.

Um grande abraço e o Mello, Martinez e o Fábio mandam lembranças a vocês!!!

Aquiles


Hangar começa a compor novo álbum. I 02.02.2009
postado por Aquiles Priester

A banda Hangar inicia o processo de composição do sucessor do Troyc. Leia o trecho extraído do diário publicado no blog oficial do baterista Aquiles Priester.

"Antes disso, nós da banda Hangar vamos para um sítio perto de Tatuí no interior de São Paulo, para juntar nossas idéias e compor o novo disco da banda, que precisa estar pronto no final de maio. Portanto, segunda-feira, dia 02/02 iniciamos oficialmente o processo de composição do novo disco do Hangar. Pelo que já mostramos um para o outro, esse será o disco mais extremo da banda em todos os sentidos. Vamos surpreender vocês... Prometo que faremos diários para manter vocês todos informados, tá bom?

Para ler o diário completo, visite:
www.aquilespriester.com e www.aquilespolvopriester.zip.net


Conviction Tour I 01.09.2008
postado por Nando Mello

Chegou a minha vez de falar sobre a Conviction Tour do Hangar neste ano de 2008. Nos últimos três meses tivemos muitas aventuras e tentarei detalhar cada acontecimento pitoresco ou não que possa ter acontecido conosco. Após o show de Belo Horizonte, onde tivemos a possibilidade de abrir para o Queensryche, uma honra para nós. Caímos na estrada novamente porque na semana seguinte, dia 17/05, estaríamos em São Bernardo do Campo, participando da Virada Cultural do Estado de São Paulo.

A Virada reúne artistas de todas as áreas, em várias cidades ao longo de um único dia, ou seja, 24 horas de entretenimento. Para uma banda de metal, seria uma oportunidade única, visto que é difícil termos espaços assim em eventos públicos. Chegamos ao evento lá pelas 22hs e a TV local já estava nos esperando para uma rápida entrevista. Como o Nando não havia chegado, acabou ficando de fora, mas conseguimos mandar bem em todas as respostas. Logo em seguida começou o show da banda CPM22 com seu rock, digamos comercial, seguidos pela banda carioca, Autoramas. Uma das curiosidades é que o evento foi apresentado pelo Thunder, ex-VJ da MTV, e à medida que nosso equipamento ia entrando e sendo montado no fundo do palco ele anunciava que iríamos “quebrar tudo...”. Exatamente as três da manhã começamos o show sob um frio de cerca de 10 graus e um vento incessante. Assim mesmo o público de aproximadamente cinco mil pessoas ficou até o final. Agradecimentos aos nossos amigos João, Marina, Carol, Van e Leticia que como sempre não poderiam deixar de faltar.

A semana da gravação do DVD havia começado e estávamos todos muito apreensivos. Montamos toda a estrutura que iríamos usar no estúdio do nosso amigo Fábio Veroneze, tudo mesmo: a bateria monstro, os amplificadores, etc... e ensaiamos exaustivamente na parte da tarde que no período da manhã ensaiávamos o repertório acústico no estúdio do Aquiles. Era uma correria. Nesta época estávamos vivendo uma situação de tensão direta, mas nem cabe entrar em detalhes aqui. Enfim foi uma semana de intenso trabalho. Na sexta feira, dia 23 de maio, chegamos ao Centro Cultural e começamos a montar o que viria a ser o cenário do show acústico. Havíamos contratados uns garotos que trabalhavam com artes e cenários, mas acho que eles não entenderam bem o que queríamos e acabamos tendo que usar o pano de fundo que eles montaram, meio estranho. As máscaras pareciam umas “amebas”, como me disse a nossa amiga Priscilla Mamus. Comecei o show bem tranqüilo, o acústico não me mete medo. Claro, eu toco sentado, não tenho que balançar a cabeça e não corro o risco do Martinez pisar no meu pé ou nos meus cabos, como acontece no show elétrico. O mais legal deste dia foi rever a turma toda do blog: Michely, que veio de Fortaleza; a Carol, a Marina, o João, a Vanessa e a Priscilla, que veio de Maringá. Todos ali, compartilhando desde a passagem de som até o final. Acho que fomos bem no acústico e a tensão até que se foi. O único fato a lamentar é que tivemos que deixar duas músicas de fora porque estouramos o tempo de funcionamento do local.

Dia 24 finalmente chegou: a gravação do show normal ou elétrico. Bom, falar sobre este show e gravação não é muito fácil. Tivemos uma semana difícil e a palavra chave foi superação. Chegar ao local, montar tudo, ficar na expectativa da chegada do publico. Tudo envolveu muita emoção. Foi um dia mais que especial onde lembramos de toda a trajetória da banda, dos momentos vividos juntos, das escolhas, expectativas e caminhos que resolvemos seguir. Tudo me lembrou Porto Alegre no inicio da minha entrada na banda. A historia toda contada e revista para chegar naquela “uma hora e meia” de show e pensar que a soma de todos aqueles anos estava ali. Falar em um momento ou outro do show seria injusto. Prefiro lembrar de quando o Nando me apresentou e o Aquiles me chamou no meio dos aplausos e repetiu três vezes segurando a minha mão: “você merece estar aqui”. Foi um momento que a cabeça rodou e lembrei de tudo e todos que sempre nos apoiaram. Não deu pra segurar a emoção de ver as meninas, Marina, Michelle, Carol, Priscilla e Vanessa com os olhos marejados, escondendo as lágrimas que rolavam nos rostos iluminados destas nossas amigas queridas que nos apóiam há tanto tempo. Neste momento também senti que muitas pessoas se identificam conosco, sabem que sonhamos e que o sonho às vezes pode tornar-se realidade, nem que por um só instante. Eu resumo este sentimento em uma única pessoa naquele dia: Marina Dickinson, para sempre a número 1. Imediatamente após o show de sábado, voltei para minha casa em Gravataí, onde fiquei por quatro dias.

Sexta , 29/05, viajei para Ponta Grossa, no Paraná, onde tocamos para um publico muito legal. Na chegada ao hotel encontramos o ator “global” José Abreu, que estava estrelando uma peça na cidade. O cara foi gente finíssima, bateu papo, tirou fotos e inclusive falou que um dos filhos dele toca baixo em uma banda de metal chamada ”Bigorna”, pode? O local do show parecia um galpão com várias mesas de madeira, que aos poucos foram sendo agrupadas para montar um grande palco. O publico não decepcionou e tivemos a companhia de cerca de 350 pessoas para acalentar o frio de seis graus que fazia na cidade. Lá conhecemos a Márcia, super fã da banda. Após o show, ainda na madrugada voltei para casa para descansar mais seis dias.

Dia 05/06 embarquei para São Paulo, onde a van, o trailer e a carga já estavam me esperando para irmos a Uberlândia. Partimos a noite e na saída da cidade o contrário quase nos pegou. Ao ultrapassar um veículo pequeno, o vento forte fez com que o trailer saísse de lado e começasse a balançar, levando a van junto. Foram 10 segundos de terror, pois eu tinha certeza de que capotaríamos. Nosso motorista, Roberto “O Funkeiro”, conseguiu controlar a situação e dominou o carro fazendo com que ele parasse. Depois que o Roberto, “O Funkeiro” voltou a sua cor normal, seguimos viagem. Mas antes firmarmos um pacto de não ultrapassar a velocidade de 80km/h. Chegamos pela manhã em Uberlândia, direto ao hotel, que era praticamente ao lado do local do show. Aqui cabe um parêntese para falar sobre o London, onde tocamos. O lugar é perfeito, um pub com mezaninos e toda a estrutura para um bom show de rock de qualquer vertente. A organização foi impecável. Lá encontramos a Tati Ribeiro, o Nilson, o Zafá Gonzaga e sua namorada Letícia, todos excelentes músicos e amigos, que abriram o show do Hangar com a sua banda Soul Stone. Após o show, que foi um dos melhores, ficamos batendo papo e autografando e tirando fotos com todos até a madrugada. Enquanto o restante do pessoal voltaria a São Paulo no dia seguinte, o Martinez, o Nando e eu fomos para Mococa. Foi a oportunidade que tive para conhecer a pequena e aconchegante cidade e a família do Fábio, que nos recebeu muito bem. No sábado o Nando fez uma participação cantando na banda de covers do Fábio em Mococa. O local abarrotou de gente e o show foi muito legal com vários clássicos de Queen, Deep Purple e outros, enfim aquela velha e boa “gritaria”, no bom sentido é claro. Ficamos na cidade até 12, então pude conhecer tudo, inclusive o cachorro do Fábio, chamado Cordélio. Ele é um Rotweiller com cara de bravo, mas amável. Quer dizer, até certo ponto, pois fui pegar a bicicleta do Fábio para dar uma volta e ele do nada começou a me ameaçar. Imediatamente reagi com toda a minha força e gritei bem alto... “Fááááááábio!”, enquanto largava a bicicleta e saia correndo... Coisas inexplicáveis.

No dia 12/06, a van, o trailer e a carga passaram por Mococa e tomamos o rumo do planalto central do Brasil. Primeira parada: Goiânia. Chegamos ao final no dia e imediatamente fomos descansar. No dia do show, pela manhã, aproveitei para conhecer uma parte do centro da cidade, principalmente as lojas que vendiam camisetas de times de futebol do estado, Goiás e Vila Nova. Quase convenci a vendedora a me dar um desconto de 100%, mas acho que ela sentiu que estava sendo enganada e não fez negócio comigo. Antes e após o show fomos jantar em uma pizzaria, onde fomos atendidos por um garçom chamado Aquiles. Isto mesmo, homônimo do nosso Aquiles Priester. Imagina a confusão e a “pegação de pé” que foi. Coitado, o cara sofreu bastante naquela noite. O show foi muito bom, em um local que parecia um ”planetário”, sim, daqueles que vamos para ver estrelas e pontos da Via Láctea. A produção foi ótima e o show com bastante energia, com destaque para o pessoal de Anápolis, que viajou até Goiânia e agitou bastante.

Saímos apressados para Brasília. Chegando à cidade já dava para perceber que o local era diferente de tudo o que conhecíamos. Para começar os famosos endereços: Asa Sul, Bloco Norte, Seção 44, Distrito 23, Casa 98, Bairro Leste, etc... É claro que nos perdemos e ficamos estacionados em um posto de gasolina até que o produtor nos achasse e dissesse: “pó, é logo ali”. Cara de ?????? Fomos até o hotel na Ala “Hotel” de Brasília e lá ficamos até a hora da passagem de som. Chegamos ao local do show e para nossa surpresa, o palco não era muito apropriado para um show completo e tivemos que deixar os cenários de fora. A galera compareceu e o Nando mandou ver, embora o retorno para a voz não estivesse funcionando e ele soltasse um sonoro “filho da p...” no microfone. Reação do publico: todo mundo gritando “filho da p...”. Foi um show muito bom e encontrei nosso amigo Sombrio, que faz parte do blog APP, que como sempre me fez várias perguntas. No final do show pedimos umas pizzas e ficamos esperando. Uma hora depois, chegou um motoboy com uma sacola e o Aquiles pediu ao Martinez que fosse perguntar para ele de quem eram aquelas pizzas. O Martinez foi até lá e voltou correndo dizendo que as pizzas eram da “banda Valquiria”. Estranhei pois não havia nenhuma “banda Valquiria” tocando no dia. Fomos para o hotel e pedimos outras pizzas. E então descobrimos que a “ Valquiria” era a esposa do nosso contratante e as pizzas que chegaram no local do show eram realmente nossas, ou seja, uma pequena confusão patrocinada pelo nosso querido guitarrista Eduardo, que confundiu o nome da pessoa que pediu as pizzas com uma banda que não existia. Passados dois meses ele ainda sofre com a brincadeira, pois a cada coisa que pedimos para a banda Hangar alguém responde lá do fundo: ”Não... não é do Hangar, é da banda Valquirias” e todo mundo cai na gargalhada. Coisas de Eduardo, ah o velho Martinez... Não pegamos a estrada sem antes parar na frente do Congresso Nacional para tirar uma foto: nós, a van, o trailer e a carga. Mal saímos da van e lá já estava um carro da policia querendo saber o que aquele bando de macacos queria por lá. Alguém respondeu “é só uma foto moço” e saímos de ”fininho” antes que o Contrário aparecesse. Seguimos para São Paulo para prepararmos a jornada da semana seguinte: três shows seguidos em dois estados.

O show de 20/06 em Santo André foi acústico. Chegamos por volta das 15hs e ficamos impressionados com a infra-estrutura do teatro. Fomos recebidos pelo nosso amigo Dino, que imediatamente colocou sua equipe a nossa disposição. Foi à volta do Daniel Santiago e sua percussão. Neste show ele e o Aquiles fizeram um solo de bateria e percussão que deixou todos ligados. O teatro estava lotado e muitos amigos compareceram, como o César, a Marina, o João e a Carol. Desmontamos todo o cenário e imediatamente nós, a van, o trailer e a carga saímos em direção a Maringá. Como sempre fazemos nas viagens, as sessões de DVD são um caso a parte. Alguns gostam de aventura, outros de comédias, outros ainda de ficção cientifica, futurista, mas o Aquiles gosta mesmo é de sangue. Assistimos pela quinta vez o tal de Hannibal (aquele quando ele era jovem, sabe?). Nossa, chega uma hora que não da... Hannibal, Jogos Mortais, Albergues, etc... Estas coisas tem limites. Chegamos a Maringá na parte da manhã e encontramos nossa amiga Priscila Mamus, além do Lui e do Caverna, bateristas da cidade. Fomos para o hotel descansar e a noite seria o show. Não sei o que aconteceu com o Juninho (nosso contratante), gente fina, mas simplesmente não divulgou muito o show. A casa estava quase lotada. Nossa amiguinha Kelly estava lá com o namorado. Ela tem 15 anos e é apaixonada pelo Hangar, ficou tirando fotos o tempo todo. De qualquer maneira o som estava ótimo e todos saíram felizes. Pela manha saímos em direção a Curitiba, onde faríamos uma apresentação acústica em um bar chamado... Hangar. Legal, Hangar no Hangar. Fomos direto ao hotel e logo em seguida ao local do show, onde passamos som 30 minutos antes da apresentação. Curitiba dispensa comentários. Nossos grandes amigos sempre aparecem, a Lexus, a Luma estavam lá marcando presença e cantando todas as músicas. Saímos com a promessa de voltar a Curitiba no mês de setembro, quem sabe, seria a quinta vez este ano. Para nós seria motivo de muita alegria. Após o show fui direto para Porto Alegre e para casa.

Dia 28/06 rumei para Florianópolis, onde a banda, a van, o trailer e a carga estavam me esperando. Ainda na Rodoviária encontrei a nossa amiga Carol, que havia marcado uma entrevista para quatro sites e jornais locais. Ela levou o Martinez e eu até o local do show. Chegamos e a estrutura já estava montada, ótimo trabalho do Pepe (Gepeto, Vovô, Velho Maldito) e do Rodrigo (Bussano, Ave do Mau Agouro, Corvo Maldito), que ficam mais eficazes a cada dia que passa. O local era uma especie de danceteria gaúcha e me senti muito bem com todos aqueles símbolos conhecidos. O palco era bem alto e o som de primeira. Palmas para a produção do nosso amigo Fabiano, da Rock Produções, que planejou tudo muito bem. No final do show o Aquiles chamou-o ao palco e deu um prato de presente para ele, que ficou muito emocionado e fez um pequeno discurso enaltecendo o profissionalismo da banda. Foi um show com H maiúsculo. Imediatamente voltei para casa, pois nosso próximo show seria no Rio de Janeiro somente no dia 13 de julho.

Dia 08 de julho o Aquiles veio para Porto Alegre de carro para visitar seus parentes e no dia 09 o Martinez e eu aproveitamos a carona e começamos nossa viagem para São Paulo. No mesmo dia, passamos em Criciúma, onde gravei uma musica para o CD instrumental do guitarrista Adair Daunfenbach. Foi uma experiência interessante, o Aquiles gravou a bateria de uma música e eu o baixo para outra musica. O Adair é um guitarrista sensacional e com certeza vamos ouvir falar bastante dele nos próximos anos. Seguindo viagem, dormimos em Curitiba e dia 10 chegamos a São Paulo.

Dia 11 seguimos, nós, a van, o trailer e a carga, para o Rio de Janeiro. Chegamos à noite e o pessoal da produção já nos esperava com o Emilson e o Adam. Um dia antes do show aconteceu o workshop do Aquiles no SESC Madureira. Eu nunca havia ido ao Rio então aproveitei para conhecer ou avistar todos aqueles lugares que se tornam mitológicos nos meios de comunicação de massa: Madureira, Olaria, Praia do Flamengo, Bangu, Meyer, Tijuca, etc... Sim, eles existem não somente nas novelas, assim como a violência. Em todos os lugares que íamos as pessoas nos avisavam: o que você viu e vê na televisão existe. Sair do hotel nem pensar, embora o Martinez e eu tenhamos ido à praia do Flamengo para avistar o Pão de Açúcar de verdade, não o supermercado. Logo que chegamos à praia começou a chover e tivemos que voltar. Já no sábado durante o workshop encontramos nossos fervorosos amigos cariocas, Jorge Augusto, Joice, Bárbara, Suuh e vários outros que chegaram já com a camiseta do Hangar. Após a janta descansamos, porque domingo era dia de show, Dia Internacional do Rock.

Chegamos ao Sport Clube Mackenzie por volta das 17hs. O pessoal já estava chegando e o movimento era grande. Não havíamos imprimido o set list e, como era domingo, seria mais difícil achar uma lan house. Fui até a porta do clube e encontrei a fila, onde a Mônica e a Luana me ajudaram indicando um provável lugar onde conseguiria uma impressora. Elas eram fans da banda e ficaram surpresas quando me viram saindo correndo do local. Ainda deu tempo para uma foto. Após o show das bandas de abertura, muito boas por sinal, nos preparamos para subir no palco. A Vera Kikuti, nossa produtora, nos acompanhou nesta viagem, então tudo funcionou perfeitamente. Realmente o Rio estava esperando um show do Hangar. Tem um vídeo da banda tocando The Reason of Your Conviction na internet que mostra as pessoas, quase todas, com munhequeiras do “H”. Alias estas munhequeiras foram um sucesso. Durante o show o Aquiles chamou o Jorge Augusto ao palco e o agradeceu em nome da banda pelo esforço que ele fez para que o Hangar fosse ao Rio. O garoto estava emocionado. Depois do show saímos apreensivos, pois já era tarde e a volta a São Paulo dependia de uma passada pela Linha Vermelha na saída do Rio de Janeiro. Nossos guias indicaram um caminho melhor e conseguimos sair pela Linha Amarela com toda a tranqüilidade, lembrando dos bons momentos do show e de nossas antigas e novas amizades feitas na cidade maravilhosa.

Voltamos para São Paulo no dia 14 e o Aquiles foi direto para Araraquara fazer um masterclass. O Martinez e eu ficamos em São Paulo e tratamos de ir até o nosso tatuador, o Gilvânio, da Joker Tattoo, onde marcamos nossa pele com os “H” de Hangar. O Martinez fez no pulso, em verde e pequeno. Eu fiz no braço direito, um pouco maior e em preto. É, realmente tatuar dói, mas depois a gente esquece e quer fazer outra. Nunca ninguém me perguntou se eu tinha duvida sobre esta tatuagem, e eu realmente não tenho. o “H” já faz parte.

Dia 17 de julho foi dia do Anime Friends. Para quem não conhece, este evento acontece anualmente em São Paulo e reúne os admiradores de Animes, Mangas e HQ japoneses. Andar pelo espaço da feira é uma aventura. Os otakus (participantes) interagem com seus cosplay (fantasias) de super heróis, pokemons, narutos e diversos tipos de personagens. Nesta área eu dei uma furada grande ao perguntar, ”hey, onde estão os Cavaleiros do Zodíaco?” e fui prontamente fuzilado “eles já eram...”. Tipo assim, acho que realmente estou ficando velho demais pra esta brincadeira. Tudo bem, fazer o quê? Nos palco os shows eram sempre de J-Music ou J-Rock, música de desenho animado japonês. As performances eram irrepreensíveis. Bom, vamos ao Hangar. Antes do show tivemos uma grande sessão de autógrafos, patrocinada pelo Consulado do Rock, nossa parceira. Ficamos cerca de uma hora atendendo a todos os que passavam e queriam autógrafos ou fotos. A estrutura e a qualidade de palco e luz eram gigantescas. Acho ate que foi um dos melhores sons da tour. Os organizadores nos surpreenderam ao colocarem no fundo do palco o nome Hangar no telão com a mesma fonte que usamos que, digamos de passagem, não é fácil de achar. Foi um espetáculo visual muito interessante. Como sempre nossos amigos compareceram em massa, com grande quantidade de pessoas vestindo a camiseta da banda, o que fez a noite ficar mais especial. Abraço mais que especial a Van, ao João, a Carol, a Marina, a Letícia e ao César. Chegamos em casa cedo e tratamos de descansar para a mais nova aventura.

Antes de embarcar para o Nordeste, tratamos de verificar a edição do nosso DVD. Posso adiantar que as imagens e som estão excelentes. Também mandamos para a fábrica a nova edição do Last Time, com direito a um DVD-história da banda, de 1997 a 2005.

Nosso próximo show seria em Natal, o que fez com que ficássemos todos muito apreensivos. Viajar três mil quilômetros, com a van, o trailer, a carga e nós não seria nada fácil. Calculamos 50 horas de viagem e, como sempre erramos: foram 55 horas. Saímos de São Paulo na tarde-noite do dia 22 e seguimos rumo ao interior de São Paulo, depois Minas Gerais (Três Corações, Belo Horizonte, Ipatinga, Governador Valadares, Teotônio Otoni, etc), Bahia (Vitória da Conquista, Jequié, Feira de Santana, Alagoinhas), Sergipe (Aracaju), Alagoas (Maceió), Pernambuco (Recife), Paraíba (João Pessoa) e finalmente Rio Grande do Norte (Natal!). Infindável asfalto, passando pelo Brasil verdadeiro, de vastidão, distância, riquezas e pobrezas incalculáveis. Estas viagens fazem parte de um saber que não há preço. Pessoas diferentes do nosso cotidiano, lugares que agora já não são mais estranhos. Para descontrair, nosso parceiro DVD estava ali toda hora, amigo, reproduzindo o que quer que fosse, qualquer tipo de filme, qualquer mesmo... Deixa pra lá... Chegamos a Natal e fomos recepcionados pelo nosso amigo Delano. A produção em Natal foi especial, lugares excelentes, praia, etc. Ficamos apaixonados pela cidade. Na manhã do dia seguinte quando preparávamos para ir à praia do hotel, isto mesmo no hotel havia praia e piscina. Olhei pela janela e vi... sol? Claro que não, uma chuva torrencial sobre Natal. Fazer o quê?... Fomos a uma rádio e a uma televisão para uma entrevista. Na rádio foi uma festa, com direito a música, etc. Na televisão um fato curioso, junto com o Hangar iria ao ar uma banda de eletro rock que eu não lembro o nome. Chegamos ao local e os integrantes desta banda estavam bem eufóricos, era uma banda meio que, “eletro rock”, digamos que os meninos eram bem “alegres” no melhor sentido da palavra. Foi uma situação bem pitoresca ver o Martinez e o Aquiles, muito sutis, irem ao ar junto aos três integrantes um pouco mais “leves” desta banda. Eu ri muito com a cara de “estranho” que eles fizeram... Voltamos ao hotel onde encontramos nossa amiga e braço direito do Psycho Blog do Aquiles, a Srta. Michely Sobral, que veio direto de Fortaleza para assistir aos shows de Natal e Recife. A Michely estava bem humorada e nos divertimos bastante falando sobre o blog e o pessoal que freqüenta o mesmo. Nossos amigos queridos. Durante o dia recebemos a grande noticia do nascimento da filha do nosso querido Fábio Laguna. Foi legal ver o Fábio tão nervoso e contente ao mesmo tempo. Parabéns a ele e a família Laguna. A noite chegou e fomos para o show com a equipe e os produtores locais. O som estava ótimo e cerca de 500 pessoas compareceram ao local. No final o Aquiles chamou o Delano ao palco que foi ovacionado por toda a platéia. Saímos de Natal na manhã do dia seguinte em direção a Recife. A Michely aproveitou a carona e foi junto, dentro da van, lógico. Eu tive que sentar em cima de uma sacola de camisetas e curtir a viagem de 5 horas.

Recife é um caso a parte. Já seria a nossa quarta apresentação na capital pernambucana, que sempre nos recebe muito bem. Chegamos por volta das 14hs. A Joanna Litiel já estava esperando a Michely e as duas foram passear na cidade enquanto nos retirávamos para um bom descanso no hotel. À noite saímos direto para o local do show, o Armazém 14, onde tocaríamos e sairíamos direto para Salvador. Mais uma vez o Armazém foi liberado somente as 21hr o que fez com que tivéssemos que montar nosso palco em um tempo recorde de duas horas. Demos um tempo e à meia noite começamos a tocar. O público respondeu bem a pouca divulgação e compareceu em número razoável. O mais importante foi que apoiou a banda e cantou todas as músicas. Encontramos velhos amigos como o Júnior, que foi a todos os shows da banda na cidade. Depois dos autógrafos começamos a desmontar o palco e lá pelas quatro da manhã nos despedimos da Michely e da Joanna e embarcamos rumo a Salvador.

Para chegar a Salvador seriam 12hs de viagem. Nosso show estava marcado para as 19hs e já sabíamos que não iria dar tempo. Todos dormindo na viagem... A Policia Rodoviária baiana nos parou três vezes seguidas na mesma rodovia. Domingo à tarde o pessoal estava preocupado com a segurança no trânsito. Chegamos ao local do show às 18hs, exatamente uma hora antes do horário marcado para o inicio do show, ou seja, seria impossível começarmos no horário. Para completar, o palco era no segundo piso da casa e no primeiro estava rolando uma festa hip hop. Além disso, na rua já se aglomeravam cerca de 300 fans que já haviam comprado ingresso para assistir a banda. Descemos ali mesmo e com a ajuda da produção começamos a carregar tudo dois andares acima, passando pelos fans e pela festa hip hop. Começamos o show exatamente às 21hs, depois de passar o som às pressas. Talvez pelo cansaço ou pela pressa e adrenalina conseguimos realizar uma apresentação muito boa e, para nossa surpresa, a maioria do pessoal já conhecia as nossas músicas e cantou junto à noite toda. Vale lembrar que encontrei nossa amiga Gracielle, que havia ganhado uma credencial para acompanhar a passagem de som conosco. Depois dos autógrafos, me apressei, pois o Aquiles viajaria de volta a São Paulo de avião, já que no mesmo dia ele estaria embarcando para o Wacken, na Alemanha. O vôo sairia a uma da manhã e fui levá-lo ao aeroporto de Salvador na companhia de dois produtores locais e da Cielle. Despedimos-nos, desejando boa sorte na Alemanha e voltamos para o local do show onde o pessoal já estava terminando a carga. Despedi-me do pessoal, da Cielle e fomos direto ao hotel, onde pudemos descansar até a manhã seguinte e recobrar as energias para a longa volta para São Paulo, afinal seriam mais dois mil quilômetros de estrada.

Depois de tomar café saímos, nós, a van, o trailer e a carga em direção a São Paulo. Logo depois de Feira de Santana, ainda na Bahia, fomos parados pela Policia Rodoviária que nos apontou um problema em um dos pneus do trailer. Imediatamente pensei no “Contrário”, mas depois que desci, constatei que o mesmo estava a nosso favor e não contra. Um dos rolamentos da roda traseira esquerda esfarelou e a ela quase caiu, fazendo com que o eixo entortasse. Tivemos que voltar à cidade de Feira de Santana para conseguir alguém que fizesse o reparo, além de ter que comprar um pneu novo. Já era por volta do meio dia. Achamos um mecânico chamado Leandro, que era de Santo André, São Paulo, e nos ajudou muito. O serviço terminou às 21h, ou seja, 11 horas além do previsto para a nossa saída. Tudo bem, poderia ter sido bem pior e entendi que aquele policial rodoviário fez um bem á todos nós, a van, ao trailer e a carga. Saímos finalmente em direção ao interior da Bahia, quilômetros intermináveis passando por cidades que somente conhecemos pelos romancistas baianos ou pelos mapas rodoviários: Vitória da Conquista, Jequié... Até chegar ao interior de Minas Gerais, onde tivemos tempo para assistir a trilogia inteira de “O Senhor dos Anéis”. O Fábio, sua mala e seus equipamentos, saltaram da van no meio do caminho e da noite, em um posto de gasolina na rodovia Fernão Dias. Ele não suportava mais ficar na van e não via a hora de chegar em casa para ver a filha que havia nascido há quatro dias. Tentou a sorte e parece que conseguiu chegar algumas horas mais cedo em casa.

Finalmente chegamos em São Paulo no final da madrugada de quarta-feira. Desengatamos o trailer da van mais precisamente às 04h30min. O Martinez e eu ainda esperamos na Rodoviária até o meio dia e finalmente chegamos a Porto Alegre às 7hs da manhã de quinta feira! Viajar de segunda até quinta-feira por terra não é nada fácil não...

Este foi um resumo de nossa aventura. Gostaria de terminar falando que ao longo destes oito meses, com um intervalo de dois meses no verão, fizemos 37 apresentações em 12 estados, além de passar pelo Distrito Federal e pelo Paraguai. Visitamos 23 cidades, tocando para um público estimado em 25 mil pessoas e percorremos mais de 32 mil quilômetros pelas nossas estradas. Conhecemos pessoas que ficarão para sempre em nossas memórias e conseguimos firmar o nome de nossa banda para o público de metal, que tanto prezamos.

Na poderia deixar de agradecer a todos que participaram junto conosco, ao Daniel “Pepe, Velho Maldito” Fernandes, nosso técnico de som, pessoa importante e um amigo pra toda hora; ao Rodrigo “Bussano, Pássaro Maldito” Fantoni, que faz parte desta família, profissional ao extremo; ao Beto “Buba”, nosso homem de vendas, à Vera Kikuti, que cuida de nossa agenda; ao nosso webmaster-mor Gustavo Sazes, sempre pronto a nos atender; e especialmente às nossas famílias, pelo carinho e compreensão acima de tudo.

Marcar o nome Hangar na historia do metal brasileiro era uma das nossas metas, mas nunca imaginamos que seria tão rápido. Agradecemos a todos que compareceram aos nossos shows, aos organizadores e aos amigos que em cada cidade nos receberam tão bem. Terminamos apenas a primeira parte, mas a estrada já nos chama. Vem ai o DVD e muitas outras histórias a serem contadas, afinal, is just the beginning...


Nando Mello


CONVICTION TOUR 2007/2008 I 16.05.2008
postado por Fabio Laguna

Saudações Hangarianas!

Devido ao grande número de atividades em que estivemos envolvidos nos últimos 40 dias, o que segue abaixo é muito mais do que um diário! Mais ainda do que um semanário! Mais do que um mensário! É um QUARENTENÁRIO!!! Sim, estávamos em quarentena no Retiro Metal Hangar! Quarentena de ralação! Tanta coisa aconteceu que foi difícil lembrar de todos os detalhes mais sórdidos e picantes dos nossos últimos compromissos. Definitivamente o Hangar saiu do hangar.

O mês de março começou pegando fogo. Fizemos uma bateria de ensaios na primeira semana, pois no dia 8 teríamos o show mais importante da carreira do Hangar, que era a abertura para o Dream Theater. Antes disso, no dia 6, nos apresentamos no auditório do EMT (Escola de Música e Tecnologia). Esse pocket show foi uma prévia do que apresentaríamos na abertura para o DT. Além disso, foi um momento descontraído e de aproximação com nossos fãs e amigos, já que pudemos conversar com os presentes e tocar alguns covers que estão somente em nosso repertório acústico, como Queen, Beatles, Journey, etc. Aproveitamos o dia seguinte para conferir e limpar todo o equipamento. E passamos boa parte da tarde descendo toda nossa parafernália pelos três andares que separam o auditório da porta de saída do EMT.

O dia 8 de março foi um dia especial para a história do Hangar. Logo depois do almoço, seguimos para o Credicard Hall, onde mais tarde aconteceria o show do Dream Theater. Fomos muito bem recebidos pelo tour manager deles que, reciprocamente, ficou muito tranqüilo com o profissionalismo que apresentamos em todos os detalhes. Enquanto o Dream Theater passava o som, nós começamos a montagem do nosso equipamento na lateral do palco. E chegou a hora da nossa passagem de som. Como todo mundo deve imaginar, abrir show é sempre uma correria contra o relógio, porque as condições e prazos dados para as bandas de abertura são sempre apertados. Mas a gente se virou bem. Conseguimos passar todos os instrumentos com tranqüilidade. No meio da passagem de som o Aquiles desapareceu, rsrsrs, porque tinha que fazer umas fotos com o Portnoy para ilustrar a entrevista que será publicada na revista Modern Drummer desse mês. E no meio da nossa passagem de som, com o Aquiles de volta, os portões foram abertos e a gente pôde tocar uma música que não estaria no nosso repertório daquele dia. As pessoas reagiram como se já fosse o show! Foi muito legal porque pudemos perceber que teríamos pelo menos o respeito dos fãs do Dream Theater para o nosso show. Terminada a passagem de som, voltamos para o nosso camarim e esperamos ansiosamente pelo encontro que teríamos com os caras do DT. De repente, alguém da produção deles entra em nosso camarim e diz: “É agora!”. O Aquiles e eu já conhecíamos os caras pessoalmente de outras ocasiões, mas é sempre uma emoção muito forte encontrar com esses gênios. O encontro foi no palco do Credicard Hall. Só o LaBrie não compareceu, porque não estava bem. Aliás, foi por isso que os shows foram adiantados em meia hora. Não foi por causa do mau tempo. O James pegou uma virose e não estava bem. Enfim, cumprimentamos todos os caras e cada um foi automaticamente atraído pelo seu respectivo instrumentista, rsrsrs. Fiquei muito feliz pelo Jordan ter lembrado o meu nome! “Hey Fábio, prazer te ver de novo! Como está?” Conversei com ele sobre todos os assuntos, menos de música. Ele é inspirador, o exemplo claro de um artista nato, que não precisa de maquiagem ou caras e bocas pra se afirmar. É só ele começar a tocar e todo mundo entende porque ele é o tecladista mais reverenciado atualmente. O Mello tentou trocar algumas palavras com o Myung, mas todo mundo sabe que ele é uma pessoa muito tímida, rsrs. O Martinez conversou bastante com o Petrucci sobre equipamentos e o Aquiles ficou de papo com o Portnoy, que foi presenteado com um PshycoShoe.

Terminado o encontro, chegava a hora de se concentrar para o show. Tocamos 40 minutos para cerca de 6.000 pessoas. A resposta do público não poderia ter sido melhor. Saímos do Credicard Hall com a sensação de dever cumprido. Antes disso, nós pudemos assistir à atração principal da pista e entender mais um pouco porque o Dream Theater merece tanto o respeito que tem. Eles são simplesmente fantásticos!

O dia seguinte era um domingo. Dia sagrado de descanso? Que nada! Dia de trabalhar. Mal acordamos e já começamos a ensaiar nosso repertório acústico, pois teríamos um pocket show na Fnac do Shopping Dom Pedro, em Campinas, na segunda-feira, dia 10. E lá fomos nós para Campinas apresentar todo o peso do Hangar somente com violão, baixolão, piano, órgão e uma bateria totalmente atípica para quem conhece o set up do Aquiles. Começamos a tocar nossas músicas em versão acústica há pouco tempo atrás e pra gente é como voltar no início das composições, quando só usávamos violão ou piano. As pessoas podem entender melhor de onde vieram as idéias que deram origem ao TROYC. As músicas se tornam canções pra tocar na beira da fogueira novamente, rsrs.

Eu ainda não citei o Contrário nesse quarentenário né? Bom, que fique claro que ele nem precisa ser citado, pois está sempre ao nosso lado, rsrs. Por exemplo, depois desse show acústico em Campinas, tivemos que viajar com os equipamentos em baixo de chuva, pra variar.

Voltamos pra São Paulo, pois teríamos mais dois dias de ensaio para a gravação do programa Show Livre, no dia 13. Para quem não conhece, esse programa é apresentado pelo Clemente (Inocentes). Lá a gente também fez uma apresentação acústica e contamos mais um pouquinho sobre o Hangar. Quem ainda não conferiu, é só acessar o site www.showlivre.com. Terminada a gravação, desmontamos todo o equipo, carregamos e fomos descansar um pouco porque o dia seguinte seria de muita ralação.

No dia 14, pela manhã, começamos a nos preparar para a nossa turnê pelo Paraná, que em princípio passaria por Cascavel, Maringá e Curitiba. Toda a banda e parte da equipe foi se encontrar no estacionamento onde fica parado o nosso trailer, que finalmente estava finalizado com o novo adesivo do Hangar. Ficou muito bonito. É praticamente um outdoor ambulante chocando todas as pessoas por onde passa. E, como não podia ser diferente, o Beto, motorista da van, fez o grande favor de estreá-lo com honras ao mérito reconhecidas pelo Contrário. No primeiro dia de uso, no primeiro trajeto que fizemos ainda dentro de São Paulo, o motora raspou o trailer em uma árvore e lá se foi o adesivo novo... O trailer foi vítima do serial driver killer. Tudo bem, fazer o quê? A gente sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria. Só não esperávamos que fosse tão cedo. Bom, depois de tudo carregado, por volta das 7 horas da noite, partimos para Cascavel. Como fui sentado no banco da frente, fiquei de guarda motorista noturno. Na verdade, nem precisava, porque o Beto era bem consciente do que tava fazendo. Mesmo assim eu insisti na tarefa e não dormi nenhum minuto, até estacionarmos na porta do hotel em Cascavel, às 7 da manhã do dia 15. Enfim teríamos uma longa manhã para descansar... Ahahahaha, que sonho... Mal chegamos em Cascavel e já tínhamos duas entrevistas para fazer, uma às 9 da manhã e outra as 10. Todo mundo com a cara inchada na televisão! Depois fomos almoçar e daí sim, pudemos ter uma curta tarde de descanso.

Todo mundo semi-renovado, era hora de passar o som. O lugar do show era uma casa nova, a gente praticamente estreou o lugar. Terminada a passagem de som, fizemos mais uma entrevista para a Band TV e voltamos para o hotel para jantar e descansar mais um pouco. Voltamos para o lugar do show e esperamos terminar a apresentação da banda de abertura no camarim. Esse show teve um clima estranho. A banda tava cansada por causa da viagem e não havia ventilação no lugar. Digamos, não foi uma das nossas melhores apresentações. O mais louco é que no meio do show um moleque subiu no palco e fez um stage diving. A galera de baixo abriu a roda e o cara foi de cabeça no chão, ficando estendido por alguns segundos enquanto uma poça de sangue começava a se formar em volta da cabeça dele. Comoção geral. A banda parou, o Nando pediu desesperadamente para que os presentes acudissem o coitado. Depois ficamos sabendo que o cara era meio problemático e costumava apavorar em todos os shows. Ficamos sabendo também que ele continuou na rua, na porta da casa, com a cara toda ensangüentada, mas vivo. Enfim, esse episódio poderia ter um fim trágico para o Hangar. Imaginem só o noticiário do dia seguinte: “Garoto se mata em show de banda adoradora de serial killers”. Kkkkkkkkkk. Isso seria muito escroto.

Bom, entre mortos e feridos, o saldo do show foi muito positivo. Os próximos dois dias seriam de divulgação e descanso. Nós ficamos em Cascavel, pois teríamos um workshow com toda a banda no dia 18. Visitamos rádios, televisões, escolas de música, etc. Nesse evento pudemos conversar com as pessoas que tinham ido ao nosso show e outras não puderam comparecer no mesmo. Para usar ao máximo a ocasião, montamos toda a nossa estrutura para simular um show e já aproveitar para ensaiar em condições reais.

Em meio a toda essa correria, ficamos sabendo que o show de Maringá, que seria no dia 19, havia sido cancelado. Mesmo assim, nesse dia partimos para Maringá que, de certa forma, ficava no caminho para Curitiba, cidade em que faríamos uma apresentação no dia 20. Nós decidimos ir para Maringá como forma de respeito aos nossos fãs, já que o show tinha sido cancelado com apenas 2 dias de antecedência. As pessoas que haviam nos contratados simplesmente decidiram cancelar porque achavam que não teria público o suficiente. Daí pergunto, se eles explodissem de vender ingressos nós receberíamos um centavo a mais por isso? Fomos à mídia local para esclarecer que a banda não tinha nada a ver com o cancelamento e, à noite, no horário do show, ficamos em frente à porta da casa onde seria a apresentação para atender a todos os fãs que se sentiram prejudicados com tal absurdo. Pouco antes disso, o Contrário agiu com toda a sua força: o engate que prende o trailer à van simplesmente quebrou!!! Para a nossa sorte, estávamos em uma rua plana, o que impediu uma tragédia. E contrariando todas as peripécias do Contrário, logo em frente ao local onde aconteceu o acidente havia uma serralheria. Era noite, mas havia um funcionário fazendo hora extra e ele disse que poderíamos estacionar o trailer dentro da serralheria para que fosse arrumado no dia seguinte bem cedo. Começamos a empurrar o trailer para guardá-lo quando um carro entrou no meio do caminho. Todo mundo começou a gritar delicadamente coisas como: “Hey!!!”; “Sai da frente seu louco!” “PQP!!!”. E o cara do carro, que minutos depois descobrimos ser o dono da serralheria, colocou a cabeça para fora e, olhando com severidade, respondeu com seu sotaque paraguaio: “Lôco san vocês!”. Isso foi motivo de piada por um bom tempo. Apesar disso, o cara foi muito gente boa e nos atendeu naquela tremenda roubada. Fomos jantar e voltamos para o “hotel”, ou sei lá como chamar o lugar que ficamos hospedados. As camas eram de alvenaria e tinham uns buracos bem propícios para criação de barata. E lá estavam elas.

No dia seguinte, acordamos bem cedo porque tínhamos que pegar o trailer no conserto e seguir viagem para Curitiba. Assim que deixamos Maringá o Contrário contra-atacou forte! Começamos a sentir cheiro de borracha queimada e o Nando colocou a cabeça pra trás e disse que estava saindo fumaça do pneu do trailer. Só levaram a sério depois que ele insistiu umas três vezes. Paramos a van em uma avenida paralela a rodovia e vimos que um dos pneus do trailer estava pegando fogo! Corre-corre geral! Cadê o extintor?!?! Pra ajudar, um ônibus só com mulheres de todas as idades (coisa de filme!) parou do nosso lado e as engraçadinhas começaram a fazer piadas como: “Ai que calor!”; “Apaga o meu fogo”. Foi foda. Descobrimos que com o acidente da noite anterior, o freio de uma das rodas do trailer ficou travado e a única solução seria continuarmos a viagem sem os freios da carreta. Metal extremo! O Beto, motora, soltou os freios e seguimos viagem.

Toda essa confusão serviu para atrasar nossa chegada em Curitiba em mais de 3 horas. Conclusão: chegamos no Opera 1 e todo mundo meteu a mão na massa pra aliviar o atraso. Agradecemos muito pela compreensão das bandas de abertura local porque nossa passagem de som acabou atrasando muito. Antes disso, ainda tivemos uma tarde de autógrafos, também atrasada pelos mesmos motivos.

Depois de passar o som, fomos ao hotel para um banho rápido, jantamos e voltamos para o local do show onde pudemos conferir as últimas músicas da banda curitibana Dragon Heart. Hora do show. Para mim, esse foi nosso melhor show. Acho que estávamos tão putos com toda a merda que aconteceu nesse dia que sobrou muita energia pra botar pra fora. E boa parte dessa energia foi canalizada nesse show. Nunca tinha visto o Hangar tão rock’n’roll, se é que vocês me entendem, rs. Terminada a apresentação, atendemos a todos os presentes, como fazemos sempre. E como fazemos de vez em quando, especialmente quando estamos atrasados, fizemos um mutirão e carregamos toda a tranqueira escada abaixo para dar uma força para a equipe que, como também acontece de vez em quando, foi deixada na mão pelos carregadores. Era hora de voltar para o hotel e descansar um pouco, pois no dia seguinte ainda tínhamos que voltar para São Paulo sob a luz do dia já que o trailer de quase duas toneladas, além de estar sem freio, também estava sem iluminação, já que o acidente de Maringá também destruiu todos os cabos da parte elétrica.

O show que teríamos no dia 22, em Guarulhos, com o Sepultura, foi cancelado dias antes e assim tivemos alguns dias de folga para repor as energias e se preparar para uma nova maratona de compromissos.

Olá galera, é um prazer e uma honra participar do Hangar e seus dias diários, noturnários e ininterruptos. Quem assume o relato aqui é Eduardo Martinez e o estilo narrativo pode mudar um pouco. Afinal não é por nada que o meu apelido na banda é L0co. Bem, como dizia o físico da língua pra fora: tudo é relativo, tempo e espaço se confundem na estrada criando um novo conceito de dobra temporal que nós cientistas costumamos chamar de “o dia da marmota”. A prova cabal de sua existência é o filme que nós cientistas costumamos chamar de “o feitiço do tempo”. Apesar de toda a lógica estamos realizando shows, workshops e cargas nunca antes vistos, numa rotina sem fim de surpresas, desafios e novos amigos. Hangar e Sepultura no Sesc de Santo André, mais uma noite para lembrar e contar para os netos. O dia 28 de março começou como um dia da marmota normal, com muita caaaaaarga. Esta é uma parte imprescindível. Eu só tenho uma banda por causa da carga. Shows, música, dinheiro nada disso importa. Quem conhece a carga sabe que não há nada melhor. A carga quer você. Bandas que viajam de aviãozinho estão perdendo o melhor do Roquenrou que é levar caixadas e sub-badas em plena face logo de manhã cedo. Bem, chegando ao Sesc a nossa equipe, que já está em um nível muito top de entrosamento na gig começa a analise do perímetro para a descarga da carga. Nesse momento tive meu reencontro com um dos integrantes da fase áurea do Sepultura: no exato momento em que eu saio de trás do trailer com um dos nossos tocos jumbo de madeira (usado para calçar a carga), esbarro no senhor Andréas Kisser chegando para mais um dia de trabalho. Foi uma saudação bem metal, tipo uma paulada de boas vindas. Felizmente nenhum guitarrista saiu ferido. Nem o toco. E nem a carga. Naquele momento me dei conta que era a segunda vez que tinha a oportunidade de dividir o palco com o Sepultura e dar pauladas nas pessoas. Faziam 17 anos da primeira, em Porto Alegre com minha banda anterior, no show da tour de lançamento do Arise. A vida dá voltas e muitas cargas, shows, discos e principalmente anos depois, a mesma oportunidade de mostrar para o público de um dos maiores nomes do metal mundial o show da minha banda. E foi uma paulada... Como não podia deixar de ser em um show de abertura a passagem de som foi bem corrida e na pressão, mas tudo muito sossegado pois o respeito entre as equipes e o profissionalismo eram a lei. Subimos “pontualmente” mesmo, e na hora que o Arnaldo declara que finalmente encontrou a paz de novo, e que de alguma forma a dor de dentro de seus olhos ainda é apenas o começo, já estamos na beira do palco, punhos cerrados ao alto saudando a galera que já nos viu no escuro e começa a gritar por que sabe o que vem depois daquela voz. Aí a paz acaba e o inferno começa. Ou melhor, Heaven, pois é nessa hora que tudo faz sentido pra mim. Os primeiros segundos de um show do Hangar superam até a carga. A adrenalina vai acumulando e explode após duas contagens no chimbau. Tivemos uma recepção com cabeça batendo, roda no meio da galera, gente cantando as músicas e até um coro gritando “Hangar, Hangar”. Não podia ser melhor.

E segue a carga, rumo ao workshop do sr. Aquiles em Criciúma. É sempre uma grande emoção ver a galera ouvindo atentamente as nossas músicas e uma festa ouvir as incríveis respostas do Aquiles as não menos incríveis perguntas. Quando saímos de lá deixamos um rastro de camisas do Hangar nas pessoas, hehe. E grandes amigos que nos receberam e hospedaram em suas casas, fazendo as coisas acontecerem com muita carne, cerveja e hospitalidade: Adair Daufembach, Gilson Naspolini, e Thiago “Homer” Daminelli. Fomos acomodados na casa de praia do sr. Homer na noite da nossa chegada após é claro uma pequena descarga. Estávamos próximos de Criciúma mas como não era verão a praia estava deserta e as casas vazias, ninguém na rua, frio, nada aberto: praia fantasma. Nesse clima Aquiles acorda para mais um dia de workshop e resolve sentar na porta da casa pra tomar um café sossegado. Imagine um sujeito barbudo, de boné e sem camisa, com uma vaca fumando tatuada no peito chegando de longe no meio da rua e mais ninguém por perto. O tal sujeito lembrava o personagem psicopata do filme Kalifornia. Então o Brad Pit cover vem chegando com uma espada na mão... Isso mesmo, não era um facão, era uma espada daquelas medievais que ficam em cima da lareira junto com o brasão da família. Sobra pouco tempo pra decidir o que fazer, e o tal maluco já está na calçada vindo pra cima, devagar e sempre com o ferro na mão. Seria um bom momento para um “bom dia, como vai, vem sempre aqui?” Sorte que o escudo daonde saíra a tal espada era da família Daminelli e o assassino em potencial era primo do Homer. Ele não sabia de nada e só estava chegando pra dar uma conferida naquele bando de peludos que estavam lá invadindo a casa. Ninguém saiu ferido de novo. Só a xícara de café, que lascou quando o Polvo caiu pra trás naqueles segundos em que virou personagem de suas letras: a vítima...hehe. Eu e o sr. Nando Mello aproveitamos para depois do evento pegar um ônibus rumo a Porto Alegre/Gravataí e recarregar as veias com chimarrão para a próxima etapa.

O pocket show acústico do Hangar na Fnac do shopping Barigui em Curitiba, Paraná, 10 de abril de 2008... Um capítulo de carga e novos amigos como o sr. Vinicius “PopKieds” e mais um exemplo de hospitalidade e brodagem muito além do jardim. A repercussão do show elétrico se fez sentir e muitas pessoas repetiram a dose fazendo com que naquela tarde ficasse difícil tomar um café no Franz da Fnac, pois havia cerca de 200 pessoas e a cerveja predominava. Efeito também da nossa participação ao vivo na radio rock 91, aonde fizemos uma hora de programa e algumas músicas ao vivo, voz e violão. Neste show fomos todos presenteados com retratos a lápis feitos pelas irmãs Maely e Noemy, obrigado pelo carinho! Feito o show, que foi modéstia a parte em nome da banda muito bom e após bate papo, fotos, com toda galera (obrigado pelos sonhos Srta. Lexus!) mais uma do contrário: carga na chuva, uma festa...

Seguimos para Tubarão aonde dois eventos nos aguardavam: workshop e show acústico no Rancho Aromáticos em São Ludgero, Santa Catarina. No workshop estávamos todos presentes e tocamos algumas músicas na versão acústica, convidando os presentes para o evento em São Ludgero. Após mais um exemplo de hospitalidade, churrasco e confraternização na fazenda de mini-vacas (mini wacken open air...) do promotor Marcão, que junto com o também promotor e batera Éder Medeiros nos proporcionaram uma jam noturna.

Em São Ludgero nos deparamos com uma propriedade voltada ao entretenimento, ou seja, a festa. O rancho (e banda) Aromáticos na verdade é um local de encontro e confraternização dos músicos e proprietários Hélio “Pato” e Fábio “Painho” que dão um show de hospitalidade abrindo a festa semanalmente para a comunidade, com muito galeto e cerveja. A estrutura do local é praticamente “urbana” e estava lotado. Encontramos até um holandês perdido na festa. Este foi um dos shows acústicos mais pesados, amplificamos os violões com cubos e mandamos ver. Foi uma surpresa muito agradável ver nossos novos amigos de Criciúma lá presentes também. Obrigado galera.

Próxima etapa: Rio Grande do Sul para os únicos show do Hangar até o momento no estado natal da banda, show acústico em Porto Alegre e show elétrico no Hangar 18 em Gravataí rock city. O acústico foi no pequeno mas excelente auditório lotado da Estação Musical, dia 29 de abril, aonde pudemos sentir o calor da galera de perto. No dia seguinte, sem respiro, passagem de som e Hangar ao vivo para todo estado no programa Radar, com muito bate papo. Pudemos tocar 5 músicas e dividir o programa com o ilustríssimo sr. Tony da Gatorra... De volta a Gravataí na mesma o frio nos colocou de volta ao palco elétrico do qual já sentíamos falta, e fizemos um show muito bom para uma galera muito especial. Estavam presentes o sr. Flávio Soares do Leviaethan, Francis e Magnus da Scelerata, Sabrina Star e Marcelo Rodrigues da Riffmaker, Hércules, Rogério e Strapazon, que aproveitaram pra me botar no palco de novo após o show do Hangar para uma participação relâmpago da Lápide. Enfim foi um show entre amigos e o profissionalismo dos proprietários Fábio e Priscila foi total.

Hangar e Queensrÿche no Chevrolet Hall de Belo Horizonte, Minas Gerais, dia 10 de maio de 2008. Mais uma data histórica, que ano está sendo este para a nação Hangariana. A oportunidade de dividir o palco com bandas como Queensrÿche, Dream Theather e Sepultura. O metal sem limites. Nessas horas em que estamos na van prontos para mais uma carga, montagem e passagem de som me dou conta que é real, é a nossa vida agora. Enquanto sr. Tate e banda passavam o som ‘até quando quisessem’ (estava escrito assim no cronograma, hehe, nada mais justo) preparávamos nossa invasão (consentida, é claro, em bom inglês pelo tour manager deles ao nosso tour manager, técnico de palco, responsável pela montagem da bateria, roadie e azedador desagradável Rodrigo “Bussano Pássaro Maldito” Fantoni). Montamos os 4 biombos do cenário, passamos o som e seguimos a risca o que nos disseram: “from this line to the front of the stage you can do whatever you want”. E aproveitamos pra fazer nosso melhor show de abertura até então, com o cenário completo. BH e o sr. João Eduardo da Cogumelo estão de parabéns, somos muito gratos pelo profissionalismo com que fomos tratados. O que se podia esperar de uma terra que nos deu o início dessa cena nacional que hoje é reconhecida mundialmente? O sr. Nando como fan do sr. Tate assistiu o show dos Headliners sem piscar e nos fez um relato muito interessante dos hábitos de um grande vocalista em seu habitat natural. Durante as passagens instrumentais mr. Tate se retirava para a lateral do palco e repetia o seguinte ritual: fazia algumas anotações sobre sua própria performance (todas aparentemente positivas pois o show estava ótimo), disparava um spray na garganta com uma pequena vocalização e saboreava um chá quente servido por seu acessor pessoal, um sujeito de certa idade (tipo eu, hehe) muito alto e magro com quem troquei algumas depois do show (durante a carrga..) e na final do Wacken em SP. Ele agradeceu a gente pelo nosso show! Para um gringo era um cara muito afetuoso e não escondia o quanto tinha gostado da banda. Inclusive pelo que me consta foi assim que ele chegou para integrar a equipe do Queensrÿche, como um grande fan disposto a trabalhar. E não foi assim que viemos todos parar aqui?


A arte de desafiar os próprios limites... A arte de ser enganado pelo contrário... parte 1 I 15.01.2008
postado por Aquiles Priester

Estava chegando à hora de ir para o campo de batalha... Na verdade já tínhamos ido para um belo aquecimento em Teresópolis, mas queríamos ver realmente quem agüentaria a PPD (pressão psicológica desnecessária), porque com a gente é assim, trabalhamos no limite até onde não precisa, só pra se fortalecer e não espanar... Espanar significa para nós, quem vai pedir para sair... Porca e parafuso tem rosca e quando um não agüenta, espana...

Tudo começou com uma bateria de ensaios em SP num estúdio onde montamos todo o equipamento como se estivéssemos no palco. Isso faz com que nossas referências no ensaio sejam as mesmas que temos ao vivo em nosso show. Outra coisa bem importante, é que não usávamos o ar condicionado para simular ainda mais o calor do Nordeste. Imagina o cheiro dessa sala, mas como já dissemos, tudo tem que ser suado...

Após três dias de 8 horas consecutivas de ensaios devidamente documentados através de fotos pela Raquel (Sra. Martinez) recebemos os apresentadores do programa Stay Heavy Vinícius Neves e Cíntia Diniz para um grande bate papo sobre os planos da banda.

Terminado essa parte fácil, começamos a desmontar todo o equipamento para colocá-lo pela primeira vez no nosso trailer e isso deu muito trabalho a todos. Tivemos que fazer muitos testes para acomodar tudo. Saímos do estúdio às 5h00 da manhã. O planejado era que a viagem começaria no dia seguinte às 15h00, com direção a Maceió em Alagoas. No entanto, para isso acontecer, acordamos todos bem cedo para buscar o restante do equipamento e ver os últimos detalhes do nosso transporte, já que a van que nos levou instalou um engate especial para puxar nossa carga, mais de 2,5 toneladas. Conclusão, depois de muita atividade só conseguimos sair de São Paulo às 8 da noite. A primeira parada só chegaria 40 horas depois e assim que entramos na van começamos a assistir todos os filmes que estavam disponíveis, e o primeiro deles foi o Tropa de Elite, só para ficar claro para todos que essa viagem não seria fácil... Até parece que alguém não sabia...

Viajamos por via terrestre para poder levar toda a estrutura de palco da banda e, dessa forma, fazer um show com maior qualidade visual e sonora. Ninguém sabia o que estava por vir...

Até Maceio foram 40 horas em que fazíamos de tudo para passar o tempo, até uma brincadeira chamada “banda com a letra?”, escolhíamos uma letra e começávamos a falar nomes de bandas com aquela letra, e o Nando sempre ganhava, mesmo eu colando da lista do meu laptop.

Todos vestiram roupas apropriadas para a viagem como bermudas, camisetas e chinelos, primeiro motivo para tirar sarro, pois não nos vemos sempre com esse visual. Aos poucos as brincadeiras pesadas foram aparecendo como quebra-quebra e empurra-empurra, sempre iniciadas por mim. Não importava a hora que a van fazia a parada, assim que o primeiro descia, já começava a espancar o próximo e assim se sucedia até o último. Toda banda entrava na roda e também a equipe técnica que era formada pelo Bussano, nosso coringa, também conhecido como “o desagradável”, o Daniel, nosso técnico de som, e o highlander Buba, além dos motoristas Léo e Flavinho, que logo apelidamos de Jaspion e Shazzan (coitados, os caras nem imaginavam onde estavam se metendo).

O Mello foi o primeiro a mostrar sinais de “espanação” pelo corpo... O pé dele ficou inchado, cheio de veias aparentes, tava igual um pão molhado, um legítimo pé de velho, seu apelido oficial... Nessa viagem o pessoal logo começou a acumular escoriações pelo corpo e sinais de inchaço devido às brincadeiras bruscas, entre elas tapas, bicas, chinelas, socos, montinhos além de uma série de outras que não podem ser citadas aqui...

Chegamos a Maceio depois de 40 horas de viagem e com um bom humor incrível e fomos logo para o quarto conferir todo nosso merchandising, ou seja, contar, listar e separar camisetas, adesivos e cds. Aqui no Hangar a gente trabalha o tempo todo, forever, forever, forever...

No dia seguinte fomos para uma tarde de autógrafos organizada na loja World Rock, na seqüência, para a passagem de som na casa de show Oráculo, um barracão antigo todo decorado muito legal.

O público participou de forma muito ativa na primeira aparição da banda na cidade e nós fizemos questão de fazer um show bem longo para agradecer essa energia.

No dia seguinte seguimos para Recife e chegamos lá às 22h00 e, como geralmente acontece, tivemos que trocar de hotel devido ao tamanho do nosso trailer, “mas quem disse que a vida é fácil...” (frase do filme Tropa de Elite).

No dia seguinte, devido ao uso do local do show para outro evento, a equipe técnica só conseguiu entrar para começar a montagem depois das 18h30 e, por causa disso, começamos um efeito cascata que só terminaria no dia 19/12, quando estaríamos chegando a nosso destino final, Assunção, capital do Paraguai...

Não teve jeito, a banda teve que meter a mão na massa para ajudar a equipe técnica e tudo aconteceu muito rápido e continuávamos a nos divertir. Isso é regra, pois tudo na banda é motivo para dar risada e tirar sarro... Geralmente estamos sempre bem atentos para não deixar nada na reta.

Chega à hora do show... Já conhecíamos o público de Recife e sabíamos o que esperar, e não nos decepcionamos. O publico participou ativamente de todo o show e virtude disso fizemos a apresentação mais longa da banda até então. A banda se emocionou com o coro da galera em músicas como To Tame A Land e Inside Your Soul. Outro momento marcante foi a participação dos vocalistas das bandas de abertura na musica Tears Of The Dragon.Terminamos o show com um grande astral e na seqüência já estávamos no meio do público para fotos, autógrafos ou simplesmente para bater um papo, uma verdadeira FESTA!

No final de tudo, fomos para o hotel? Claro que NÃO! Antes, ajudamos a equipe na desmontagem e carregamento, chegando ao hotel quase às 7h00 da manhã. De tão cansados, tinha gente vendo caveirinhas e caderudos pelos corredores. Às 8h30 a equipe chegou para um banho e já partimos para Aracaju. Dormimos na viagem e nem almoçamos para ser mais rápido... Chegamos a Aracaju às 17h30, depois de 500 km, o show estava marcado para as 17h00, ou seja, ao invés da banda ir para o hotel descansar, mais uma vez metemos a mão na massa para ajudar a equipe que também estava tão cansada como nós, quase espanando. Em tempo recorde estava tudo pronto e deu tempo de tomar banho antes do show que começou por volta dàs 22h00... Nessa hora aconteceu à primeira “espanação”... O Daniel mostrando as mãos tremendo chegou e disse: “Meu, desse jeito eu não agüento... É muita pressão...”. Logicamente caímos na gargalhada e já amontoamos em cima dele...

O público compareceu em peso e nos surpreendemos com a participação do mesmo. Quando tocamos a música “Call me in the Name of Death” percebemos que a galera já conhecia bem a música e geralmente essa é a hora mais emocionante do show, pois podemos ver as pessoas cantando e levantando as mãos para o Nando.

Termina o show e mais uma vez ficamos atendendo todos os fãs até todos saírem e novamente “carregamos corpos” para ajudar a equipe... Para variar fomos “enganados pelo contrário” (vocês ainda vão saber o que isso significa), é que faltou luz e tivemos que terminar de desmontar tudo na escuridão, com lanternas... Logicamente, assim que terminamos todo o trabalho, o “Murphy”, primo do contrário, foi lá e ligou o disjuntor e tivemos luz novamente... Tem coisas que só acontecem com a gente...

Só chegamos ao hotel às 5h30 da manhã junto com a equipe para um banho e pegar a estrada com direção a São Paulo e depois para Foz. Tínhamos 2000 km pela frente e não tínhamos nem tempo para dormir num hotel, pois se dormíssemos, não chegaríamos a tempo em São Paulo, Foz do Iguaçu e muito menos ao Paraguay... Nunca ficamos tanto tempo numa van... Vários quebra-quebras rolaram para nos divertir e só chegamos em São Paulo depois de 45 horas de viagem e com um atraso de 6 horas, devido a um desastre com duas carretas que bateram de frente, cem metros a nossa frente, uma carregada de mangas e a outra com bebidas. É impressionante como aparece gente de todo lado pra pegar a carga, e eles são organizados, já começam a empilhar as caixas na beira da pista e falam ao celular pedindo reforço para carregar, até parece que já sabiam que tudo aquilo ia acontecer. Foram muitas horas de agonia, tanto para quem estava vendo os motoristas serem retirados do meio das ferragens, como para nós que estávamos com o tempo mais do que apertado e naquele momento, muito atrasados. Liberada a pista logo estávamos na estrada novamente, com nossos motoristas completamente espanados, graças a Deus só paramos em São Paulo.

Chegamos às 21h00 de terça-feira dia 18 e precisávamos estar em Foz do Iguaçu (que fica há 1200 km de SP) até as 12h00 do dia 19... Tínhamos tempo suficiente...

Tiramos o equipamento do trailer e carregamos o carro (uma pick up) com as bagagens mínimas e conseguimos sair às 11h30 do estacionamento. Passamos na casa do Nando, colocamos sua mala embaixo da lona e fomos embora pela rodovia Castelo Branco... Novamente fomos “enganados pelo contrário” De repente o Fábio falou para olharmos a lona do carro, que parecia solta e ver se estava tudo bem... Demorei um pouco para aceitar até avistarmos um posto e parar... Foi quando vimos que a mala do Nando tinha caído na estrada, ou sabe lá onde, com toda sua bagagem e isso incluía as roupas normais, as roupas do show, calçados, objetos pessoais de higiene, uma pasta com todas as letras do show etc... O Nando não acreditou quando viu que aquilo tinha acontecido – a gente estava preste a conhecer o Contrário, aliás, ele já estava com a gente faz tempo, só faltava a gente perceber. O Nando o Martinez saíram correndo na contra mão pela rodovia para ver ser achavam alguma coisa... Eu e o Fábio fomos de carro encontrar algum retorno e o Mello ficou lá coçando o saco, cuidando do seu pé inchado e torcendo pra tudo aquilo acabar logo, pois tínhamos muito chão pela frente. No meio do caminho o Nando me liga e diz que um caminhoneiro falou que passou em cima de uma mala há uns 20 km para trás, isso porque estávamos no km 107 da rodovia Castelo Branco, e o caminhoneiro disse que atropelou umas roupas no km 80. Achamos um retorno e começamos a voltar bem devagar e com os faróis altos pra iluminar toda a pista foi ai que...


A arte de desafiar os próprios limites... A arte de ser enganado pelo contrário... parte 2 I 15.01.2008
postado por Fábio Laguna

...Chegamos ao local da “tragédia” havia roupas espalhadas sobre uns 500 metros de asfalto, acostamento e canaletas. Foi impossível não achar a situação engraçada, por mais desagradável que fosse. Enquanto o Aquiles iluminava a pista com o carro em zigue-zague, eu seguia recolhendo os “corpos” do Nando e, como sempre, na companhia do nosso amigo Murphy, que dessa vez nos presenteou com uma chuva! Pra ser sincero começamos a pegar as roupas rindo e terminamos muito mal, pois sabíamos o que aquilo significava para nosso parceiro.

Chegando novamente ao posto onde havíamos parado para conferir a lona da carga, vimos à cara de desespero do Nando querendo conferir o que tínhamos conseguido recuperar e, para nossa surpresa, tínhamos recuperado quase tudo!

Com a mala totalmente destruída devido aos ininterruptos atropelamentos sofridos pelas carretas, caminhões, carros etc, a nova mala do Nando até a volta para o Brasil foi um saco plástico preto, de lixo é claro!

Esse episódio foi responsável por mais de duas horas de atraso. Além disso, a chuva continuou por toda madrugada e por boa parte da manhã. Todos estavam exaustos e viajando a base de algum estimulante leve, como café, “arrebite” e Red Bull, e muita conversa fiada para não deixar ninguém dormir, mas mesmo assim fizemos uma parada de meia hora num posto de gasolina, onde o Aquiles deu uma dormida rápida. O Nando chegou para o Aquiles e disse: - Meu, deixa eu dirigir que estou bem... De tão cansado, o Aquiles nem conseguiu construir uma frase para responder e fez um barulho com a boca que ninguém entendeu... Alguns minutos depois o Nando estava roncando com a boca aberta... Depois de acordar, Nando desfilou seu repertório inacabável de piadas lá pelas 9 da matina... Tudo valia... Até mesmo peidar, se isso fosse manter os outros acordados.

Foi com esse propósito de manter todo mundo acordado que no meio da baboseira geral conhecemos o “Contrário”, o amigo distante do Murphy. Tudo começou quando o Aquiles queria fazer um caminho onde a estrada fosse melhor e foi “enganado pelo contrário”, pois ele quis mudar o caminho que estava acostumado a fazer quando ia fazer workshops por aquelas regiões e de repente caiu na mesma estrada... Com isso começou oficialmente toda a trajetória dos “Enganados pelo contrário”...

O Contrário enganou todo mundo! Disse que era fácil ter uma banda, viajar 60 horas seguidas, comendo pão de queijo, coxinha e café, sob chuva, sem tomar banho. O mais enganado pelo Contrário durante toda turnê foi o Martinez. Ele ouviu pelo menos 500 vezes entre São Paulo e Foz do Iguaçu: “Você foi enganado pelo contrário”. Depois de tanta pegação no pé ele começou a demonstrar sinais claros de “espanação”, ficando cada vez mais confuso com tudo que se dizia pra ele e, então, bla bla bla bla bla...

No decorrer da viagem fizemos uma seção de limpeza nos backing vocals das músicas do novo CD, isso é sempre bom!

Chegamos a Foz com o Nando imitando o Gil Gomes e contando casos envolvendo todos da banda, principalmente quem? O Martinez é claro. O Contrário e o Murphy nos receberam novamente quando retirávamos as bagagens da caçamba da camionete: entre outros, a bolsa do Mello, o baixo, muitas camisetas do Hangar e o teclado estavam ensopados.

Carregamos a van que nos levaria até o outro lado da Ponte da Amizade, em Ciudad Del Este, já no Paraguai. Depois disso, descarregamos tudo, novamente, e carregamos outra van que nos levaria até Assunção. A van era pequena e a gente teve que se misturar aos equipamentos durante as 6 horas finais de viagem que se sucederam, numa temperatura de 40°C.

Entre nossos compromissos em Assunção para este dia, havia uma coletiva de imprensa e uma sessão de autógrafos. Devido ao efeito “cascata” que começou em Recife, infelizmente não chegamos em tempo de realizarmos a coletiva, mas incrivelmente cerca de 50 fans nos esperaram até as 11 da noite (a sessão de autógrafos estava marcada para as 8 e disseram que tinha fã desde o meio dia lá!!!), atendemos a todos assim que chegamos em Assunção, do jeito que estávamos, depois de horas, dias de viagem, sujos, fedidos, descabelados, e ainda assim fomos aplaudidos quando descemos da van, aliás a galera metal do Paraguai está de parabéns pelo respeito que nos trataram.

O dia ainda não havia terminado. Corremos para o hotel para tomar um banho rápido e espalhar os itens ensopados pelos quartos para que secassem. Seguimos então para uma chácara da família Puro Rock Producciones, onde uma grande festa nos esperava, com direito a queima de fogos na nossa chegada, “mariachis” cantando uma música que falava sobre boas vindas aos estrangeiros e, o melhor de tudo, um legítimo churrasco paraguaio!!! Teve também uma partida de futebol, lá pelas 3 da manhã, na qual o Mello e o Nando mostraram tudo que sabem derrotando a equipe local por 3x0. Eu também mostrei como chutar a bola na casa do vizinho. Cerveja, cansaço e futebol: combinação cômica.

Fim da festa, depois de muitas fotos com todos, voltamos para o hotel para uma merecida noite de sono na horizontal, depois de 5 dias “dormindo” sentados...


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