
Nasci numa cidade chamada Otjo, na África do Sul, e morei lá até os cinco anos de idade. Foi aos quatro anos quando, pela primeira vez na minha vida, vi uma bateria em um programa de televisão, no qual o baterista tocava
Jazz. Esse foi meu primeiro contato com o instrumento e também, por muitos anos, o único.
Depois de algum tempo, mais precisamente em 1977, cheguei ao Brasil, em Foz do Iguaçu, cidade onde me apaixonei pelo futebol, e logo comecei a jogar profissionalmente pela seleção da cidade. Por muito tempo tive a certeza de que seria um grande jogador, mas em 1985, com a realização do primeiro
Rock In Rio, as coisas começaram a tomar uma outra dimensão, e aquele baterista que eu vi na TV aos quatro anos de idade começava a ter um sentido maior para mim. Durante todo o festival, montei uma bateria de latas, potes de sorvete, galões de gasolina, e comecei a batucar no fundo da minha casa. Um ano depois, com alguns amigos da escola, comecei a dublar o
Ultraje a Rigor, o que mudou a minha vida, pois a partir daí eu só ficava sonhando em um dia conseguir ser um grande baterista, até que consegui a minha primeira bateria: era formada por uma caixa e um tom (que peguei emprestado da fanfarra da minha escola e nunca mais devolvi!), um bumbo, um chimbal e um prato que era pendurado no teto, porque eu não tinha pedestal.
Quase toda semana íamos dublar o
Ultraje em um programa de televisão de uma recém inaugurada emissora da cidade, e em um desses programas, uma banda de baile chamada
Tropical Band me viu tocando, ou melhor, dublando, mas seus integrantes acharam que eu levava jeito para a coisa. Então foram até a emissora e convidaram-me para tocar com eles. Na mesma noite, fui ao bar imaginando que eles me ensinariam as músicas e tudo mais... Mas eu estava muito, muito enganado. Chegando lá, nós jantamos e conversamos um pouco e, logo em seguida, com o bar já bem cheio, disseram-me: “Vamos lá ‘Menudo’, vamos tocar.” Eu me sentei naquela bateria e falei: “Como vou tocar se nunca toquei com uma bateria completa, e muito menos com esses caras?” Com muito esforço, foi assim que comecei minha vida profissional na bateria. Todas as noites eu tocava e, no dia seguinte, às 7h da manhã já estava acordando para ir à escola. Foi um ano muito difícil, mas ao mesmo tempo muito proveitoso para meu desenvolvimento profissional.
A primeira banda da qual participei com a minha “gigantesca” bateria foi a
Stylo Livre, em 1987, e novamente a história repetiu-se: os integrantes da banda viram-me tocando com a
Tropical Band e gostaram da minha atuação. Uma semana após terem me visto, convidaram-me para tocar com eles. Naquela época tudo era muito novo, e o fato de sermos a primeira banda de rock da cidade abriu diversas portas e nos deu chances que hoje em dia uma banda iniciante não teria. Aparecíamos em diversos programas de TV e rádio, e também em revistas e jornais. Nesse período, um fato fundamental para o meu direcionamento musical foi ter escutado a música
“Caught Somewhere in Time”, do Iron Maiden, em uma rádio local e, logo após isso, comecei a conhecer toda a discografia dessa banda, a qual foi uma grande influência por muitos e muitos anos.
Todos nós da
Stylo Livre acreditávamos no futuro da banda, tanto que o baixista, empolgado, comprou uma bateria e finalmente eu pude tocar em um instrumento de verdade. Tudo era um sonho, até que um dia fiquei sabendo que minha família se mudaria para Porto Alegre, e eu não teria como ficar em Foz do Iguaçu. Lutei até o último dia pra ficar, mas realmente isso era impossível, pois eu só tinha dezessete anos, e tinha muito que fazer na vida. Então fui para Porto Alegre e, logo que cheguei lá, fiquei bastante empolgado, pois havia um movimento de bandas locais que começavam a tomar espaço no meio musical do país, e achei que isso poderia facilitar a minha caminhada rumo ao sucesso. No entanto, foi bem pior do que imaginei, porque eu não conseguia entrar em nenhuma banda da cidade e também não conseguia vaga em nenhuma escola onde pudesse fazer novos amigos e conhecer gente do meio. Finalmente, depois de um tempo, voltei a estudar e um cara me convidou para tocar em sua banda, pois me via “batucando” na classe e imaginou que eu fosse um baterista. A banda era a
Nômades de KZAK. Fizemos alguns shows, mas as diferenças musicais não demoraram a aparecer e logo deixei a banda.
No início de 1989 comecei a deixar anúncios oferecendo-me como baterista em vários estúdios. Certo dia me procuraram, e dessa vez o nome da banda era
Lucas Scariotys. Essa banda já se aproximava mais do que eu queria fazer: um som pesado e sem regras. Fiquei quase dois anos na banda e fizemos muitos shows, mas também começamos a encontrar algumas divergências sobre o que pensávamos a respeito do futuro da banda. Eu sempre quis trabalhar com música e tentar viver somente dela, mesmo tendo sempre trabalhado em outras áreas paralelamente às bandas nas quais toquei. Infelizmente comecei a perceber que não era tão fácil encontrar as pessoas certas para se ter uma banda e, novamente, saí do grupo. Isso aconteceu, de fato, após assistirmos ao filme do
The Doors, pois toda a banda achou que deveríamos ter aquele tipo de comportamento sem compromisso algum e, a partir daí, tratei de cair fora e procurar outra banda. Isso só fez com que eu detestasse ainda mais os
The Doors...
Já era junho de 1991 e lá estava eu, de novo, de olho nos classificados do jornal até, finalmente, achar uma banda de heavy metal: era a
Spartacus. A minha única dúvida era saber se eu realmente teria condições técnicas pra tocar nela, que já era uma banda famosa e respeitada em Porto Alegre. Eu tinha acabado de fazer vinte anos e estava acreditando, mais do que nunca, que o meu futuro seria como baterista, e lá fui eu para os testes até conseguir a vaga. Fiquei muito feliz, pois tinha entrado em uma banda que era cultuada por todos os músicos da cidade. Ensaiávamos bastante e começamos a fazer alguns shows para mostrar a nova formação, que estava bem afiada. No mesmo ano, gravamos uma nova demo tape e partimos para a maior empreitada da banda com a nova formação: um show com mais três bandas em um auditório para cinco mil pessoas. Para a nossa surpresa, a procura pelos ingressos foi tão inexpressiva que cancelaram o show e, com isso, toda a nossa união e desejo de continuar tocando juntos foram embora. A formação da banda era excelente, mas havia alguma coisa que me dizia que ainda não havia chegado a hora. Nessa mesma época, paralelamente à
Spartacus, eu participei da minha primeira banda cover, a
Raro Efeito, que mais tarde teve a participação do vocalista que havia tocado comigo na
Spartacus. A banda durou quase dois anos, e a falta de shows acabou gerando o seu fim.
O ano seguinte, 1992, foi fundamental e decisivo para a minha carreira. Entrei em uma banda chamada
Ecos do Silêncio, que era formada por pessoas bem mais jovens que eu e, por isso, não tinham o menor comprometimento em querer levar a banda à sério. Na verdade eles só queriam participar de alguns festivais de colégio. Minha passagem pela banda foi meteórica e também sem o menor comprometimento, pois estava apenas na banda para não perder a prática. Foi também nesse ano que, finalmente, pude assistir ao show do
Iron Maiden em Porto Alegre e, “grudado” na grade, vi aquilo como se fosse a minha banda, como se fosse uma premonição. Eu precisava continuar. Não podia desistir.
No dia seguinte tive uma conversa séria com a minha Irmã e pedi para que ela me financiasse uma bateria importada. No mês seguinte, após encher muito saco, eu consegui a minha primeira bateria importada, e com a missão de arrumar uma nova banda cover para pagar a minha dívida. Até que surgiu a banda
Hora H, com a qual fazia muitos shows e viajava o estado do Rio Grande do Sul inteiro. Pela primeira vez na vida, comecei a ganhar dinheiro com música, mas isso não era tudo, pois eu ainda não tinha uma banda fazendo música própria, o que começou a me incomodar muito. Então passei a procurar uma nova banda sem deixar a
Hora H, e assim conheci a banda na qual mais acreditei até então: a
Pistys Sophia. Essa banda tinha um grande potencial, e muito mais que isso: tinha estilo e músicos muito mais experientes que eu (a banda contava com Ivan Zukauskas, da extinta banda
Astaroth), e foi nessa época que senti a necessidade de começar a tocar com pedal duplo. A musicalidade da banda era tanta que, anos mais tarde, o
Hangar gravaria, no disco
Inside Your Soul, uma nova roupagem da música Legions e que foi batizada Savior. Estava tudo indo muito bem, a MTV Brasil tinha um espaço bom para o metal nacional e toda a cena estava fervilhando em busca de novas bandas e novas promessas. Até que, em meio a tantas promessas, a banda acabou pressionada para aproveitar o momento, e começaram as famosas brigas internas. Fui o alvo principal, pois ainda não tocava bem com o pedal duplo e o pessoal reclamava que eu não conseguia manter os andamentos e não tinha a pegada necessária para a banda (que ironia, hein?). Saí decidido a somente estudar bateria e continuar tocando em bandas cover para ganhar algum dinheiro.
Após sete anos tocando, fui ter aulas de bateria para merecer o instrumento que havia comprado. Entrei de cabeça no estudo com vinte e um anos e tentei recuperar todo o tempo que havia perdido. Primeiro estudei com o Mimo Aires, depois com o Thabba e, finalmente, com o Kiko Freitas. Tenho uma enorme gratidão por esses três profissionais que, além de me ensinarem a parte técnica, também me ensinaram a ser profissional. Eles me prepararam para o mercado, e esse conhecimento está comigo até hoje. Eu tinha uma aula por semana à noite; nas outras noites ficava estudando desesperadamente em uma bateria de estudo no meu quarto. Outra coisa que me ajudou muito foi o seguinte: quando o meu chefe viajava, eu ficava sozinho no escritório, pois era uma espécie de “office boy” e “faz tudo”, e a saída dele possibilitava que eu praticasse o dia inteiro em um pad de borracha, o que também fazia boa parte da noite. Estudava em torno de doze a quatorze horas por dia. Dois anos depois, já bem melhor tecnicamente, perdi meu emprego e passei pelos piores oito meses da minha vida. Havia deixado as bandas cover para ter mais tempo para estudar e fiquei meio fora do mercado. Quando precisei voltar, já não tinha mais os contatos, e muito menos um emprego. Segui estudando muito, pois tinha o dia inteiro livre e precisava aproveitar. Eu tinha todo o tempo do mundo, mas motivação não, pois estava sem banda e sem dinheiro.
Já era 1994 quando fui convidado para tocar em uma banda instrumental chamada
Infra Blue, e foi tentando tocar essas músicas que conheci um baterista chamado
Deen Castronovo, o qual mudou minha maneira de ver a bateria. Fui atrás de todos os discos que ele tocava e da sua vídeo-aula, e aos poucos comecei entender os grooves e frases que ele fazia. Como as demais bandas nas quais toquei, a
Infra Blue não durou muito, mas em compensação havia conhecido o baterista com quem mais tinha me identificado, então só por isso já tinha valido a pena. Paralelamente a essa banda, fomos convidados (eu e mais os outros integrantes do
Infra Blue) a integrar o
Apocalipse Now, que fazia um som na linha do rock’n’roll básico, e que tinha o intuito de ser uma banda comercial com grandes contatos em gravadoras multinacionais e no meio musical, de uma maneira geral; no entanto, nada disso aconteceu e acabamos os três deixando a banda de uma só vez. Nunca mais voltamos a tocar juntos.
No início de 1995, decidi que não poderia mais ficar sem um emprego, pois já estava com vinte e quatro anos e nada tinha acontecido na minha vida musical. A cada semana que passava, eu ficava mais desesperado por não conseguir nenhum emprego, e isso estava afetando toda a minha fé em conseguir alguma coisa séria e realmente grande com a música. Desisti... Prometi para mim mesmo que a música seria apenas um hobby e que, a partir daquele momento, eu conseguiria um emprego normal e me dedicaria muito a esse trabalho. Procurei muito, e após várias entrevistas e testes consegui um emprego em uma multinacional que fabricava peças para automóveis, a Dana Corporation, em outubro do mesmo ano. Fiquei muito feliz, mas ainda faltava alguma coisa e eu sabia exatamente o que era.
Foi em novembro de 1997 que formei o
Hangar. Começamos tocando covers de heavy metal antes de montar um repertório próprio. Por eu estar empregado, ensaiávamos todos os finais de semana em torno de oito a dez horas por dia, pois a banda tinha um direcionamento incrível e todos estavam muito engajados, sabiam que investir aquele tempo era necessário. A carreira da banda em Porto Alegre foi fulminante e, com menos de um ano de existência (por ironia do destino), fomos convidados para abrir o show do
Angra, banda que, no mesmo palco, há dois anos atrás, me motivara a montar o
Hangar. Esse show de abertura para o
Angra tinha alguns pontos interessantes que devo destacar: A nossa banda era um tanto novata no cenário, e começamos a ouvir alguns boatos de que o promotor do show estava tentando falar conosco para fazer a abertura, mas não tinha nenhum contato. Como a data do show se aproximava e nada se confirmava, peguei meu carro e fui até a loja do cara. Quando parei no primeiro semáforo vi, no carro que estava na minha frente, dois adesivos:
Hangar Lavagem e
Angra Veículos... A partir dali eu sabia que era só questão de tempo para dividirmos o palco com o maior representante do metal melódico do Brasil no mundo! O show aconteceu e até hoje me lembro de cada detalhe que antecedia a nossa apresentação... Mas eu mal sabia o que o destino me reservava... Esse show foi definitivamente o ponto alto da trajetória do
Hangar até então, e em seguida começamos a gravar nosso primeiro álbum chamado
Last Time, que foi lançado em maio de 1999.
O CD foi muito bem recebido pela crítica especializada e, em seguida, a banda alcançou projeção nacional. Durante os shows de divulgação do
Last Time, começaram a aparecer as primeiras oportunidades para eu tocar com outros artistas. O primeira delas surgiu por parte do
Tritone, projeto Instrumental composto por
Edu Ardanuy (DR. Sin), Frank Solari (Solo) e Sérgio Buss (Solo/Steve Vai); acompanhei esse trio de guitar heroes nos shows de lançamento do CD
Just for Fun and Maybe Some Money, que foi gravado com bateria eletrônica.
Em outubro do mesmo ano, o
Hangar tocou em São Paulo no legendário
Black Jack Rock Bar, e foi após esse show que surgiu o convite para que eu gravasse, junto com outros brasileiros, um disco do
Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden). Comecei a perceber que meus sonhos estavam tornando-se realidade, pois ia gravar um CD com o primeiro vocalista da banda que tinha sido a minha maior influência desde que eu havia começado a tocar. O CD
Nomad foi gravado em São Paulo, em 2000, e logo a banda saiu em turnê pelo país, quando percebi que outras pessoas já conheciam o meu trabalho junto ao
Hangar. Lembro-me que no primeiro ensaio da tour, quando o Felipe começou a tocar
Remember Tomorrow (foi nessa época que conheci Felipe Andreoli, que mais tarde tocaria comigo no
Angra), não acreditei que aquilo pudesse estar acontecendo, eu ensaiando para a minha primeira tour pelo Brasil junto com o
Paul Di’Anno... Muitas coisas estavam acontecendo depois de um período tão conturbado, e isso fez com que eu acreditasse que meu trabalho começava a ser reconhecido. Em seguida foi agendada uma turnê pelos EUA, e isso tinha deixado toda a banda muito excitada: a primeira e tão sonhada tour fora do Brasil. Nessa época eu já estava morando em São Paulo, pois tinha sido transferido pela empresa onde trabalhava, e meu chefe (o cara era muito gente fina) tinha arrumado um jeito para eu fazer toda a tour. Eu já estava acreditando que alguma coisa muito boa estava por acontecer, principalmente porque tocar na banda
Di’Anno estava trazendo uma repercussão excelente para o
Hangar.
Foi em setembro de 2000 que começaram os primeiros contatos com o Angra, pois eu estava na Feira da Música em São Paulo e o
Edu Ardanuy (Dr. Sin/Tritone) me apresentou para o
Kiko Loureiro, o qual conversou um pouco comigo e percebeu que havia uma certa afinidade para trabalharmos juntos. Como a turnê do
Paul Di’Anno tinha sido cancelada devido a problemas com o visto dele, o Kiko me convidou para fazer um teste. Entretanto, eu tinha um problema grave: a minha bateria ainda estava em Porto Alegre devido a alguns compromissos do
Hangar, e em hipótese alguma eu aceitava fazer o teste em uma bateria que não fosse a minha. O
Hangar tinha agendado um show, em novembro, novamente no
Black Jack, em São Paulo, e eu falei para o Kiko que após o show eu poderia fazer o teste, foi quando ele e o Rafael disseram que já estavam testando outros bateristas e que, caso achassem algum interessante, eu perderia a chance. Na hora eu falei para eles: “Façam o teste com quem vocês quiserem, mas não decidam nada antes de me verem tocando.” Mais tarde eles me disseram que essa confiança e segurança que eu tinha passado foram decisivas para que eles esperassem para me ver tocando ao vivo. No dia do show do
Hangar no
Black Jack, lá estavam eles, e eu super nervoso, pois sabia que a aprovação dependeria da minha atuação naquela noite, e para piorar ainda mais, o bar estava meio vazio, o que facilitava para eles prestarem mais atenção ainda. Logo após o show, conversamos rapidamente, pois todas as pessoas que estavam no bar já tinham notado a presença deles, então tentamos ser os mais discretos possíveis para não gerarmos fofocas. O meu teste foi fazer o arranjo de uma música nova:
Running Alone. Eu ainda estava trabalhando na multinacional e passei dois dias ouvindo o CD só com as guitarras e com o metrônomo. Ficava imaginando as levadas que poderiam se encaixar naquela música. Quando cheguei para o teste, pedi alguns minutos para experimentar algumas coisas, e depois chamei os dois para o teste definitivo. Logo na primeira passada pela música, percebi que eles gostaram. Permanecemos tocando por mais um tempo, e isso fez desse dia o mais feliz da minha vida. Ficamos mais alguns dias arranjando outras músicas e, informalmente, recebi o convite para ser o novo baterista do
Angra, a banda que me inspirou a montar o
Hangar e fez renascer em mim a vontade e o desejo de ser músico novamente.
Com o Angra, já gravei os discos
Rebirth (2001), Hunters and Prey (2002), Live in São Paulo (2003), Temple of Shadows (2004) e Aurora Consurgens (2006).Em 2004, ainda tive tempo de lançar meu primeiro
DVD instrucional intitulado Inside my Drums, logo após percorrer o país durante 2003 e 2004 fazendo mais de oitenta
workshops. Nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, fui eleito o melhor baterista de heavy metal pelas principais revistas e web sites especializadas no Brasil. No Japão, em 2002, pela revista
Burrn! Magazine, fiquei em décimo quinto lugar; em 2004, em quarto lugar; em 2005, em nono (sem disco lançado); em 2006, em sexto no ranking dos trinta melhores bateristas do mundo. Nessas votações, estavam muitos dos meus ídolos. Nada mal para quem tinha o sonho de se tornar um baterista profissional! Mas o ano de 2006 reservava muito mais...
Logo em janeiro, a
Mapex confirmou minha participação no
Festival Drummer Live, em Londres, e em fevereiro fiz meus primeiros
workshops fora do Brasil. Foram cinco apresentações, passando por Colômbia, Portugal e Espanha. Em Bogotá, na Colômbia, me apresentei para quase mil e duzentas pessoas, recorde absoluto dos meus
workshops até hoje. Em março, resolvi cair na estrada pra valer: fiz minha primeira
turnê de
workshops pelo Nordeste com toda a infra-estrutura que costumo utilizar. Foram sete datas em treze dias, em um total de 8.500km rodados, chegando a ficar na estrada por quase vinte horas para cumprir a agenda. No mês seguinte, o sucesso dos
workshops pela América do Sul confirmaram-se com mais quatro datas no continente: três no Chile e uma no Peru. A partir de maio, comecei a me concentrar nas composições do novo disco do
Angra, Aurora Consurgens, as quais aconteceram no mês seguinte, na Alemanha. Antes disso, ainda em junho, o
Angra apresentou-se no festival italiano
Gods Of Metal ao lado de
Guns ‘N’ Roses, Def Leppard, Whitesnake, Gamma Ray, Helloween e etc. Uma grande marca foi atingida em julho, com o lançamento do
kit signatureAquiles Priester pela
Mapex. Essa foi a primeira vez, na história da música no Brasil, que um brasileiro tem um
kit signature lançado por uma empresa multinacional e de alcance mundial. E enquanto novos
workshops aconteciam pelo Brasil, logo no mês seguinte a distribuidora local da
Mapex batia um novo recorde de vendas da marca no país.
Como o show não pode parar nunca, enquanto os demais músicos do
Angra gravavam suas partes para o novo disco, saía o primeiro trabalho da banda
Freakeys, formada por mim,
Felipe Andreoli, Fábio Laguna e o guitarrista do
Hangar, Eduardo Martinez, e que traz uma abordagem musical completamente diferente de tudo o que já lancei com o
Angra e
Hangar. Por falar em
Hangar, nesse mês também começaram as gravações do novo disco da banda. Na Expomusic 2006, realizada em setembro, aconteceram as primeiras apresentações ao vivo do
Freakeys, que tiveram sucesso total, além de ter ocorrido a apresentação o novo vocalista do
Hangar, Nando Fernandes, em três apresentações durante a Feira da Música. Foi também em setembro que aconteceu o
Drummer Live, em Londres, no qual acabei realizando o sonho de uma vida ao conhecer pessoalmente e tocar com ninguém menos que
Nicko McBrain, do Iron Maiden, lembram das minhas principais influências? No mês seguinte, o
Aurora Consurgens foi lançado e o
Angra iniciou sua nova turnê mundial, participando do
Festival Loud Park, no Japão, ao lado de bandas como
Slayer, Megadeth, Anthrax e Dio, entre outras. Falando em Japão, realizamos a turnê do
Aurora Consurgens junto com o
Blind Guardian, tocando por sete cidades e, aproveitando a passagem do
Angra pela Ásia, a
Mapex e a
Paiste também confirmaram meus primeiros
workshops no Japão e na China para fevereiro de 2007. Em março desse ano, participei da maior feira musical do mundo, a
Frankfurt Musik Messe, na Alemanha, onde realizei dois workshops no estande da
Paiste.
Em seguida, Aquiles passou a se dedicar à gravação e ao lançamento do novo disco do Hangar,
The Reason Of Your Conviction, que acabou saindo no final de 2007. E como o Angra acabou paralisando temporariamente suas atividades, o ano de 2008 acabou sendo dedicado integralmente ao Hangar e a seus projetos pessoais. Vários shows com o Hangar foram realizados em diversas partes do país e o final do ano ainda viu o disco de estreia da banda gaúcha,
Last Time, voltar às lojas em versão remasterizada e com DVD e faixas bônus. O final de 2008 ainda veria uma turnê inédita: o Metal Christmas que percorreu o país com shows do Hangar e da Andre Matos Band.
No início de 2009, a fabricante de pratos para bateria Paiste, antiga parceira de Aquiles Priester, homenageou o talento do brasileiro ao lançar uma série de pratos signature, o PST5 Limited Edition Aquiles Priester.
Ainda no começo do ano, foi anunciada oficialmente a saída de Aquiles Priester do Angra, banda da qual participou por seis anos e com a qual gravou três discos de estúdio, um EP e um CD/DVD ao vivo.
A partir de então, sua dedicação passou a se concentrar na banda Hangar, com a qual gravou mais um disco,
Infallible. O álbum marcou a estreia do novo vocalista da banda, Humberto Sobrinho, e foi inteiramente composto e gravado no Brasil, com produção de Aquiles e engenharia de som a cargo de Adair Daufembach. A mixagem e a masterização aconteceram no estúdio Area 51, localizado em Celle, na Alemanha, e tiveram como responsáveis o produtor e técnico de som Tommy Newton e o próprio Aquiles.
Infallible será lançado na próxima Expomusic, que se realizará de 23 a 27 de setembro próximo em São Paulo.
Aproveitando sua viagem à Europa, Aquiles realizou alguns workshops na Itália com sucesso absoluto. No total, a experiência de Aquiles em workshops já conta com mais de 150 apresentações realizadas desde 2002, passando por diversas culturas diferentes e tendo um saldo altamente positivo tanto junto ao público como à crítica especializada.
Além do novo disco do Hangar, Aquiles trabalha ainda no livro que contará a sua história, intitulado "De Fã a Ídolo" e que também tem lançamento marcado para a Expomusic.
Hoje olho para trás e vejo que por mais duro que tenha sido o caminho que percorri para chegar onde estou, sempre tive perseverança para acreditar que quem realmente sonha e faz por merecer, consegue. Sou uma pessoa comum que tinha um sonho e correu atrás para realizá-lo, e por mais difícil e ardorosa que tenha sido essa jornada, no fundo eu sempre soube que esse era o meu destino: ser músico. Em todos esses anos, sempre existiram muitas superstições e outras coisas que me fizeram acreditar que esse era o caminho. No meio disso tudo sempre tive comigo um provérbio chinês que diz o seguinte:
“Onde há uma vontade, há um caminho”.
Se você tem uma vontade, você pode fazer o seu caminho...
Aquiles Priester
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